Folha Vitória Ser nômade digital já é realidade para 35 milhões de pessoas

Ser nômade digital já é realidade para 35 milhões de pessoas

Atualmente, 35 milhões de pessoas são adeptas do estilo de vida de nômade digital. Até 2035, a expectativa é de que este número chegue a 1 bilhão em todo o mundo

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Foto: Divulgação/DINO

Viver como nômade digital tornou-se realidade para 35 milhões de pessoas em todo o mundo. E a tendência é de que este número cresça, chegando à marca de 1 bilhão de pessoas até 2035. Os dados são do “Relatório Global de Tendências Migratórias 2022” da Fragomen, uma empresa especializada em serviços de imigração mundial, e confirmam o nomadismo digital como uma tendência forte para os próximos anos.

A expansão da internet e a consolidação do home office, sobretudo a partir da pandemia, são alguns fatores que influenciam nesse movimento. Somada a eles, a abertura de fronteiras para nômades digitais, através da concessão de vistos especiais por vários países, faz com que mais pessoas decidam trabalhar viajando pelo mundo. Mas, afinal, o que é um nômade digital e quais as vantagens de adotar esse estilo de vida?

De maneira simplificada, nômade digital é a pessoa que não precisa estar presa a uma estrutura fixa para exercer suas atividades profissionais, podendo trabalhar de qualquer lugar. Esse estilo de vida, até pouco tempo, era restrito, basicamente, a freelancers. Hoje, porém, é realidade para vários tipos de profissionais, incluindo os que mantêm vínculo formal com alguma empresa.

O Guia Viajar Melhor, site especializado em viagens e turismo, fez um levantamento com 25 profissões que podem ser exercidas por nômades digitais. Nele, revelou que cargos antes vistos como essenciais dentro de escritórios, por exemplo, também podem ser exercidos de maneira remota. Um exemplo é o assistente pessoal que, não necessariamente, precisa estar ao lado do administrador ou executivo para cuidar de sua agenda e delegar funções.

Em grande parte dos casos, o nômade digital precisa somente de acesso a uma boa conexão de internet e um computador para trabalhar. Com isso, independentemente do lugar em que esteja, consegue manter seu sustento através da atividade profissional. A troca cultural, o aperfeiçoamento de idiomas e as experiências internacionais trazem outros benefícios para quem busca esse estilo de vida, conforme apontado na matéria do Guia Viajar Melhor.

Por outro lado, quem decide ser nômade digital deve ter organização para cumprir suas tarefas e flexibilidade de horários - sobretudo, considerando os fusos. Além disso, é necessário ter um bom planejamento, principalmente levando em conta o custo de vida do local onde vai morar. 

Fronteiras abertas para o nomadismo digital

Outro levantamento recente apontou que mais cada vez mais países abrem suas fronteiras para nômades digitais. Em geral, os governos buscam atrair novos talentos para seus territórios, assim como injetar capital estrangeiro em suas economias.

De acordo com o relatório do Instituto de Políticas Migratórias, sediado nos Estados Unidos, mais de 25 países concedem vistos especiais para trabalhadores que adotaram o nomadismo digital como estilo de vida. Entre eles, grandes economias, como os Emirados Árabes Unidos, Espanha, Itália, Portugal e, até mesmo, o Brasil.

Em nota à BBC News Brasil, o Itamaraty informou que o Ministério das Relações Exteriores emitiu 100 vistos para nômades digitais entre setembro de 2021 e o início de julho de 2022. Para obter a autorização de moradia temporária em solo brasileiro, o nômade digital precisa ter seguro saúde, comprovar a condição de nômade digital - sem vínculo com empresas brasileiras - e provar que tem condições financeiras para se manter no país.

Visto de nômades digitais em alguns países

No entanto, cada país tem suas próprias regras para a concessão de visto especial para nômades digitais. Em alguns lugares, além de apresentar toda documentação solicitada, é necessário pagar taxas para ingresso nessa condição.

É o caso de Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Bermudas, Ilhas Cayman, Costa Rica, Curaçao e Islândia. Segundo a Forbes, para entrar como nômade digital pode-se ter que desembolsar até US$ 2 mil - cerca de R$ 10,2 mil na cotação atual. Já quem decide trabalhar a partir de Bali, na Indonésia, pode ter que pagar US$ 142,3 mil - R$ 729 mil, na cotação atual - para obter um visto de cinco anos.

O motivo das taxas, em alguns casos, é o fato de os nômades digitais serem isentos do pagamento de impostos. Com as taxas, os governos tentam equilibrar as contas, de modo a proteger seus trabalhadores, submetidos à cobrança de impostos. Por isso, ao considerar morar em um país como nômade digital, é essencial se informar sobre todas as regras.

Em contrapartida, há destinos que concedem vantagens para os nômades digitais, de forma a incentivar esse tipo de imigração. Um exemplo é o Rio de Janeiro, que concede o certificado Rio Digital Nomads a hotéis e hostels que oferecem tarifas especiais para quem adere a pacotes de longa permanência. Até o momento, há 60 hotéis, 16 hostels e 21 espaços de coworking cadastrados na cidade.

Já em Portugal, os nômades digitais usufruem de alguns direitos como cidadãos portugueses. Eles recebem um Número de Identificação Fiscal (NIF) português (similar ao CPF brasileiro) provisório, assim como registros na Segurança Social e no Sistema Nacional de Saúde.

Trabalho motiva migração 

O trabalho é o principal motivo das migrações em todo o mundo, e o nomadismo digital confirma essa tendência para os próximos anos. De acordo com o Relatório Mundial das Migrações 2022 da Organização Internacional para as Migrações (OIM), os trabalhadores são a maioria dos migrantes internacionais - estimados em 281 milhões, atualmente. Desse contingente, os nômades digitais já representam cerca de 13%.

A América Latina, por sua vez, é a região com mais empresas que mantêm esse tipo de trabalhador. Segundo o relatório semestral Global Hiring Report, da empresa de pagamentos Deel, que analisa o mercado de trabalho ao redor do mundo, México, Chile e Argentina são os países que mais contratam nômades digitais.

O relatório da Deel também apontou que, na América Latina, Argentina, Brasil e México são os países com maior número de nômades digitais contratados por organizações globais.

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