Setor alimentício no ES aumenta faturamento durante a pandemia

O setor varejista hortifrutigranjeiro foi o que apresentou a maior alta, seguido de açougues e peixarias, produtos alimentícios e supermercados

Foto: Divulgação
Folha Vitória

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Mesmo com a pandemia do novo coronavírus, o setor alimentício no Espírito Santo registrou alta em seu faturamento, como indica o Boletim da Receita Estadual de impactos da Covid-19, divulgado nesta quarta-feira (29) pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz). O estudo comparou os meses de março a junho de 2020 com o mesmo período do ano passado.

A alta foi puxada pelo setor varejista hortifrutigranjeiro, com um faturamento de 35%. Na sequência aparecem açougues e peixarias (17,3%), produtos alimentícios (13,3%) e supermercados (12%). Também tiveram crescimento a venda de produtos farmacêuticos (11,6%), gás liquefeito (8,6%) e materiais de construção (8,2%).

Segundo a Sefaz, o boletim traz dados baseados apenas no faturamento das empresas e dos produtores, sem considerar seus custos.

Para os trabalhadores do setor agrícola, esse crescimento era esperado, já que com o isolamento social, o consumo de alimentos nas casas aumentou. Com essa alta na demanda, novas vagas de emprego foram criadas, segundo a Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultura Familiar - Fetaes, e de vários agricultores se reinventando neste “novo normal”.

“Atualmente temos mais de 80 mil estabelecimentos no estado que são considerados de agricultura familiar. Com o fechamento das feiras livres, muitos migraram para outros mecanismos, como o delivery e as cestas. O produtor rural não só manteve a renda, como viu o investimento crescer”, disse Julio Cezar Mendel, Presidente da Fetaes.

Por outro lado, o produtor rural e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Maria de Jetibá, Egnaldo Andreatta, afirmou que os produtores da região não contrataram mais e, em alguns casos, até reduziram o quadro de colaboradores para alcançar o faturamento anterior à pandemia. "Muitos dos nossos produtores preferiram aumentar a carga dos colaboradores, cortando parte da mão-de-obra, para equilibrar a baixa na produção", afirma.

O economista Eduardo Araújo explica que esses setores podem continuar operando em positivo, mas que esse crescimento tende a diminuir, na medida em que a o dia a dia voltar ao normal. “Ainda estamos em um processo de recuperação. Nos próximos meses a situação também deve melhorar para aqueles setores que tiveram uma baixa nesse período, mas somente no primeiro semestre de 2021 teremos de fato um quadro geral dessa recuperação”, explica Araújo.