Cidades Polícia indicia 16 pessoas em inquérito sobre incêndio na boate Kiss

Polícia indicia 16 pessoas em inquérito sobre incêndio na boate Kiss

Documento com cerca de 13 mil páginas foi entregue à Justiça nesta sexta-feira (22)

  • Cidades | Do R7

Delegado Marcelo Arigony detalhou a investigação durante entrevista coletiva na tarde desta sexta

Delegado Marcelo Arigony detalhou a investigação durante entrevista coletiva na tarde desta sexta

Rafael Happke /Futura Press/Estadão Conteúdo

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou 16 pessoas pelo incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), no dia 27 de janeiro. O inquérito, composto por 13 mil páginas divididas em 52 volumes, foi entregue na 1ª Vara Criminal pelos delegados Marcelo Arigony e Sandro Meinerz nesta sexta-feira (22).

Ao todo, 810 pessoas foram ouvidas pela polícia nos últimos 54 dias, entre investigados, testemunhas e parentes de vítimas.

Segundo Arigony, 35 pessoas foram apontadas na investigação com indicativos de responsabilizações. Desse total, houve 16 indiciamentos criminais, dez indícios de crime, nove casos irão para a Justiça Militar e um irá para o Tribunal de Justiça. Nove pessoas foram apontadas por crimes de improbidade administrativa e devem ser investigadas pela Justiça. Entre elas, o prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, e o comandante regional do Corpo de Bombeiros da cidade, o coronel Moisés Fuchs.

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Os delegados que atuaram na investigação participaram de uma entrevista coletiva que começou por volta das 14h30 desta sexta-feira, no campus da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), para anunciar as informações contidas no inquérito.

Indiciados

Foram indiciados criminalmente por homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de matar — o cantor e produtor da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão; os dois sócios da boate Kiss, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann; o gerente do estabelecimento, Ricardo de Castro; a mãe e a irmã de Spohr, Marlene Teresinha Calegaro e Ângela Calegaro e dois bombeiros que realizaram vistoria no local antes do incêndio: Gilso Martins Dias e Vagner Guimarães Coelho.

O atual secretário municipal de Mobilidade Urbana, Miguel Caetano Passini, o secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Alberto Carvalho Junior, o chefe da fiscalização da Secretaria de Mobilidade Urbana, Beloyannes Orengo de Pietro Júnior, e o funcionário da secretaria de Finanças que emitiu o alvará de localização da boate, Marcus Vinicius Bittencourt Biermann, responderão por homicídio culposo - quando não há intenção de matar.

Já o major Gerson da Rosa Pereira e o sargento Renan Severo Berleze, do Corpo de Bombeiros, que incluíram documentos na pasta referente ao alvará da boate, foram indiciados por fraude processual.

O ex-sócio da boate, Elton Cristiano Uroda, vai responder por falso testemunho.

Principais conclusões

A investigação da polícia apontou que o incêndio na boate Kiss começou por volta das 3h da madrugada do dia 27 de janeiro. Segundo o delegado Arigony, o estabelecimento não tinha condições de funcionar.

Além do uso indevido de fogos de artifícios, a casa de show possuía barras de ferro de contenção que impediram a saída das pessoas do local, que não tinha apenas uma porta de entrada e saída. Segundo a polícia, o extintor de incêndio localizado ao lado do palco não funcionou quando o fogo começou.

Mais de 119 pessoas disseram em depoimento que o local estava superlotado. De acordo com o polícia, havia 864 pessoas no interior da boate no momento do incêndio.

A espuma usada para isolamento acústico, afirma a polícia, era "inadequada e irregular", feita de poliuterano. As janelas da boate estavam obstruídas, e não havia exaustão de ar adequada. Segundo Arigony, 100% das mortes foram provocadas por asfixia causada por monóxido de carbono e cianeto.

Presos

Desde o dia 28 de janeiro, dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira — o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor musical Augusto Bonilha Leão — estão presos. O grupo, que se apresentava na casa noturna no momento da tragédia, teria usado um sinalizador — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que, ao ser lançado, atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se alastraram em poucos minutos. Dois sócios da Kiss, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, também estão presos.

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