Folha Vitória Vizinho que não teve participação em morte de criança em Cariacica comenta injustiça

Vizinho que não teve participação em morte de criança em Cariacica comenta injustiça

Segundo a polícia, durante as investigações, foi constatado que o marceneiro, de 26 anos, não teve nenhuma participação no crime

Foto: Fábio Gabriel | TV Vitória
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Com a conclusão das investigações da morte do menino de 7 anos, que morreu no dia 14 de abril deste ano, no bairro Nova Esperança, em Cariacica, o vizinho e marceneiro Hélio Felipe dos Anjos Santos, apontado pelo pai da criança como autor do crime, comentou o caso com exclusividade à reportagem da TV Vitória/Record TV.

Segundo a polícia, durante as investigações, foi constatado que o marceneiro, de 26 anos, não teve nenhuma participação no crime. Os policiais chegaram à conclusão de que "o pai da criança, com o propósito de se eximir da responsabilidade criminal, apontou Helio como autor".

À TV, Hélio disse que se sentiu à mercê do julgamento da sociedade. “Naquele momento, o que eles decidissem fazer, eles fariam. Eu estava sem proteção nenhuma. Estava tentando manter o controle, até porque tenho uma pessoa comigo, em uma situação delicada. Para ser sincero, eu não sei ainda por onde começar”, desabafou.

Ele ainda comentou que sentiu que não poderia contar com outras pessoas da vizinhança.

“Quando você está no meio de pessoas que não pode contar nem para te proteger, dizendo talvez aos policiais que me conheciam desde criança e que eu não faria uma coisa dessas; ou que pudesse ligar para a polícia e avisar que estavam planejando fazer coisas contra minha casa, então eu não tenho como me sentir seguro”, acrescentou. À época do crime, Hélio estava até com a esposa grávida e sempre disse que era inocente.

Marceneiro teve casa invadida, saqueada e incendiada

No dia do ocorrido, as informações iniciais eram de que o menino estaria na varanda de casa, quando dois suspeitos chegaram em uma moto, um deles entrou e atirou diretamente contra a criança, que foi atingida na cabeça.

Depois, a história mudou. Ainda sem saber quem havia matado o menino, boatos começaram a se espalhar na comunidade, apontando o marceneiro como o autor do crime. Ele teve a casa saqueada e incendiada após mais de dez suspeitos invadirem o local.

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Na época, vizinhos disseram que o homem chegou a ter desavenças com o pai do menino, por causa de uma vidraça. A Polícia Militar, no entanto, desde o ocorrido, já tinha afirmado que o homem não possuía qualquer relação com a morte da criança.

À reportagem da TV Vitória/Record TV, na época, Helio confirmou que discutiu com o pai da criança um mês antes do ocorrido, depois que teve a vidraça da casa quebrada por algumas crianças. Ele chegou a registrar um boletim contra o homem após ser agredido.

"Tudo começou com uma brincadeira de criança, normal. Aconteceu um incidente e eu procurei os pais e achei que iria ser só aquilo ali. Mas o rapaz que fez a acusação alongou as coisas e disse que não tinha nada a ver com aquilo e que não iria pagar. Nós moramos no mesmo bairro e sempre passávamos por lá (próximo à casa) e toda vez a gente se sentia pressionado. Um certo dia, eu parei na rua e ele começou a discutir. Eu parei minha moto, ele me agrediu e correu pra dentro de casa. Eu fiz um boletim e a gente acabou saindo do bairro", relatou.

Um dia após a morte do menino, a polícia revelou a principal linha investigativa: a de que o tiro foi acidental e disparado de dentro de casa, o que já inocentava Hélio.

Na data da morte da criança, o marceneiro estava trabalhando na localidade de Alto Castelinho, em Vargem Alta, a mais de 110 quilômetros de casa. No dia, ele bateu o ponto na empresa onde trabalha às 19h37, mais de duas horas após o crime. Ainda sim, ele alega que algumas pessoas chegaram a inventar que o viram na cena do crime.

"Chegaram a falar que me viram no bairro, subindo as escadas da minha casa, como se eu tivesse voltando de algum lugar. Disseram que viram eu descendo da moto e fazendo isso com a criança. Entendo, entre aspas, que os justiceiros de bairro estão ali tomando conta, mas o pior é o que induz alguma coisa. Infelizmente pessoas que me viram crescer compraram essa ideia", lamenta.

Na data da morte ele chegou a ser contactado pela Polícia Civil. "Eles me ligaram pedindo para eu comparecer à delegacia para esclarecer, mas eu disse que estava longe, a trabalho", contou.

Depois que perceberam a inocência de Helio, alguns vizinhos que participaram da ação começaram a devolver algumas coisas. "Vários amigos meus estão colaborando e fazendo de tudo para me ajudar. Meu pais e uns amigos estiveram na minha casa para tirar o que ficou. Enquanto eles estavam lá, aconteceu que alguém, em um terreno do lado deixou um dos eletrodomésticos lá e saiu. Vizinhos passam e olham, pensando que estão arrependidos", contou.

O corpo da criança foi sepultado no município de Afonso Cláudio, na Região Serrana do Espírito Santo.

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