Folha Vitória Turismo busca adequação e financiamento para superar crise financeira na pandemia

Turismo busca adequação e financiamento para superar crise financeira na pandemia

Média de ocupação em meios de hospedagem na Grande Vitória é de 20% a 25%, bem abaixo da previsão para o período: 65% a 70%. Já nas regiões Sul, Norte e Serrana média de ocupação está em torno de 7% a 10%

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Foto: Divulgação/Pexels
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A pandemia do novo coronavírus impõe diversas medidas restritivas que geram fortes impactos negativos a muitos setores. Só o turismo capixaba acumulou perdas de 1,39 bilhões até maio de 2020, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Em todo o Brasil, 40,6% das empresas do ramo tiveram de fechar as portas até agora, de acordo com a Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA). O turismo no Espírito Santo era responsável pela geração de aproximadamente 60 mil empregos diretos e indiretos.

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de janeiro a junho foram registradas – 12.399 demissões no setor de serviços, do qual o segmento do turismo faz parte. No estado, dos 6.312 requerimentos de seguro-desemprego feitos na primeira quinzena de julho, 40% vieram de trabalhadores do segmento de serviços, conforme dados do Boletim Covid-19 Seguro-desemprego Espírito Santo (nº 06), do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN)

O presidente do Sindicato de Hotéis e Meios de Hospedagem do Estado do Espírito Santo (Sindhotéis), Attila Miranda Barbosa, afirma que o cenário de ocupações na Grande Vitória ainda é baixo, com uma média de ocupação em meios de hospedagem de 20% a 25%, bem abaixo da previsão para o período: 65% a 70%. Já nas regiões Sul, Norte e Serrana os números são ainda mais baixos e a média de ocupação está em torno de 7% a 10%.

Com uma ocupação tão reduzida, as perdas do setor de meios de hospedagem chegam a 90%, já que além das diárias que diminuíram consideravelmente, eventos também foram cancelados no estado.

Attila ressalta que o turismo de negócios era o “carro chefe” para esse período no Espírito Santo, com picos de turismo de lazer. Acrescenta-se a esse quadro a adoção do sistema de home office, com reuniões virtuais e restrições de voos nacionais e internacionais como potencializadores da crise atual.

Medidas adotadas

Algumas medidas vêm sendo adotadas para amenizar a crise financeira e reanimar o setor no Espírito Santo. De acordo com o Sindhotéis: operação com demanda reduzida de oferta de quartos, aferição de temperatura, desinfecção de ambientes e de bagagem dos hóspedes, coleta segura de resíduos e outras práticas baseadas nas orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), Ministério da Saúde, da Agência Nacional de VIgilância Sanitária (Anvisa) e secretarias de Saúde (do Estado e dos municípios).

Com a adoção dessas práticas, segundo o sindicato, os com higienização tiveram um aumento em torno de 30%. Attila Barbosa diz que o cenário ainda é de incertezas para o segmento no que se refere a normalidade das ocupações, a expectativa é que vai acontecer de forma mais lenta a retomada do turismo e a hospedagem regional pode ser um pouco mais rápida.

O secretário de Estado de Turismo (Setur), Dorval Uliana, afirma que a taxa de ocupação em toda a rede hoteleira do Espírito Santo já esteve em situação mais crítica, operando com 10% de ocupação e agora estaria em torno de 40%, com diversos hotéis fechados por conta de custos.

Dorval aponta o Fundo Geral do Turismo (Fungetur), operado pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), como responsável por socorrer o segmento turístico capixaba.

“Nós (Setur) estamos preparados e disponibilizamos linhas de crédito por meio do Fungetur, e essas linhas têm conseguido permitir que aqueles que a buscaram possam manter a sua estrutura mínima de funcionamento, com custeio de funcionário,as suas despesas obrigatórias. A hotelaria tem resistido e vai sair melhor dessa pandemia”, conclui.

De acordo com a pasta, menos de dois meses após ser anunciado, o Fungetur já possibilitou a contratação de R$ 5,6 milhões em 35 projetos de financiamento aprovados junto ao Bandes.

Pelo Fungetur, os empresários de toda a cadeia produtiva do turismo (hotéis, pousadas, bares, restaurantes, etc.), com cadastro no Ministério do Turismo (Cadastur), podem ter acesso ao crédito com carência e prazo de pagamento de até 60 meses, sem condicionantes específicos, como manter folha de pagamento.

Fungetur

O Fungetur é destinado a microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte. Para ter acesso, o negócio não pode ter receita operacional bruta anual acima do teto definido no Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, que é R$ 4,8 milhões.

Para solicitar financiamento junto ao Bandes por meio do do Fungetur, o empresário pode acessar o a página www.bandes.com.br/emergencial, baixar o roteiro para preenchimento e enviar pelo e-mail: emergencial@bandes.com.br. É preciso ter a documentação solicitada em mãos e enviá-la junto com a proposta (apenas uma por CNPJ) de financiamento.

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