Quadrilha é presa em BH por fraude em vestibular de medicina e no Enem

Grupo cobrava entre R$ 70 mil e R$ 200 mil por candidato

O vestibular da Faculdade de Ciências Médicas foi mantido
O vestibular da Faculdade de Ciências Médicas foi mantido Reprodução/Google Street View

A Polícia Civil desarticulou uma quadrilha que tentava fraudar o vestibular de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais realizado neste final de semana em Belo Horizonte. Ao todo, 33 pessoas foram detidas.

Segundo as investigações, o grupo fazia parte das provas rapidamente, saia com os resultados das questões e repassava para outros candidatos por meio de transmissão eletrônica. A quadrilha cobrava entre R$ 70 mil e R$ 200 mil por vaga e também é investigada por fraude no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Jeferson Botelho, o moderno sistema de transmissão de dados teria sido adquirido na China por 200 mil dólares, cerca de R$500 mil.

Já o vice-diretor da instituição, Marcelo Miranda, relatou que a faculdade estava ciente da fraude e, por isso, acionou a polícia para desvendar o esquema.

— A faculdade já tem mecanismo de segurança de ação preventiva quanto à possibilidade de fraude. A Polícia Civil já tinha em curso uma investigação sobre esses fraudadores e, quando suspeitamos da ilegalidade, procuramos a polícia.

Ainda segundo Miranda, a prova do vestibular foi mantida e a segurança do exame está garantida.

Entre as pessoas presas em Belo Horizonte neste domingo (23), estão os dois suspeitos de liderar a quadrilha. Áureo Moura Ferreira, que mora em Teófilo Otoni, e Carlos Roberto Leite Lobo, empresário que reside em Guarujá, foram detidos quando monitoravam os trabalhos na capital. Um policial civil de Minas Gerais, lotado em Governador Valadares, que estava em um dos carros dos criminosos, também é suspeito de integrar o grupo.

Ao todo, 22 candidatos e 11 integrantes da quadrilha foram detidos. Todos os envolvidos foram levados para a sede do Ministério Público.

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Operação Hemostase II

A Operação Hemostoase II, realizada pela Polícia Civil em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais já dura sete meses e investiga a participação dos criminosos em fraudes também na prova do Enem em cinco Estados e em outros vestibulares de medicina pelo País.

Além das prisões neste domingo, a operação já tinha apreendido carros de luxo, dinheiro e documentos que comprovavam a irregularidade, como gabaritos de provas, em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, e em Guarujá, no Estado de São Paulo.

Na Operação Hemostase I, os policiais já haviam desarticulado uma quadrilha que também fraudava vestibulares de medicina. Como na época foram levantados indícios de fraude no Enem, o caso foi repassado para a Polícia Federal.