Cidades Pesquisadores da PB criam espuma dental antimicrobiana, cicatrizante e analgésica

Pesquisadores da PB criam espuma dental antimicrobiana, cicatrizante e analgésica

A doutoranda Alessandra Estevam, do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento e Inovação Tecnológica em Medicamentos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), desenvolveu patente de espuma dental que possui atividades antimicrobiana, cicatrizante e analgésica. Segundo o orientador da pesquisa, Fábio Sampaio, que também coordena o Laboratório de Biologia Bucal (Labial) da UFPB, o estudo surgiu do […]

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Análise da atividade antimicrobiana foi feita pelo método de difusão do óleo essencial (Foto: Divulgação/Fábio Sampaio)

A doutoranda Alessandra Estevam, do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento e Inovação Tecnológica em Medicamentos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), desenvolveu patente de espuma dental que possui atividades antimicrobiana, cicatrizante e analgésica.

Segundo o orientador da pesquisa, Fábio Sampaio, que também coordena o Laboratório de Biologia Bucal (Labial) da UFPB, o estudo surgiu do interesse em utilizar produtos naturais para o desenvolvimento de uma forma farmacêutica com finalidade profilática e terapêutica para lesões da cavidade bucal.

Para a pesquisa, foram utilizados óleos essenciais com atividade antimicrobiana e antifúngica, com o intuito de criar um produto para prevenção e tratamento. De acordo  com o docente da UFPB, a cavidade bucal apresenta diversas espécies microbianas, sendo favorável para colonização em superfícies dentárias, língua e mucosa oral.

“No entanto, a microbiota natural é necessária para o desenvolvimento fisiológico da cavidade bucal, sendo assim, novos produtos antimicrobianos contendo produtos naturais, como óleos essenciais, devem restaurar o equilíbrio da microbiota bucal e não eliminá-la por completo da boca, sendo capaz de manter os níveis das bactérias cariogênicas ideais à saúde”, explica Alessandra Estevam.

O óleo essencial de Lippia sidoides Cham, conhecido popularmente como alecrim pimenta, foi utilizado para o desenvolvimento da inovação. A espécie está incluída na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse do SUS (RENISUS), constituída de espécies vegetais com potencial de avançar nas etapas da cadeia produtiva e de gerar produtos de interesse do Ministério da Saúde do Brasil.

“A espuma dental desenvolvida pode ter um impacto importante para pacientes que não conseguem se alimentar ou realizar adequadamente a higiene bucal devido a lesões bucais. Trata-se de um medicamento com potencial de mercado, pois não temos protocolo específico para pacientes com estomatites e outros processos inflamatórios na cavidade bucal”, conta Alessandra.

A espuma apresentou atividade antimicrobiana contra todos os microrganismos testados no estudo, em todas as concentrações e associações experimentadas. “Estes resultados de atividade antimicrobiana, quando avaliados juntamente com os testes de citotoxicidade realizados com os óleos essenciais isoladamente, nos direcionam para uma formulação eficaz e segura, apresentando-se como alternativa promissora para o manejo terapêutico das lesões ulcerativas da mucosa bucal”.

O professor Fábio Sampaio relata que existem diversas condições patológicas que podem se apresentar na cavidade bucal, interferindo no bem-estar do paciente e em sua qualidade de vida. “As lesões ulcerativas presentes comumente na cavidade oral podem gerar alterações na estrutura anatômica ou função fisiológica dos tecidos afetados, ocasionando, na maioria das vezes, sintomatologia dolorosa”.

Dentre as lesões ulcerativas da cavidade oral, destacam-se a estomatite aftosa recorrente e a mucosite oral. A estomatite aftosa recorrente é a lesão mais comum da mucosa oral na população geral. É uma doença multifatorial que afeta de 15 a 25% da população mundial. Já a mucosite oral consiste em uma inflamação da superfície da mucosa que surge como a complicação mais significativa em pacientes com câncer.

De acordo com a pesquisadora Alessandra Estevam, as formas farmacêuticas mais utilizadas para preparação de produtos odontológicos são: líquidos (enxaguatórios, xaropes e suspensões), semissólidos (géis, espuma ou mousse, pastas) e sólidos, devendo a forma farmacêutica favorecer a administração do medicamento, a fim de permitir seu melhor aproveitamento e aceitação. A espuma dental criada possui uma textura aerada e a leveza da formulação favorece à aplicação na cavidade oral sobre as lesões.

