Folha Vitória Variante da covid-19 que circula no Espírito Santo tem alta carga viral e atinge população jovem

Variante da covid-19 que circula no Espírito Santo tem alta carga viral e atinge população jovem

Cerca de 1.345 pessoas do Espírito Santo foram infectadas pela nova variante do coronavírus, associada à cepa do Reino Unido

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Foto: Beto Morais / Reprodução Sebrae
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A variante inglesa do coronavírus, identificada em amostras de pacientes do Espírito Santo, apresenta uma alta carga viral e é capaz de infectar a população mais jovem. Além disso, a chamada P.1.1.7 também é capaz de se dispersar e se disseminar de uma forma muito mais rápida.

A informação consta em um estudo do Laboratório Central do Estado (Lacen/ES), apresentado na segunda-feira (22), pelo secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, e pelo diretor do Lacen/ES, Rodrigo Rodrigues. 

Quase 20 mil amostras foram recolhidas entre 1º de dezembro de 2020 e 18 de março deste ano durante a pesquisa, que mostra ainda que a presença da variante no Estado já é uma realidade, visto que aproximadamente 1.345 pessoas do Espírito Santo foram infectadas pela nova variante, associada à cepa do Reino Unido.

Leia também: Variante inglesa do coronavírus provoca aumento acelerado de novos casos no ES

O diretor do Lacen-ES, Rodrigo Rodrigues, explicou que uma das características dela é rápida disseminação. Para ele, enquanto não se alcança uma ampla parcela da população com as vacinas, as pessoas devem colaborar preventivamente para quebrar o ciclo de transmissão. "Só conseguiremos interromper se, de fato, for respeitado o isolamento social", reforçou. 

O estudo do Laboratório Central informou que sete variantes foram encontradas no Estado: além da inédita variante inglesa (a B.1.1.7), também as brasileiras P.1 (de Manaus) e P.2 (do Rio de Janeiro), B.1.1.33 e B.1.1.28 (consideradas as principais circulantes no Brasil desde fevereiro do ano passado), B11.143 e a B.40 (presente nos primeiros casos da pandemia no Espírito Santo, quando não havia transmissão comunitária). A B.1.1.7 foi o foco da pesquisa pelos indícios da rápida disseminação.

O que chamou a atenção, nesta nova versão do vírus, foi o aumento dos casos positivos a cada mês. Em dezembro, dentro desse conjunto, eram 16 casos. Em janeiro, já havia 48 positivados. Em fevereiro, o número foi para 337 e chegou a 943 até meados de março. Ou seja, o aumento mais que dobrou de um mês a outro, apontando como a variante se propaga de forma rápida.

"De fevereiro para março, nós praticamente dobramos a ocorrência dos casos de fevereiro em apenas 15 dias. Isso demonstra que essa variante tem a capacidade de expandir de uma forma extremamente violenta dentro do nosso Estado", alertou o diretor do Lacen-ES, Rodrigo Rodrigues.

"O perfil que a pandemia vinha apresentando, de dezembro a março, indicava que alguma coisa estava acontecendo de diferente em relação aos outros meses que antecederam a pandemia. Existia alguma coisa que estava promovendo um crescimento mais acelerado", indicou o diretor.

Segundo ele, já não era possível estabelecer ligação entre esse crescimento simplesmente ao descuido das pessoas em não praticar isolamento social e também não usar máscaras. "Uma possibilidade grande que a gente acreditava estar existindo também era que, associado a esse comportamento disfuncional, era a introdução de novas variantes", explica Rodrigues, indicando a investigação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que identificou a presença da variante inglesa em Barra de São Francisco e que acendeu o sinal de alerta no Lacen.

Recomendação de especialistas

Com a presença da variante inglesa no Espírito Santo especialistas recomendam que o momento continua exigindo ainda mais adesão ao isolamento e distanciamento social, além da necessidade de apressar a disponibilidade e o alcance das vacinas contra a covid-19.

"Essa presença das variantes entre nós é uma junção de uma negligência de parte da população, que não deu o devido valor às regras de isolamento para barrar a transmissão do vírus, bem como a falta de zelo do governo Federal, que, até agora, não encara com seriedade a situação da pandemia no país e não se mobiliza", sintetiza a microbiologista, virologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Liliana Cruz Spano.

Ela acredita que as cepas do coronavírus, muito mais transmissíveis e com alto poder infectante, podem estar por trás do crescente número de casos, resultando em mais pacientes em situação crítica e um aumento na ocupação de leitos.

"Estamos vivendo hoje o reflexo do que foi feito 14 dias atrás. Junte ao tanto de aglomerações que foram feitas e mais essas mutações agindo, com alta carga viral, você tem, infelizmente, uma situação perfeita para um agravamento maior", lamenta. 

Para a epidemiologista e professora da Ufes, Ethel Maciel, o Espírito Santo vive um dos piores momentos desde o início da pandemia. "Temos a variante do Reino Unido, a chamada B117 e a P1 de Manaus. A do Reino Unido é mais transmissível, causa mais doenças e isso justificaria esse colapso e esse aumento que estamos vendo na procura por serviços de saúde. Já a variante de Manaus, além de transmissível, tem a grande capacidade de escapar ao sistema imunológico. Isso pode resultar numa eficácia menor nas vacinas disponíveis", compara. 

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