Folha Vitória Procura por vacina contra a gripe cresce na rede privada da Grande Vitória

Procura por vacina contra a gripe cresce na rede privada da Grande Vitória

Já no Sistema Único de Saúde (SUS), a procura pelo imunizante está baixa

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
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Com a proximidade do fim do outono e da chegada do inverno é preciso voltar a atenção para as doenças respiratórias como, por exemplo, a gripe. A 23ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza completou um mês nesta quarta-feira (12), e a procura sem sido baixa nas Unidades de Saúde. Por outro lado, nas clínicas particulares a procura aumentou. 

Diferente de outros anos, a campanha de vacinação contra a gripe acontece no mesmo período em que há a imunização contra a covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS). Para a infectologista Tâmea Possa, o receio de ir aos postos de saúde e, obviamente, a preocupação maior com o novo coronavírus podem estar entre as justificativas para a baixa procura no SUS. 

"Na rede privada, eles marcam um horário e vão vacinar, já no posto de saúde isso não é possível. Então, diante da crise do covid-19, em que evitar aglomerações é o mais indicado, muitos preferem marcar e pagar pela vacina", explicou a infectologista. 

No Centro de Vacinação da Praia (CVP), no SIS Vacinações e no Laboratório Cremasco, que atendem em toda Grande Vitória, a procupa disparou.

O CVP e o SIS informaram que a demanda tem sido grande, e que não há mais vagas para esta semana. O preço da aplicação somado à vacina, nos dois locais, custa R$130,00. Já no Laboratório Cremasco, com sede em Campo Grande, Cariacica, o valor é de R$119,00 e não precisa agendar.  

Veja o público-alvo da primeira fase da campanha: 

- crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade;
- gestantes, puérperas;
- povos indígenas;
- trabalhadores da saúde;
- idosos com 60 anos e mais; 
- professores das escolas públicas e privadas;
- pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais;
- pessoas com deficiência permanente; 
- forças de segurança e salvamento, forças armadas, caminhoneiros, trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso;
- trabalhadores portuários, funcionários do sistema prisional, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas e população privada de liberdade. 

Importância da vacina contra a gripe

A infectologista Tâmea Possa explicou que o quadro da gripe grave é parecido com o da covid-19, uma síndrome respiratória que pode evoluir para internações e ventilação mecânica. A diferença é que na gripe os sintomas são mais precoces, já na covid é mais tardio.

"A gente vive agora a situação preocupante do novo coronavírus e vem uma onda da gripe, já que estamos no período de alta incidência, com o outono e inverno. Imagina juntar as duas coisas que possuem a mesma repercussão. Uma coisa não piora a outra, mas as duas juntas precisarão do mesmo tipo de cuidado", alertou ela.

Outro ponto preocupante destacado por ela é que a influenza pode evoluir para uma pneumonia secundária, elevando a taxa de internação em leitos hospitalares. 

Cobertura da imunização no sistema público está em 12,6%

Enquanto a busca no sistema privado tem aumentado, a adesão no sistema público tem preocupado a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), jjá que no Espírito Santo o alcance da imunização está abaixo do esperado. De acordo com os dados do LocalizaSus, desta quarta-feira (12), apenas 12,6% do público-alvo capixaba foi vacinado contra gripe.

Leia mais: Procura por vacinação contra a gripe está abaixo do esperado no ES, diz coordenadora de imunização

Se comparado ao ano de 2020, no mesmo período, o Espírito Santo foi o primeiro no Brasil a atingir a meta de imunização com 90% de cobertura em menos de dois meses de campanha. 

A infectologista acredita que o baixo alcance da campanha é reflexo da pandemia do novo coronavírus e da falta de campanhas e de informações sobre o período certo para tomar as doses. "Aquele, foco que a gente dava para campanha da gripe não é o mesmo. O assunto que rola é covid-19", argumentou. 

Além disso, ela acredita que as pessoas estão preocupadas com o tempo ideal entre tomar as doses da vacina contra covid-19 e, depois a da gripe. Sobre isso, ela foi enfática ao destacar que o tempo ideal entre as doses é 14 dias. 

As  duas campanhas contemplam o mesmo público alvo – as gestantes e puérperas com comorbidades, trabalhadores da saúde, professores e idosos –, a orientação é que seja feita primeiramente a aplicação da vacina covid-19, e atentar-se ao intervalo de aplicação entre as vacinas contra a covid-19 e influenza, que são de 14 dias.

Quem se vacinou o ano passado precisa se imunizar este ano? Entenda! 

A produção de uma vacina, de forma simplificada, pode ser entendida da seguinte maneira: Os cientistas avaliam o vírus que está circulando e produzem uma vacina direcionada para ele. Mas com o tempo, o vírus cria resistência e outras mutações, então a vacina aplicada em 2020 não é a mesma deste ano. 

"A vacinação contra a gripe é anual porque o vírus da gripe tem maior mutação. Quando a pessoa não toma acreditando que a anterior foi suficiente está errada", explicou. 

Para ela, apostar na imunidade de rebanho é deixar o vírus se multiplicar e fazer mutações. "Ele fica mais agressivo e transmissível. Toda infecção que é possível  reduzir por meio de vacinas é a melhor coisa a ser feita", finalizou Tâmea. 

*Com informações da Sesa 

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