Folha Vitória Um mês após volta das cirurgias eletivas no ES, pacientes ainda têm dificuldades na marcação

Um mês após volta das cirurgias eletivas no ES, pacientes ainda têm dificuldades na marcação

Ao longo da pandemia, o governo do Estado suspendeu os procedimentos duas vezes, para garantir leitos hospitalares suficientes a pacientes com covid-19

Folha Vitória
Foto: Reprodução
Folha Vitória

Folha Vitória

Folha Vitória

As cirurgias eletivas voltaram a ser feitas no Espírito Santo desde o início de maio, após a redução do índice de ocupação dos leitos para tratamento da covid-19. No entanto, um mês depois, alguns pacientes ainda relatam dificuldades para agendar um procedimento — muitas vezes, aguardados durante anos.

É o caso da dona de casa Genilda Vieira dos Santos, que descobriu um problema no útero depois de tratar um câncer de intestino pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os médicos então recomendaram retirá-lo, mas a cirurgia não aconteceu até hoje. 

Os exames pré-operatórios foram pagos do próprio bolso da dona de casa. No entanto, a filha de dona Genilda, Mônica dos Santos, diz que não consegue agendar o retorno ao médico, na Santa Casa de Misericórdia de Vitória.

"A central de marcação disse que não pode marcar, que não tem vaga, que já está cheio. Todo mês é isso. Falam que a agenda do médico vai abrir na terceira semana de cada mês. Eu fico aqui, acordo 5 horas da manhã, espero dar 8 horas, que é o primeiro horário, ligo e quando eles atendem o telefone, já não tem mais vaga", lamenta.

Para ir ao hospital, dona Genilda precisa enfrentar uma escadaria, no bairro onde mora, em Vila Velha. Entre idas e vindas, o tempo passa, as dores pioram e a angústia toma conta da dona de casa.

"Muita dor, como se eu fosse ganhar um filho, dormência com furadas. Eu quero operar, não posso aguentar, senão vou acabar morrendo. Eu tenho histórico de câncer. Eu não sei o que está se passando no meu útero".

O drama para a marcação de uma cirurgia eletiva também é vivido pelo autônomo Antônio Carlos Rodrigues, morador de Vitória. Com 137 quilos, asma e hipertensão, ele está na fila para uma cirurgia bariátrica desde 2017. 

Ele afirma que já era difícil fazer o agendamento antes da pandemia. Com ela, o sonho de operar, para Antônio Carlos, parece ainda mais distante.

"Quando você procura o hospital, ele não te dá retorno nenhum. A única informação que eu tinha é de que eles estavam ligando, que era para aguardar que eles iam ligar, me chamando e chamando as outras pessoas, para poder dar sequência no processo da cirurgia bariátrica. Fora isso, nada", afirmou.

Leia também:

>> Falta de medicamentos pode afetar retomada de cirurgias eletivas no Espírito Santo
>> Cirurgias eletivas: hospitais do ES enfrentam problemas para trabalhar com 100% da capacidade

Ao longo da pandemia, o governo do Estado suspendeu as cirurgias eletivas em duas ocasiões, para garantir leitos hospitalares suficientes aos pacientes em tratamento contra a covid-19. Ao todo, foram oito meses de suspensão, devido à alta taxa de ocupação de leitos exclusivos para a doença. 

Desde o primeiro pico de transmissão do coronavírus no Espírito Santo, a taxa só esteve abaixo dos 70% em 23 de fevereiro e a partir de 5 de junho. Atualmente, está na casa dos 68%.

Rede pública

As cirurgias eletivas da rede pública do Espírito Santo voltaram a ser realizadas na segunda quinzena de maio. Com cerca de três semanas da retomada, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) ainda não divulgou nenhum balanço sobre a quantidade de procedimentos já realizados.

No início de maio, o secretário estadual da Saúde, Nésio Fernandes, disse que havia condições de retomar as cirurgias de forma plena no Espírito Santo.

"Nós já estamos chamando os pacientes para realizarem cirurgias eletivas não essenciais. Lembrando que não foram todas as cirurgias eletivas canceladas. Foram as não essenciais, aquelas que poderiam esperar até 90 dias para a sua realização: serviço de oftalmologia, serviço de cirurgia geral", frisou.

"Já estamos, então, organizando o acesso com os municípios, via regulação do Estado, para que a população seja operada, tanto nos hospitais próprios quanto nos filantrópicos, que participam do Sistema Único de Saúde", completou o secretário.

O que dizem os hospitais

Sobre o caso da dona Genilda, a Santa Casa de Vitória alegou que o volume bastante significativo de demanda aumentou após as duas interrupções provocadas pela pandemia, mas que vai entrar em contato com a paciente para esclarecer dúvidas e prestar todo atendimento necessário.

Já sobre o Antônio Carlos, o Hospital Evangélico de Vila Velha informou que ele não faz parte do registro de pacientes da unidade. A instituição disse ainda que está à disposição para atendê-lo, visando sanar eventuais dúvidas e orientá-lo no processo de agendamento de consultas e cirurgias.

Com informações do repórter Alex Pandini, da TV Vitória/Record TV 

Últimas