Folha Vitória 'Trabalharam de forma técnica e respeitosa', diz presidente da Associação de Cabos e Soldados após vídeo de agressão de PM

'Trabalharam de forma técnica e respeitosa', diz presidente da Associação de Cabos e Soldados após vídeo de agressão de PM

Em um vídeo gravado em frente a uma casa de shows, em Cariacica, é possível ver o momento em que um dos policiais joga um spray de pimenta em uma jovem

Folha Vitória
Foto: Reprodução/ WhatsApp TV Vitória
Folha Vitória

Folha Vitória

Folha Vitória

Um vídeo feito em Cariacica mostra o momento em que um grupo de jovens é abordado e agredido por policiais militares. A confusão aconteceu na frente de uma casa de shows e foi gravada por pessoas que estavam no local. Nas imagens, um dos policiais aparece jogando spray de pimenta em uma mulher

Após a divulgação do vídeo, o presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar do Espírito Santo, Jackson Eugênio Silote, afirmou que o departamento jurídico da instituição está acompanhando de perto o caso. 

O representante da categoria disse que os militares envolvidos na ação estão sendo acusados injustamente de terem efetuado um disparo na direção de uma pessoa durante a abordagem policial.

De acordo com ele, os policiais foram encaminhados para a região para averiguar a denúncia de que teria um homem armado no local. Ele afirmou, ainda, que em momento algum os militares efetuaram qualquer tipo de disparo.

"Muito pelo contrário, trabalharam de forma muito técnica e respeitosa, tanto na região, tanto com o abordado, quanto com as pessoas que estavam no local que tentaram tumultuar essa abordagem e criar transtornos e, principalmente, dificultar o trabalho da Polícia Militar", disse o presidente da Associação.

Segundo Silote, a acusação é uma tentativa de denegrir a imagem do policial militar e de distorcer os fatos. 

"Vale ressaltar que essa inversão de valores, essa tentativa de denegrir a imagem do policial militar e até mesmo distorcer os fatos, única e exclusivamente para denegrir os policiais militares tem que ser deixada de lado e a Associação dos Cabos e Soldados se mantém vigilante sempre na proteção desses militares que doam a sua vida diuturnamente na proteção da sociedade capixaba mesmo com o risco da própria vida", continuou. 

O presidente afirmou que o caso será acompanhado de perto pela Associação de Cabos e Soldados.  

"Nós manteremos o acompanhamento desses militares, nossos associados, mais uma vez, e também, depois do final dessas apurações responsabilizar essa senhora por essa denúncia caluniosa contra os policiais militares envolvidos na ocorrência", frisou.

Entenda o caso: jovem acusa PM de ameaça e de jogar spray de pimenta durante abordagem

A confusão aconteceu na madrugada do último sábado (23). Testemunhas que estavam no local disseram que o policial teria se aproximado de uma das jovens e a ofendido.

O vídeo mostra o momento em que uma das mulheres se afasta caminhando calmamente, sem reagir. Mesmo assim, o PM foi atrás e lançou um jato de spray de pimenta nela. 

Ao perceber que estava sendo filmado, o militar sai em direção das pessoas. De repente, o vídeo registra quando ele saca uma arma e parece efetuar um disparo para frente. O policial ainda corre atrás da pessoa que estava filmando.

Segundo os jovens que estavam na rua, as cenas foram feitas após uma abordagem de dois rapazes. A jovem que aparece no vídeo recebendo um jato de spray de pimenta contou que, no momento em que as imagens foram gravadas, ela estava tentando acompanhar a abordagem que os policiais faziam no namorado.

"Eu fiquei parada. Ele pediu para mim sair de perto. Eu me afastei e fui para o outro lado da rua, assim mesmo ele foi para cima de mim e falou para eu sair. Eu falei: 'meu senhor, só estou esperando meu esposo'. Eu fiquei parada sem falar nada, foi aí que um outro policial puxou um spray e tacou no meu rosto. Eu andei um pouco, aí veio outro que estava me xingando e jogou o spray de novo", disse.

O namorado contou que está com medo de possíveis represálias por parte dos policiais.

"Eu fui observar a abordagem que eles estavam fazendo ao meu amigo e acabou que, ao chegar próximo, eles acabaram me abordando. Estavam muito agressivos, falaram: 'vem negão, encosta aqui e coloca a mão na cabeça'. Cheguei, eles chutaram minhas pernas, apertaram meu pescoço e, em seguida, me deram um soco na boca do estômago", contou.

Outro jovem contou que foi abordado de maneira violenta e afirmou que nada de ilícito foi encontrado com ele.

Os jovens que foram agredidos disseram que estacionaram os carros na rua dos fundos da casa de shows. Eles contaram que acharam estranho que os polícias não pediram nenhum documento de identificação e nem perguntaram o nome durante a abordagem.

Os jovens disseram, ainda, que a todo momento pediam para que os policiais revistassem eles e os veículos para provar que não havia nada de ilícito.

"No momento, a única defesa nossa era essa. Falei assim: 'senhor, puxa os nossos documentos. Nós somos trabalhadores. Revista o nosso carro'. Mas eles não quiseram saber, eles só ameaçaram e bateram a todo tempo", disse.

Revoltados, os jovens registraram boletim de ocorrência contra os policiais militares. 

O que diz a Polícia Militar?

A Polícia Militar disse que os militares foram informados pelo Ciodes, na madrugada de sábado (23), de que uma pessoa, possivelmente armada, estaria nas proximidades de uma casa de show no bairro Rio Branco, em Cariacica.

Segundo a PM, uma equipe da Força Tática intensificou o patrulhamento na região para tentar localizar o suspeito. No momento em que os policiais passavam na rua atrás da casa de show, avistaram um grupo.

Ao perceberem a presença da equipe, segundo a polícia, dois suspeitos mudaram repentinamente de direção. Diante da atitude, os rapazes foram abordados. No entanto, de acordo com a polícia, nada de ilícito foi encontrado.

Durante o procedimento de abordagem, ainda segundo a polícia, integrantes do grupo tentaram atrapalhar o trabalho policial, mas não foi possível detê-los.

A Polícia Militar destacou que qualquer pessoa que tenha se sentido prejudicada com a atuação da PM no local, pode procurar a Corregedoria da Corporação e formalizar uma denúncia.

LEIA TAMBÉM: PMs são afastados após agressão a mulher em Guarapari

Últimas