Folha Vitória Superlotação e demora em postos de saúde e PAs da Grande Vitória

Superlotação e demora em postos de saúde e PAs da Grande Vitória

Pacientes e familiares se queixaram também da falta de profissionais de Saúde

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Foto: Reprodução/TV Vitória
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O número de pacientes com doenças respiratórias que procuram atendimento nas Unidades Básicas de Saúde e em Pronto Atendimentos da Grande Vitória está aumentando. Dois fatores influenciam este crescimento: a chegada do outono e a aceleração no número de casos de pacientes com covid-19.

Pessoas que aguardam atendimento no PA da Praia do Suá, na capital, contaram que os corredores estão cheios de pessoas com sintomas gripais. 

A Secretária de Saúde de Vitória, Thais Cohen, confirmou à TV Vitória/Record TV, que há uma alta demanda de pacientes. "De fato existe uma procura aumentada, principalmente por pacientes sintomáticos respiratórios. Além disso, esses pacientes não são apenas de covid-19, mas de outras doenças como asma, entre outros micróbios associados às doenças respiratórias. O número está aumentando tanto nas Unidades Básicas de Saúde e Pronto Atendimentos". 

A Capital conta com 29 Unidades de Saúde, além de dois Pronto Atendimentos. No entanto, a situação é complicada devido ao alto número de pacientes que procuram atendimento diariamente. 

Na tentativa de ampliar o número de atendimentos, a Secretária de Saúde de Vitória convocou 46 médicos para atuarem nos PAs, mas nenhum dos profissionais compareceu. A prefeitura decidiu abrir um novo processo seletivo para contratação imediata de médicos. 

Apesar da ausência desses profissionais, a secretária afirmou que o município está absorvendo os atendimentos e mantendo leitos de retaguarda. No entanto, Thais alertou que o Pronto Atendimento não é para internação. "O ambiente do PA não é de internação, mas de acolhimento. Principalmente de pacientes de urgência e emergência, fazendo todo o início de suporte à vida, até que seja transferido ao serviço hospitalar adequado", afirmou. 

A secretária reforçou a importância em procurar as unidades de Saúde adequadas para cada sintoma respiratório. "O paciente deve procurar alguma Unidade Básica de Saúde nos casos de sintomas leves, como uma tosse, espirro ou febre baixa. No entanto, se a pessoa estiver sentindo um desconforto respiratório, que a limite de fazer algo, deve procurar uma unidade de Pronto Atendimento", orientou Thais. 

Cariacica 

Em Cariacica, pacientes reclamaram que no PA de Alto Lage não estão sendo realizados exames de covid. Eles se queixaram também da falta de profissionais, diante da alta demanda neste período.

Uma mulher ouvida pela reportagem contou que está com a mãe internada no PA de Alto Lage, e que não há equipe suficiente para atender a quantidade de pacientes. "Minha mãe não conseguiu levantar para ir ao banheiro e não tinha ninguém para levar, ela acabou fazendo as necessidades na própria cama. Tive que entrar e ajudar a minha mãe, mesmo sendo proibido acompanhantes".

A Secretária de Saúde de Cariacica Roberta Goltara afirmou que, para dar vasão aos atendimentos, as unidades básicas de saúde dos bairros estão com o horário de atendimento estendido.

Goltara, também, reforçou a orientação sobre o local mais adequado para buscar atendimento. Ela disse que quem estiver com sintomas leves precisa procurar as unidades básicas de saúde, já que os PAs estão sobrecarregados. "É importante procurar os Pronto Atendimentos somente quem tiver sintomas mais graves, como falta de ar e febre mais persistentes", disse Roberta.  

De acordo com a prefeitura de Cariacica, no município há 28 Unidades Básicas que funcionam como porta de entrada para pacientes com sintomas e suspeita de infecção por coronavírus. Somente após passarem por umas dessas unidades, os pacientes mais graves são encaminhados para os Pronto Atendimentos. 

Vila Velha

Em Vila Velha, a equipe de reportagem conversou com Genesilda Dias. Ela contou que precisou levar o ex-marido ao PA da Glória, e que já aguardava há 5 horas. "Está lá dentro esperando fazer o exame ainda. Muita gente sentada, para conseguir atendimento tem que ter paciência", desabafou Genesilda.  

A Secretaria de Saúde de Vila Velha informou que a demanda no PA da Glória foi de quatrocentos para mil pacientes por dia, quase todos com sintomas gripais. A secretaria reconhece que o PA da Glória é um ponto crítico.

No PA há duas placas indicando a separação entre pacientes com sintomas de covid-19 e pacientes com sintomas gripais, mas de acordo com as pessoas, lá dentro, todos se misturam. "Estava uma bagunça. Eu cheguei a reclamar com os profissionais, mas não adiantou", disse Otávio Quaresma, que procurou o Posto com sintomas gripais. 

A secretária de Vila Velha, Cátia Cristina Vieira Lisboa, disse que os atendimentos aumentaram devido ao agravamento da covid-19. Segundo ela, a secretária tem buscado formas de melhor atender. "Temos um canal de reclamações, o 162, para que as pessoas possam fazer queixas sobre atendimento e organização", explicou Cátia. 

Ainda de acordo com Lisboa, estão sendo adotadas medidas como ampliação e reforço de escalas médicas. O atendimento no PA de Jaburuna foi estendido até às 22 horas. 

Serra

Na Serra, também houve reclamações de pacientes com suspeita de covid 19. Uma mulher que pediu para não ser identificada disse que não conseguiu atendimento. "Me mandaram embora, mas estou com falta de ar e dores no corpo", afirmou.

A Prefeitura da Serra informou que nesses casos os atendimentos são mais demorados, porque é necessária a realização de exames. Dise ainda que a equipe médica e os funcionários estão preparados para atender à população. 

No município, são 39 postos e três unidades de Pronto Atendimento, que contam com quase  três mil profissionais da saúde. 

*Com informações dos repórteres Lucas Pisa e Marla Bermudes da TV Vitória / Record TV 

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