Folha Vitória Violência contra a mulher: casos explodem no fim do ano, mas registros nem sempre chegam às autoridades

Violência contra a mulher: casos explodem no fim do ano, mas registros nem sempre chegam às autoridades

Mesmo convivendo com o agressor dia após dia, muitas vítimas não conseguem denunciar a situação de risco devido a uma série de fatores como, dependência financeira e emocional

Folha Vitória
Foto: Reprodução
Folha Vitória

Folha Vitória

Folha Vitória

Mesmo que a casa própria ou uma simples moradia seja o sonho de muita gente, para algumas mulheres esse ambiente deixou de ser um espaço acolhedor e se tornou um lugar de medo e insegurança. As duas últimas semanas foram marcadas por uma série de casos de violência contra mulheres, casos esses que mostram parte de uma realidade cruel sentida na pele por essas vítimas.

Apenas na semana do Natal, a equipe de jornalismo da TV Vitória/Record TV registrou cerca de seis casos de mulheres que foram agredidas dentro de casa. A advogada criminalista Layla Freitas aponta três fatores que contribuem para que as estatísticas continuem a aumentar principalmente neste período do ano.

"Primeiro que existe uma maior proximidade com drogas e bebidas alcoólicas, o que ocasiona eventualmente uma agressão ou uma discussão que tem como resultado a violência física e a morte. O segundo motivo seria que, nesta época do ano, a sociedade se coloca em momento de pensar e repensar algumas decisões, momento em que, muita das vezes, a vítima se posiciona de maneira mais firme e informa ao agressor, por exemplo, que está saindo de casa, o que pode ocasionar uma nova violência. E terceiro, a presença de menores envolvidos ou partilha de bens, quando existe a discussão de guarda e visitação. Eventualmente existe a situação em que o genitor não aceita a forma prevista e acaba chegando ao resultado morte", explicou.

Brutalidade constante

Algo que chama a atenção nesses casos é a brutalidade por parte dos agressores. Em dois desses registros, as vítimas foram arrastadas pelos cabelos e, em outro, ainda mais chocante, a mulher teve um dos braços decepados pelo marido durante uma discussão.

Na última segunda-feira (28), um idoso de 98 anos e a esposa de 49 foram levados para o hospital após o marido decepar o braço da companheira com golpes de foice. O crime aconteceu em uma zona rural de Serra Sede, e o filho do casal, para defender a mãe, golpeou o pai com a mesma ferramenta e fugiu do local. Após o ocorrido, ambos continuam internados no Hospital Estadual de Urgência e Emergência de Vitória.

Um outro caso grave foi registrado no bairro Campinho da Serra. Após ser agredida pelo marido, na véspera de Natal, uma mulher foi arrastada pelos cabelos. A vítima, de 37 anos, contou à polícia que as agressões por parte do companheiro eram constantes, mas, por medo, não denunciava o agressor.

Dependência financeira

Para boa parte da mulheres, a dependência financeira é um forte obstáculo que as impedem de denunciar o companheiro agressor. De acordo como um levantamento feito pela Defensoria Pública do Estado, 16,5% das mulheres que procuram ajuda da Defensoria não fazem a denúncia devido a questões financeiras.

A defensora pública Maria Gabriela Agapito aponta outro empecilho que dificulta a denúncia por parte das vítimas. "A gente tem essa questão da dependência patrimonial. Mas o mais importante que a gente percebe não é a questão só da dependência financeira que prende a mulher nessa situação de risco. É principalmente a dependência emocional. A violência doméstica pode acontecer em qualquer classe social, em qualquer raça, mas a gente tem marcadores da diferença muito claros de mulheres que sofrem mais com a violência doméstica, que são as mulheres negras e as mulheres que vivem em um contexto de baixa renda", afirmou.

Denuncie!

Mulheres que sofrem violência doméstica podem buscar ajuda ligando para o Ciodes, por meio dos número 190 (canal para denúncia de iminência ou após uma agressão) ou nos números 181 e 180. As denúncias são anônimas. 

A Defensoria Pública também disponibiliza um canal de atendimento pelo Whatsapp, no número (27) 99837 4549 ou no site. Também é possível realizar um boletim online por meio do site da Polícia Civil.

A Delegacia de Plantão da Mulher atende 24 horas por dia, no telefone 3323-4045.

Serra - Secretaria das Mulheres: 27 99836 2909
Vila Velha: Cramvive: 27 99873 6346
Vitória: Cramsv: 27 99520 1927 (atendimento de segunda à sexta-feira das 12h às 19h)

* Com informações do jornalismo da TV Vitória.

Últimas