Folha Vitória Vítimas da covid-19, casal de idosos morre com dois dias de diferença

Vítimas da covid-19, casal de idosos morre com dois dias de diferença

Após mais de 50 anos de casamento, o casal que teve 11 filhos morreu com dois dias de diferença

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Foto: Reprodução
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A pandemia do novo coronavírus tem feito cada vez mais vítimas em todo o mundo. Só no Espírito Santo, o vírus tirou a vida de 95 pessoas nas últimas 24 horas, elevando o número de óbitos para 8.507 capixabas. 

Muito além de números, esses dados são histórias de pessoas queridas, como o caso da Celina e do João, que eram casados há mais de 50 anos mas morreram vítimas da covid-19 em um intervalo de dois dias entre cada um.

Uma dupla que além de cuidar, era referência para os filhos. Esta é a definição para a relação de Celina, de 77 anos, e João, 71, quando os filhos lembram dos pais que faleceram vítimas da covid-19.

"Tudo o que eu faço na minha vida hoje eu lembro dos meus pais. Não tem como te falar algo que eu não lembre deles, porque não tem", disse a filha Paula Jane da Silva.

Quando vieram de Minas Gerais para o Espírito Santo, o casal decidiu morar em Pedro Canário, região norte do estado. Anos se passaram e os dois foram parar no município da Serra, onde tiveram cinco filhos, em Minas Gerais já tinham seis e totalizaram 11, mas um acabou morrendo.

Assim que souberam dos problemas de saúde dos pais, os filhos foram direto para Minas Gerais, mas em nenhum momento desconfiaram que poderia ser  covid-19.

"Meu pai foi picado por um escorpião na região onde eles moravam, que é interior, e ele foi para o hospital, chegando lá ele recebeu o antídoto do escorpião, teve alta, foi para casa e depois que chegou em casa a dor persistiu. O braço começou a ficar dormente e depois ele precisou voltar ao hospital. Quando passou uma semana ele começou com uma tosse seca. Não apresentava outro sintoma, só a tosse", contou Jane.

Enquanto João sofria com a tosse, a esposa dele estava tranquila e não apresentava nenhum sintoma da doença. Como o casal morava em outro estado, o contato com os filhos era feito apenas por telefone e aplicativos de mensagens. 

Porém, tudo mudou quando os filhos receberam a ligação de uma tia pedindo para que fossem até Minas Gerais buscar o pai, pois ele não estava bem.

Chegando em Minas Gerais, a situação de João e Celina se agravou e eles foram em busca de ajuda médica. Ao se depararem com a situação e descobrirem que os pais precisariam ficar no hospital, os filhos entraram em desespero.

"A médica chegou para mim e falou que meu pai estava gravíssimo e com quase 100% dos dois lados do pulmão comprometido", lembrou a filha do casal.

Com o passar dos dias, as notícias sobre o estado de saúde do casal não eram animadoras. Mas a situação ficou ainda pior quando a família recebeu a pior notícia. A mulher que era sinônimo de força e exemplo para os filhos não suportou a luta contra o vírus.

"O hospital entrou em contato com o meu irmão dizendo que infelizmente minha mãe tinha partido minutos depois de terminar uma sessão de hemodiálise", contou.

Dois dias após o sepultamento de Celina, outra triste notícia: a morte do pai, João. Jane lembra que foi a primeira a saber.

"Nós enterramos minha mãe em uma quarta, passou a quinta-feira meu pai começou a apresentar febre. Eu fui ao Jayme ver o boletim do meu pai e quando cheguei lá infelizmente fui eu que recebi a notícia que ele tinha acabado de falecer".

Uma das filhas do casal, Aparecida Ferreira, ressalta a importância que os pais tiveram para que ela fosse a pessoa que é hoje. "Nossos pais foram referência para nós. Hoje tudo o que nós somos nós devemos a eles", disse emocionada.

* Com informações do repórter Douglas Camargo, da TV Vitória/RecordTV

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