Folha Vitória Um mês após volta das cirurgias eletivas, 1,5 mil procedimentos foram remarcados pelo SUS no ES

Um mês após volta das cirurgias eletivas, 1,5 mil procedimentos foram remarcados pelo SUS no ES

Durante a pandemia, cerca de 4 mil cirurgias deixaram de ser realizadas, por mês, no Espírito Santo. Muitos capixabas ainda aguardam um reagendamento

Folha Vitória
Foto: Direito ao Direito
Folha Vitória

Folha Vitória

Folha Vitória

Um mês após o retorno das cirurgias eletivas no Espírito Santo, muitos capixabas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda aguardam um novo agendamento. Os procedimentos de menor urgência foram retomados em agosto, após ficarem cerca de cinco meses suspensos, em virtude da pandemia do novo coronavírus.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), durante a pandemia, cerca de 4 mil cirurgias deixaram de ser realizadas, por mês, no Espírito Santo. Desde o mês passado, os agendamentos voltaram a ser feitos, mas em um ritmo bem mais lento. Nesse período, apenas 1,5 mil procedimentos foram remarcados no SUS, segundo a própria Sesa.

Quem continua à espera de um novo agendamento é o aposentado Jair José França Moreira. Há um ano, ele precisou abandonar as artes marciais e a corrida de rua, atividades que praticava com frequência. O motivo foram dores fortes nas duas pernas, que impediram o aposentado de continuar praticando qualquer tipo de atividade física. "Eu tenho muitas dores. Eu não consigo correr, eu não consigo, muitas vezes, dormir direito por causa das dores. E muita queimação nas pernas", relata.

Ao procurar um cirurgião vascular, Jair teve a cirurgia de varizes marcada para o dia 20 de março deste ano. No entanto, o procedimento precisou ser suspenso. "Quando eu achei que estava tudo resolvido — estava feliz, alegre —, recebi um telefonema do hospital, cancelando a cirurgia. Isso me entristeceu muito. Eu falava: 'não dá para esperar, porque eu estou sentindo muitas dores'. A palavra deles era: 'infelizmente, o senhor vai ter que aguardar'", contou.

Desde então, nenhuma outra data foi definida para a cirurgia. "Todo dia eu ligo o telefone cedo, esperando que alguém me ligue, dizendo: 'a sua cirurgia vai ser tal dia'. Isso não acontece há mais de seis meses", lamentou.

Rede particular

No setor privado, entretanto, a situação é diferente. A equipe de reportagem da TV Vitória/Record TV visitou um hospital particular de Cariacica, onde os procedimentos não urgentes foram retomados há dois meses. Todo o prédio da unidade foi modificado para receber, com segurança, pacientes que não estavam em tratamento contra o coronavírus. 

O hospital foi dividido em dois: uma parte exclusiva para pessoas com sintomas da covid-19, e a outra para quem não apresenta nenhum sintoma respiratório — o chamado fluxo seguro não covid. Além disso, pacientes e profissionais são testados antes dos procedimentos. Se o resultado for positivo, a cirurgia é cancelada.

"Nós tivemos cirurgia cancelada já. Felizmente conseguimos fazer o diagnóstico precoce. Um paciente que é submetido a uma cirurgia já tem um potencial de gravidade. Se ele tiver uma doença já em atividade, como é o caso do covid, essa situação dele pode piorar", explicou o diretor clínico do hospital, Marcus Leitão.

Apesar de todos os cuidados, o número de cirurgias eletivas na unidade é 30% menor do que no mesmo período do ano passado. No entanto, de acordo com o diretor, a tendência é que a situação, aos poucos, volte ao normal.

"Muitos pacientes, por exemplo, da cirurgia ortopédica ficaram com dor durante muito tempo nesta pandemia e agora estão retornando para as cirurgias ortopédicas, cirurgias urológicas também. Paciente com doenças cardiovasculares voltaram também a fazer os procedimentos, pacientes obesos fazendo as cirurgias bariátricas também e pacientes de cirurgias plásticas, que também estão retornando", pontuou Marcus Leitão.

Com informações da jornalista Andressa Missio, da TV Vitória/Record TV

Últimas