Cidades Jogadores relatam sofrimentos enfrentados por causa do racismo

Jogadores relatam sofrimentos enfrentados por causa do racismo

Os goleiros do Treze, Andreym e do Campinense, Waldson, e o volante

Portal Correio

Os goleiros do Treze, Andreym e do Campinense, Waldson, e o volante do Botafogo da Paraíba, Everton, se uniram na luta contra o racismo, uma infeliz prática que tem acontecido em todos os segmentos sociais e que atinge o esporte, em especial, o futebol. Nesta sexta-feira (20), dia em que se comemora a consciência negra, eles falam dos traumas sofridos dentro da profissão e como cidadãos.

“O nosso mundo precisa mudar. As pessoas precisam respeitar mais as outras. Brancos, índios, negros, somos todos iguais. Vamos para o mesmo lugar, o sangue é o mesmo”, disse o volante Everton Heleno, do Botafogo.

O jogador conta que já foi acusado de um crime que não cometeu apenas por ser negro. “Há alguns meses, fui para a cadeia. Por ser preto e morar na favela, a delegada não quis ouvir as vítimas, nem ver as provas, mesmo eu tendo todas elas em mãos. Hoje fui inocentando, mas paguei um alto preço por isso”.

Outro recorte de racismo foi enfrentado pelo goleiro Waldson, do Campinense. Segundo ele, quando jogava no futebol Europa. “Não foi aqui no Brasil, mas quando eu jogava no Leixões, em Portugal. Os torcedores do adversário passaram a praticar racismo, jogando bananas, me chamando de macaco, citando minha cor”.

Para o goleiro do Treze, Andrey, estes casos de racismo são lamentáveis e ele garante que vai continuar lutando não só para defender a cor da pele, mas principalmente pela raça humana. “Os jovens que sonham em ser jogadores corram pelos seus objetivos. Já pensei muito neste assunto. Quando o assunto é racismo, entra em um ouvido e sai no outro, pois não alimento este tipo de coisa”.

No Brasil, os primeiros clubes a abrirem espaço para jogadores negros foram Sport-RS, Ponte Preta-SP, Bangu-RJ e Vasco da Gama-RJ, no início do século passado. Quem conta é o historiador e pesquisador, Júlio César Gomes. “O racismo no futebol Brasileiro era muito forte, principalmente nos estados do Sudeste e Sul. Mesmo o futebol baiano, havia um certo preconceito com a participação de negros nas equipes”.

Segundo Júlio Cesar Gomes, Campina Grande, assim como João Pessoa sempre contou com a participação de jogadores negros nas equipes, mesmo isso sendo pouco aceito. Na Paraíba, porém, por falta de jogadores, às vezes as equipes colocavam pretos para jogar em algumas ocasiões. Mas, em João Pessoa, o time de negros era o Pytaguares, formado por negros, pardos e indígenas. Foi uma equipe bastante perseguida dentro da liga. Em Campina Grande, o clube dos negros era o Ypiranga. Era um time que incomodava muito”.

Por: Franco Ferreira

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