Portal Correio Alfabetização e pandemia: pedagoga reflete sobre o cenário das escolas no processo de escolarização

Alfabetização e pandemia: pedagoga reflete sobre o cenário das escolas no processo de escolarização

A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) coloca que a alfabetização é primordial para as pessoas. E como esse processo implica nas mudanças não somente individuais, mas sociais, ele interfere diretamente nas populações de uma sociedade. Sendo assim, a Unesco descreve alfabetização como, por exemplo, o conhecimento básico […]

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A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) coloca que a alfabetização é primordial para as pessoas. E como esse processo implica nas mudanças não somente individuais, mas sociais, ele interfere diretamente nas populações de uma sociedade.

Sendo assim, a Unesco descreve alfabetização como, por exemplo, o conhecimento básico e necessário a todas as pessoas um mundo em constante mudança. Em uma Conferência Internacional sobre a Educação de Adultos realizada em 1999 em Hamburgo, Alemanha, a Organização declara ser a alfabetização um direito humano fundamental em sentido macro.

O documento explica que, em qualquer sociedade, “a alfabetização é uma habilidade primordial em si mesma e um dos pilares para o desenvolvimento de outras habilidades”. E para entender a sua importância, a declaração ainda atesta existir milhões de pessoas, sendo a maioria composta por mulheres, que não têm a oportunidade de aprender, então esse processo “tem também o papel de promover a participação em atividades sociais, econômicas, políticas e culturais, além de ser requisito básico para a educação continuada durante a vida.”

Atualmente em nosso cenário, temos evidências de obliteração da educação enquanto unidades integradas do saber. O ensino vem se fragmentando e, com isso, não vislumbramos avanços significativos na nossa história da educação.

Em um país extremante desigual e capitalista, muito cedo crianças e/ou adolescentes vindas de família de baixa renda são obrigadas a trabalhar e abrem mão ao direito à infância e juventude em situações subumanas, com a intenção e obrigação de auxiliar a renda domiciliar. Seus direitos, violados conforme o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), prejudicando a educação, o lazer e a cultura, e perdendo assim a dignidade.

Nesse viés, após um ano de restrições causadas pela pandemia, o cenário é ainda mais desolador. Segundo dados da Unicef (Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância), 3,8% dos estudantes com idade entre 6 e 17 anos abandonaram as escolas em 2020, aproximadamente 1,38 milhões de pessoas.

Os dados são maiores do que a média da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do ano anterior, que registrou um percentual de 2% dos estudantes.

A pandemia de Covid-19 amplificou muitos dos problemas sociais enfrentados no Brasil, e um dos sintomas que atingiram em cheio a educação no país foi o aumento da evasão escolar. Outro ponto que percebemos por fazer parte da Educação são as pontes criadas como retrocesso da educação que inviabilizaram o dia a dia das crianças e adolescentes em situação de fragilidade social, portanto, um caos na sociedade civil. 

Dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,7 milhões de pessoas foram obrigadas ao afastamento do trabalho devido ao distanciamento social. Sobre o trabalho remoto, 7,9 milhões de pessoas passaram e ainda passam por essa adaptação que levou o ensino a buscar superar, e não estagnar, diante das céleres mudanças sofridas no “novo normal”.

Chamamos de evasão escolar quando o estudante, por algum motivo, deixa de ir às aulas, abandonando a escola durante o ano letivo e não retornando para se matricular no ano seguinte. E como a evasão escolar já era um problema nas escolas brasileiras, ela se tornou ainda mais alarmante com o aumento nos índices de desigualdade, desemprego e violência doméstica no período da pandemia.

O cenário encontrado durante a pandemia, porém, trouxe outro agravante que aumentou a evasão nas escolas: o acesso à internet e a inclusão digital.

Pequenas cidades não tinham muito acesso aos serviços de empresas privadas de telecomunicação antes da pandemia, especialmente em territórios pequenos, pouco lucrativos, de mínima visibilidade e alto custo para se chegar em territórios de difícil acesso. Um exemplo disso, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) liberou o relatório de acompanhamento do serviço de banda larga fixa, e dados de 2019 mostram que as operadoras regionais atingem 65,8% dos acessos em municípios com menos de 20 mil habitantes. Essas empresas conseguiram conquistar uma demanda reprimida, já que o investimento de rede em cidades menores pode não ser atrativo para as grandes prestadoras. Sendo assim, percebemos que haveria muito a fazer para se chegar nas casas das famílias e, portanto, ser acessível aos estudantes.

Para sanar de forma emergencial essa situação, possibilidades que já adianto repletas de retrocessos, como o ensino a rádio; tele-ensino e ensino por correspondência. Todas sem sucesso. Até que custou ao professor a tarefa de levar na casa de muitos alunos as atividades, cabendo a família o ensinar – e como não registrar a analfabetismo tardio desses adultos – e tornando os alunos reféns de uma autoeducação. Sendo assim, negligenciados a própria sorte.

Sim, queridos leitores, cabe aqui buscarmos apresentar algumas alternativas para minimizar esses efeitos:

– Aumentar o engajamento nas aulas;

– Reforço escolar;

– Conhecer a realidade dos alunos;

– Promover o protagonismo;

– Capacitação aos docentes;

– Aproximar a comunidade escolar;

– Melhorar o desempenho do estudante;

– Reduzir desníveis de aprendizagem.

Por fim, para melhorar os processos de alfabetização no contexto em que nossas crianças estão vivendo, precisamos buscar minimizar os prejuízos que a pandemia trouxe para a educação brasileira. E esses efeitos estarão presentes por muitos anos. Embora tenhamos o engajamento de todos na busca por reduzir o déficit educacional, os fatores sociais, econômicos e políticos contribuem para um constante desequilíbrio nos índices da educação.

Sendo assim, precisamos investir em alternativas para promover uma educação mais justa e igualitária é um dever emergencial, por acreditarmos em uma educação libertária e transformadora.

*Pedagoga, Érika Aranha é pós-graduada em Supervisão e Orientação na Educação e especialista em psicopedagogia, sendo ainda assistente social. Coordena o curso de Serviço Social do Unipê, lecionando nesta graduação e em Medicina. Coordena ainda o Núcleo de Acessibilidade Institucional (NAI) do Unipê.

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