Folha Vitória Sérgio Blank conheceu assassino em bar poucas horas antes de ser morto em Cariacica

Sérgio Blank conheceu assassino em bar poucas horas antes de ser morto em Cariacica

O poeta e escritor, de 56 anos, foi assassinado dentro de casa, em Campo Grande. Segundo a polícia, o autor do crime, que foi preso na segunda-feira, usou um fio de telefone para estrangular a vítima até a morte

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Foto: Divulgação
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O escritor e poeta capixaba Sérgio Blank foi asfixiado até a morte dentro de sua casa, no bairro Campo Grande, em Cariacica. O crime aconteceu no dia 22 de julho do ano passado. Mais de nove meses depois, a Polícia Civil esclareceu as circunstâncias da morte do escritor.

O suspeito de cometer o crime, um homem de 27 anos que não teve a identidade revelada pela polícia, foi preso nesta segunda-feira (03), no bairro Feu Rosa, na Serra, onde residia com a esposa e o filho. De acordo com a polícia, ele e a vítima se conheceram poucas horas antes do crime, em um bar de Campo Grande.

"Eles começaram a conversar e fazer uso de bebida alcoólica. Nesse momento, o autor conseguiu convencer a vítima a ir até a sua residência. No interior da residência, o autor executou a vítima de forma cruel. Num primeiro momento, ele aplicou um golpe chamado mata-leão. A vítima caiu desmaiada e, em seguida, o autor pegou um fio de telefone fixo e estrangulou a vítima, levando ela a óbito", explicou o titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cariacica, delegado Eduardo Khaddour.

As investigações apontam para o crime de latrocínio, que é o roubo com morte, já que, com o suspeito, a polícia encontrou alguns pertences da vítima. Agora a Polícia Civil tem mais 30 dias para finalizar o inquérito sobre o caso.

"A principal linha de investigação é a incidência de um crime patrimonial. O objetivo principal do autor seria subtrair os bens localizados no interior da residência da vítima, e assim de fato ele fez. Após executar a vítima, ele subtraiu o telefone celular e o notebook da vítima", disse o delegado.

Khaddour frisou, no entanto, que o suspeito, apesar de ter confessado o crime, não esclareceu qual foi o real motivo que o levou a matar a vítima. "A gente ainda tem 30 dias de investigação, que a gente vai tentar definir qual foi a real motivação. Ali a principal linha de investigação caminha nesse sentido, mas ele não confessou qual foi a real motivação", afirmou.

"O inquérito policial foi instruído com irrefutáveis provas, que imputam a autoria em face do preso. Em oitiva na nossa unidade policial, ele confessou a prática do crime e relatou como foi toda a dinâmica. Foi um crime bastante complexo, ocorrido no interior da residência, onde só estavam o autor e a vítima. Então foi uma investigação que demandou muito empenho da nossa unidade", completou o titular da DHPP de Cariacica.

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Ainda segundo a polícia, o autor do homicídio morava em Cariacica na época do crime, mas depois se mudou para a Serra. De acordo com o delegado, na tentativa de atrapalhar as investigações, ele chegou a ter vários endereços.

"Logo após o crime, ele se evadiu para o município da Serra e ficou esse período todo escondido lá, no bairro Feu Rosa. No município da Serra, ele ficava alternando algumas residências, visando atrapalhar a nossa identificação do local em que ele estava. Mas, com intenso trabalho de campo, a gente conseguiu confirmar a residência, a gente representou à Justiça pela busca na casa e pela sua prisão, foi deferida e a gente cumpriu no dia de ontem [segunda-feira]", ressaltou Khaddour.

O delegado disse também que o suspeito possui uma longa ficha criminal e que estava preso até dois meses antes do assassinato. "O preso tem diversas passagens criminais, notadamente crimes contra o patrimônio. Ele já responde a inúmeros processos por roubo a veículo, roubo a transeunte. Vale ressaltar que ele estava beneficiado por alvará judicial, expedido em maio de 2020. Em julho de 2020, dois meses depois, ele executou a vítima".

Ainda de acordo com Eduardo Khaddour, o homem admitiu que estava sob efeito de drogas no momento em que assassinou Sérgio Blank. "Ele confessou que, desde a madrugada anterior, já estava usando substância entorpecente e que era viciado especificamente em crack", frisou o delegado.

O escritor tinha 56 anos e era conhecido no Espírito Santo por suas poesias e livros publicados. Sérgio Blank ocupava a cadeira número 9 da Academia Espírito-Santense de Letras. Para o delegado-geral da Polícia Civil do Estado, José Darcy Arruda, a prisão é uma importante resposta à sociedade.

"Foi uma prisão extremamente importante para que não paire na sociedade a sensação de impunidade. Uma prisão que representa uma resposta pelo crime que ele praticou. Um crime bárbaro. Matou pela asfixia, que é uma crueldade por parte dele. Isso faz com que ele responda, a princípio, por um homicídio qualificado, com pena de 12 a 30 anos. E se consumar, verdadeiramente, que a intenção dele era patrimonial, como está se direcionando a investigação, ele responderá por latrocínio, e a pena hoje é a pena máxima do Código Penal, de 40 anos", destacou Arruda.

Com informações do repórter Waslley Leite, da TV Vitória/Record TV 

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