Portal Correio Dia do Médico: oncopediatra conta histórias e inspirações para seguir a profissão

Dia do Médico: oncopediatra conta histórias e inspirações para seguir a profissão

Enxergar além da doença, ser empático e buscar soluções para as situações mais delicadas, vibrar com a conquista da recuperação. Essas são algumas das características que todo bom médico deveria ter. “ Trabalhar com medicina é incrível! Olhe no olho, toque na mão, porque nós, médicos, temos a humanidade dentro da gente”, reflete a oncopediatra […]

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Andrea Gadelha (Foto: Divulgação)

Enxergar além da doença, ser empático e buscar soluções para as situações mais delicadas, vibrar com a conquista da recuperação. Essas são algumas das características que todo bom médico deveria ter. “ Trabalhar com medicina é incrível! Olhe no olho, toque na mão, porque nós, médicos, temos a humanidade dentro da gente”, reflete a oncopediatra e coordenadora da Unidade de Oncologia da Unimed João Pessoa, Andrea Gadelha, nesta segunda, 18 de outubro, Dia do Médico.

A inspiração para ingressar na Medicina veio na infância de Andréa, a partir do exemplo do pai. “Na fazenda, ele sentava no terraço com um saco de amostras grátis, que era muito comum à época, e as pessoas da comunidade faziam fila para serem atendidas por ele, gratuitamente. Eu era pequena e tenho vívida essa memória de ajudá-lo com os medicamentos. No dia de folga, o que ele fazia era atender às pessoas, de maneira voluntária”, conta ela, lembrando que já se vão 24 anos de dedicação dela ao seu ofício.

Hoje mestre em Pediatria, professora universitária, pós graduada em Medicina Paliativa, a escolha na carreira foi tratar de crianças com câncer – a oncopediatria – e, para ela, o envolvimento com as pessoas faz com que seja necessária uma relação humanizada entre médico e os pacientes.

“Minha relação é sempre muito próxima, é meu jeito e, para mim, dá certo. Primeiro que isso permite a adesão ao tratamento por parte do paciente e também possibilita ao profissional de saúde estar atento aos sintomas, não ignorar a linguagem não verbal. Precisa ter o olho no olho e entender o que o paciente está dizendo, mas também o que ele deixa de dizer. Muitas vezes, ele fala com o olhar, ou gestos e percebemos na consulta”, explica.

Em tantos anos de experiência, Andrea comenta sobre a importância da tecnologia, que avançou também na relação entre médico e paciente – até mesmo por meio da teleconsulta. “A tecnologia nos ajuda bastante, mas é preciso colocar limites de bom senso. Muitas pessoas chegam com informações da internet, mas quando se tem confiança no médico e na consulta, o resultado é muito melhor”, disse a médica.

Relação próxima — As relações medico-pacientes, em sua experiência, são sempre muito próximas. Andrea coleciona casos emocionantes durante todos esses anos de profissão. Certa vez, no dia de seu aniversário, enquanto estava com uma idosa que tinha sido sua babá na infância, recebeu a notícia que uma paciente estava em estado grave no hospital e precisaria ser encaminhada para a UTI.

“Eu estava tão atordoada porque a criança tinha chance de cura se ela saísse daquele quadro e estava grave devido à uma intercorrência do tratamento”, lembra. “Isso afeta muito a gente. Dei meia volta. Estava com uma pessoa idosa e querida do meu lado e tinha que levá-la ao médico e depois deixar em casa, mas também tinha minha paciente que estava em estado grave. Fui atender a criança. Hoje a menina está curada e fora de tratamento há mais de cinco anos”, recorda.

Outro caso marcante para ela foi o de um adolescente diagnosticado com meduloblastoma (um tumor no cérebro), aos 17 anos. Todo o tratamento foi acompanhado pela médica e aos 23 anos, curado, ele retornou para apresentar sua filha, uma bebê de sete meses para uma visita àquela que o ajudou a se recuperar.

Mensagem — Nesta data especial, Andrea Gadelha incentiva os médicos a continuarem com o bom trabalho. “Nós nos formamos para isso, para cuidar de outras vidas. Então vivam cada dia, participem da vida dos seus pacientes, voltem para casa e se envolvam nas próprias vidas, casas e famílias. No outro dia, voltem ao trabalho e para a vida de outros pacientes. É um ciclo e temos que viver da melhor forma possível”, complementa.

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