Portal Correio Cigarro eletrônico é tão prejudicial à saúde quanto o convencional, alerta pneumologista

Cigarro eletrônico é tão prejudicial à saúde quanto o convencional, alerta pneumologista

A quantidade de tabagistas no Brasil vem caindo, mas a situação ainda preocupa. Não apenas devido ao índice nacional de 9,8% de fumantes com 18 anos ou mais, mas também ao uso de cigarros eletrônicos no país, especialmente entre adolescentes e jovens, ainda que a comercialização desse dispositivo seja proibida. Em 1989, cerca de um […]

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Cigarros eletrônicos liberam substâncias tóxicas (Foto: Lindsay Fox/Pixabay)

A quantidade de tabagistas no Brasil vem caindo, mas a situação ainda preocupa. Não apenas devido ao índice nacional de 9,8% de fumantes com 18 anos ou mais, mas também ao uso de cigarros eletrônicos no país, especialmente entre adolescentes e jovens, ainda que a comercialização desse dispositivo seja proibida.

Em 1989, cerca de um terço da população brasileira fumava (34,8%), mas com as campanhas educativas e as estratégias desenvolvidas por diferentes instituições, o quantitativo sofreu redução.

“As campanhas mostrando que o cigarro é deletério e mata, que o cigarro amputa braços, dá infarto, dá derrame dá cânceres de pulmão, de próstata e de rim, aliadas a outras iniciativas, fizeram os índices de consumo de tabaco no Brasil arrefecer”, afirma Alexandre Araruna, médico pneumologista e preceptor do HULW. “Tem muito o que ser feito ainda, mas, proporcionalmente, há uma vitória a se cantar”.

Além do cigarro clássico, outras formas de consumo do tabaco devem ser combatidas, como charuto, fumo de rolo e cigarros eletrônicos. Estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca), publicado este ano, mostra que o uso de cigarro eletrônico aumenta em mais de três vezes o risco de experimentação do cigarro convencional e mais de quatro vezes o risco de uso do cigarro. Em 2019, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, 0,6% da população já utilizava dispositivos eletrônicos para fumar no País.

Neste domingo (29), é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo. O pneumologista Alexandre Araruna explica que independentemente da apresentação feita para atrair consumidores, todas as substâncias presentes no cigarro são extremamente agressivas e deletérias.

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Foto: USP Imagens

“O dia 29 de agosto é mais um dia que nós elegemos para combater o grande mal que é o tabaco, melhor representado pelo cigarro clássico, mas também pelas outras formas, como os dispositivos eletrônicos. É uma data extremamente importante. Não dá para abrirmos mão dela, pois a divulgação dos males do tabaco precisa ser feita por todos os meios possíveis. Ainda há muitas pessoas que precisam receber essa informação”.

A comercialização, a importação e a propaganda de cigarros eletrônicos são proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009 no Brasil, mas a ilegalidade reina. Quem consome alega que esse tipo de dispositivo não é tão prejudicial quando o cigarro clássico. Sobre isso, o especialista Alexandre Araruna é enfático: “Não existe meio mal. Todo meio mal é completamente mal”.

De acordo com o Inca, os cigarros eletrônicos expõem o organismo a uma variedade de elementos químicos gerados de formas diferentes: uma pelo próprio dispositivo (nanopartículas de metal); outra pela relação direta com o processo de aquecimento ou vaporização, visto que alguns produtos contidos no vapor de cigarros eletrônicos incluem carcinógenos conhecidos e substâncias citotóxicas, potencialmente causadoras de doenças pulmonares e cardiovasculares.

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Foto: Lindsay Fox/Pixabay

“Com a inocência de um cheiro diferente, mentolado ou tutti-frutti, às vezes representado pelo cigarro eletrônico, a indústria do tabaco chega a grupos de jovens, que são os inocentes da história”, afirma Alexandre Araruna. “Ainda que o usuário não tenha pulado para o tabaco, ele já começa a pagar o preço do dano da inalação de produtos químicos”. O pulmão jovem, lembra Araruna, não tem muita proteção “e já existem casos de mortes bem documentados, não só nos Estados Unidos, mas em países da Europa, no Brasil e na Paraíba, inclusive”.

Fumante tem 50% de chance de morrer por razões ligadas ao tabaco

O pneumologista Alexandre Araruna afirma ainda que a pessoa fumante vai ter a chance de morrer em pelo menos 50% das vezes por razões ligadas ao tabaco. “São números muito importantes que resultam em perda de idade e de qualidade de vida, queda na produção de uma cidade, de um Estado de um país. Além disso, naturalmente, amputa as relações humanas por doenças que são extremamente evitáveis, bastando para isso a cessação do hábito de fumar”.

Por vezes, o fumante imagina que só faz mal a si próprio, mas isso não é verdade. “O fumante passivo paga um preço quase semelhante ao do fumante ativo. É um familiar que está na casa, um funcionário, um amigo, um colega que está ali por perto e, inocentemente, vai inalando ali aquela fumaça. Daí o fumante passivo pode vir a desenvolver doenças semelhantes às do tabagista ativo”.

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Foto: USP Imagens

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