Folha Vitória Tragédia em Vila Velha: tenente-coronel dos Bombeiros chora ao falar sobre resgate de vítimas

Tragédia em Vila Velha: tenente-coronel dos Bombeiros chora ao falar sobre resgate de vítimas

"Nós tentamos em todo momento trazê-los com vida, mas infelizmente não foi possível", disse Wagner Borges após morte de três pessoas de uma mesma família vítima de desabamento de prédio em Cristóvão Colombo

O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Wagner Borges, que esteve no local do desabamento do prédio que aconteceu no bairro Cristóvão Colombo, em Vila Velha, e deixou três mortos, chorou ao falar sobre o ocorrido durante participação no programa Fala ES, da TV Vitória/ RocordTV na tarde desta sexta-feira (22).

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Foram mais de 20 horas de trabalho do Corpo de Bombeiros para resgatar as vítimas. 

"Hoje foi um dia bem cansativo, mas também de reflexão para podermos entender todo o processo de uma forma externa. Uma coisa é quando você vive a ação, outra coisa é quando você passa a ação e começa a fazer uma reflexão sobre aquilo que foi vivido. Nós tínhamos 48 bombeiros no local e dois cães. O comandante-geral da nossa instituição, o coronel Cerqueira comandou todas as operações e eu fui o supervisor do dia".

Ao falar sobre o resgate, o tenente se emocionou.

"Só nos resta solidarizarmos com a família, dar o nosso abraço e dizer o seguinte: nos perdoe. Nós tentamos em todo momento trazê-los com vida, mas infelizmente não foi possível", disse.  Foto: Reprodução / Instagram
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Durante a entrevista, Wagner Borges contou sobre o momento do resgate de Sabrina.

"Em casos como Brumadinho, já sabíamos que as pessoas estavam em óbito, mas em uma situação como a nossa em Vila Velha não. Sabíamos que tinha o desmoronamento, mas que as vítimas estavam com vida, e isso é muito angustiante para nós bombeiros. Conseguir chegar na vítima, fazer o mais difícil e na hora de entrega-la para a família nós não conseguirmos entregar com vida é muito difícil".

Veja quem são as vítimas:

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
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>> Eduardo Cardoso: o idoso tinha 68 anos e é pai de Larissa Morassuti, de 37, e Camila Morassuti Cardoso, de 34, que também estavam no imóvel no momento do desabamento. Após quase 20 horas de buscas, foi localizado o corpo de Eduardo.

>> Larissa Morassuti: única sobrevivente do desabamento tinha 37 anos e é doceira. Ela passou a noite de quarta para quinta-feira produzindo os quitutes, que venderia durante o feriado. Larissa continua internada e o estado de saúde dela é estável.

>> Camila Morassuti Cardoso: Camila foi localizada cerca de três horas após o resgate de Larissa. Ela chegou a ser levada para uma ambulância do Samu, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

>> Sabrina Morassuti: Sabrina tinha 15 anos e era filha de Camila. Ela conversou com a equipe durante um período, mas depois não fez mais contato com os bombeiros. As equipes conseguiram resgatá-la à noite, mas foi constatado que a adolescente estava sem vida.

O Corpo de Bombeiros não confirmou a presença de uma quinta vítima no prédio. A princípio, testemunhas afirmaram que uma amiga da família também estava na residência, mas a informação não foi confirmada pelas equipes que atuaram no local.

O prédio de três andares desabou no início da manhã de quinta-feira (21). O incidente aconteceu por volta das 7h15.

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A única sobrevivente do desabamento, a doceira Larissa Morassuti, de 37 anos, foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual de Urgência e Emergência de Vitória e não tem previsão de alta. 

Segundo informações apuradas pela equipe de reportagem da TV Vitória/Record TV na manhã desta sexta-feira (21), ela teve alguns ferimentos no joelho e antebraço. Ela chegou ao hospital consciente, se queixando de muita dor, mas nenhuma fratura foi identificada nas avaliações médicas.

Durante a madrugada, no entanto, a mulher precisou ser transferida para a UTI, onde segue em observação. O estado de saúde dela é estável. 

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