Boate Kiss

Cidades Kiss: engenheiro diz que ‘só um leigo ou ignorante’ usaria espuma

Kiss: engenheiro diz que ‘só um leigo ou ignorante’ usaria espuma

Testemunha Miguel Ângelo Pedroso disse nesta quinta-feira (2) ter desaconselhado uso do material em boate antes de reforma

  • Cidades | Fabíola Perez, do R7, em Porto Alegre (RS)

O engenheiro Miguel Ângelo em depoimento no julgamento do caso da boate Kiss

O engenheiro Miguel Ângelo em depoimento no julgamento do caso da boate Kiss

Reprodução/YouTube TJRS - 02.12.2021

Em depoimento nesta quinta-feira (2), no segundo dia do julgamento dos quatro réus acusados de serem os responsáveis pela morte de 242 pessoas no incêndio na boate Kiss, o engenheiro civil Miguel Ângelo Teixeira Pedroso, de 72 anos, afirmou ter desaconselhado o proprietário Elissandro Spohr a fazer a reforma do estabelecimento com espuma para o isolamento acústico.

“Só um leigo ou ignorante na área poderia achar que espuma seria conveniente dentro de uma boate”, disse ele ao juiz Orlando Faccini Neto.

O material era usado na boate e pegou fogo na noite da tragédia, em janeiro de 2013, dando início a um grande incêndio no interior do estabelecimento, em Santa Maria (RS). Além das pessoas que morreram, houve 636 que ficaram feridas.


Pedroso fez um projeto de isolamento acústico para o estabelecimento, mas acabou não executando a obra.

O engenheiro criticou a adoção de espuma. “Existe um material acústico que se utiliza para tratamento acústico, um tipo de elastômetro, que é a espuma que não é inflamável. Existe uma marca que a gente usa que tem essa característica, que não é inflamável, que é segura. Outros tipos de espuma podem ser mais inflamáveis”, disse. “Eu soube que tinha espuma no local [boate] quando eu estava no Recife." Durante o depoimento, Pedroso afirmou também que isopor não é adequado para isolamento acústico. “Esse material é absolutamente ineficiente."

Pedroso disse que foi contatado por uma pessoa conhecida como engenheiro Samir, de Santa Maria, para fazer o isolamento na boate. Ele afirmou que, ao ser recebido por Elissandro Spohr, observou o que tinha de ser feito no espaço. “Fiquei sabendo que era um termo de ajustamento de conduta. Elissandro me disse quais eram os problemas”, contou Pedroso. “Quando entrei no lado esquerdo, lado leste da cidade, a parede estava forrada de uma espuma cinza de borracha. Disse ao Elissandro que espuma não tem eficácia em isolamento acústico.”

Pedroso afirmou ter sugerido, então, uma parede na frente, na entrada da boate, e revestimento com outra camada de alvenaria. ”Entre as duas alvenarias, vamos colocar uma camada de fibra de vidro. O Elissandro me disse que não.”

Segundo o engenheiro, após algumas sugestões, o projeto foi entregue à execução, e ele não foi contratado para o serviço.

Para o advogado da AVTSM (Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria), Pedro Barcelos Júnior, o depoimento do engenheiro Pedroso foi esclarecedor. “Ele deixou claro que conversou com o Mauro e ele virou as costas para ele. Agora vamos aguardar o fim”, disse durante um intervalo. “Perguntei sobre a autocombustão para deixar claro a ação humana. Existe um autor, que permitiu colocar fogo na boate. Esperamos a condenação no fim do processo”, disse.

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