Universidade de São Paulo investiga 28 possíveis casos de reinfecção da covid-19

O primeiro caso positivo foi registrado no dia 13 de maio; no Hospital das Clínicas de São Paulo, foram contabilizados 7 casos, hoje este número está em 16

Foto: SESI/Vinicius Magalhaes
Folha Vitória

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O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP está investigando 28 casos suspeitos de  pelo novo coronavírus. Deste total, 16 são investigados em São Paulo e 12 em Ribeirão Preto, no interior paulista.

Um caso já havia sido confirmado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto no início de agosto. A reinfecção foi registrada em uma técnica de enfermagem de 24 anos foi reinfectada em um intervalo de 50 dias. O primeiro diagnóstico positivo ocorreu em 13 de maio e o segundo, em 2 de julho.

"Os sintomas e testes positivos em dois períodos diferentes poderiam ser explicados por outra virose por um vírus diferente, que causaria confusão porque haveria ainda fragmentos inativos do vírus que causa covid-19 [SARS- CoV-2] que permaneceram no corpo do paciente, pela longa permanência do vírus no corpo, com período de inatividade e posterior reativação ou também por uma possível reinfecção", explicou, por meio de nota, o HC de São Paulo.

Há 20 dias, em 26 de agosto, a unidade da capital paulista tinha apenas sete pessoas suspeitas de reinfecção. Em entrevista para a Rádio USP, o coordenador do laboratório de reinfecção do HC na capital, Igor Max Lopes, explicou que a maioria dos casos seriam de profissionais de saúde.

"São pessoas que ficaram doentes duas vezes, com dois testes RT-PCR positivos e um período no meio [entre os dois exames] em que elas ficaram bem", afirmou. O coordenador conta que, o intervalo entre os resultados positivos dos exames é de 2 a 4 meses.

Para que haja a confirmação do caso é necessário sequenciar o material genético viral e verificar se possui diferença entre o que foi encontrado na primeira e na segunda infecção. O desafio é encontrar as amostras que foram coletadas nos dois períodos para fazer a comparação

O primeiro caso de reinfecção registrado no mundo aconteceu em Hong Kong. Nos testes, os cientistas disseram ter encontrado 23 nucleotídeos diferentes, estruturas que compõem o RNA (material genético) do vírus. Casos semelhantes também foram encontrados na Holanda e na Bélgica.

"A dificuldade maior é ter a amostra inicial, porque não obrigatoriamente elas foram guardadas", destaca Lopes. "Mesmo quando o laboratório guardou, pode ser que a quantidade de material biológico do vírus restante é pequena a ponto de não permitir fazer esse sequenciamento", completa.

A lentidão com que o vírus se transforma, também é um desafio encontrado pelos cientistas. Segundo o pesquisador, a média de mutações é de uma ou duas por mês.

A infectologista da Beneficência Portuguesa (BP) de São Paulo Ingrid Cotta, afirma que os estudos da área filogenética, que detalha as relações entre as espécies de vírus e suas mutações, auxilia no diagnóstico da reinfecção. A infectologista conta que o novo coronavírus possui poucas chances de mutação.

"Quanto mais distante da origem [da árvore] maior a chance de ser um vírus de linhagem diferente", disse.

* Com informações do Portal R7