“A utilização de plantas medicinais pode representar uma alternativa de substituição aos antissépticos e desinfetantes sintéticos convencionais, visando evitar o desenvolvimento de resistência bacteriana a esses compostos, além de apresentarem uma menor incidência de efeitos colaterais, toxicidade relativa diminuída e baixo custo”, firma a pesquisadora.

Considerando a prevalência de lesões ulcerativas na cavidade oral e do desconforto que provocam aos pacientes, prejudicando a mastigação, deglutição e a fonação, o desenvolvimento de uma espuma dental contendo óleos essenciais se apresenta como uma alternativa em vista da necessidade de novas formulações e de opções naturais para o tratamento de lesões ulceradas em cavidade bucal.

Experimentos

Inicialmente, na elaboração do trabalho científico, foi realizado um estudo de sazonalidade, para verificação do melhor período para coleta e extração do óleo essencial de Lippia sidoides Cham. A planta foi cultivada no Horto de Plantas Medicinais da UFPB, no Instituto de Pesquisa em Fármacos e Medicamentos (IPeFarM), no campus I, em João Pessoa. O óleo essencial da planta foi extraído mensalmente, durante o ano de 2016.

“A partir dos estudos de sazonalidade, foi verificado que a análise da composição química do óleo essencial, realizada mensalmente durante o período de um ano, possibilitou a identificação de seus componentes e as variações qualitativas e quantitativas na composição ocorridas em cada mês do estudo”, explica Fábio Sampaio.

Além disso, as variáveis climáticas, temperatura máxima, temperatura mínima, umidade relativa do ar e insolação foram avaliadas em relação ao teor de timol (substância orgânica), que é o componente majoritário do óleo essencial, o marcador da planta.

Na pesquisa, também foram analisados o óleo essencial de Cymbopogon citratus (capim-limão) e o óleo essencial de Citrus limon (limão siciliano) em associação e de forma isolada ao óleo essencial de Lippia sidoides Cham.

“Os resultados obtidos com os óleos essenciais demonstraram a atividade antimicrobiana dos três óleos frente a todos os microrganismos testados (Pseudomonas aeruginosa, Streptococcus mutans, Staphylococcus aureus e Candida albicans).

Quando avaliada a atividade antimicrobiana com os óleos em associação, não foi evidenciado sinergismo entre eles, no entanto, na espuma dental podemos observar que a atividade antimicrobiana pode ser influenciada por essa combinação. Por esse motivo, os resultados devem ser interpretados com cautela”.

Após a avaliação da atividade antimicrobiana, antifúngica e de citotoxicidade, foi desenvolvida a espuma dental com a incorporação dos óleos essenciais. Trata-se de uma preparação líquida que, quando disponibilizada através de uma bomba espumadora, permite a liberação da espuma. Os óleos essenciais foram adicionados à espuma dental associados entre eles e em diferentes concentrações.

“A espuma dental desenvolvida a partir dos óleos essenciais de L. sidoides Cham., C. citratus e C. limon apresentou atividade antimicrobiana contra todos os microrganismos do estudo, em todas as concentrações e associações testadas. Estes resultados de atividade antimicrobiana, quando avaliados juntamente com os testes de citotoxicidade realizados com os óleos essenciais isoladamente, nos direcionam para uma formulação eficaz e segura, apresentando-se como alternativa promissora para o manejo terapêutico das lesões ulcerativas da mucosa bucal”.

A pesquisa foi iniciada no segundo semestre de 2014 e concluída no ano passado. O estudo desenvolvido teve colaboração das empresa Oralls® e CLI Indústria de Cosméticos Ltda, que forneceram a espuma base para incorporação dos óleos essenciais.

Também colaborou para a pesquisa o professor e coorientador Fábio Souza, do Laboratório Unificado de Desenvolvimento e Ensaios de Medicamentos (Ludem). Interessados no estudo devem entrar em contato pelo e-mail fcsampa@gmail.com.

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