Portal Correio Estudo da UFPB expõe efeitos positivos e negativos do jejum intermitente

Estudo da UFPB expõe efeitos positivos e negativos do jejum intermitente

Estudo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), inédito no Brasil e no mundo, expõe os efeitos positivos e negativos do jejum intermitente. A prática, que intercala períodos de jejum com de alimentação, reduz ansiedade e tem efeito antidepressivo, mas danifica células intestinais e cerebrais. Os experimentos ocorreram no Laboratório de Nutrição Experimental (Lanex) da UFPB, […]

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(Foto: Imagem ilustrativa/Pixabay)

Estudo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), inédito no Brasil e no mundo, expõe os efeitos positivos e negativos do jejum intermitente. A prática, que intercala períodos de jejum com de alimentação, reduz ansiedade e tem efeito antidepressivo, mas danifica células intestinais e cerebrais.

Os experimentos ocorreram no Laboratório de Nutrição Experimental (Lanex) da UFPB, no campus I, em João Pessoa. O espaço é vinculado à graduação e ao Programa de Pós-graduação em Nutrição do Centro de Ciências da Saúde da federal paraibana.

“Nos experimentos, o jejum intermitente, associado com o exercício aeróbico, causou uma diminuição no comportamento de ansiedade. Independentemente de ser associado ou não ao exercício aeróbico, teve efeito antidepressivo”, reforça Jailane Aquino, professora do Departamento de Nutrição da UFPB, que integra a equipe de pesquisadores responsável pelo estudo.

Segundo a docente da UFPB, esses resultados positivos tiveram uma estreita relação com mudanças causadas nas bactérias que colonizam o intestino, o que levou ao aumento de ácidos orgânicos, que são moléculas que, entre outras funções, podem influenciar o comportamento humano de forma positiva, por terem ação sistêmica.

“O jejum associado ao exercício aeróbico também causou aumento de células inflamatórias e atrofia das células caliciformes no intestino, [especializadas na produção de muco no revestimento do lúmen (espaço interno)], bem como danos e morte neuronal no cérebro. Os mecanismos envolvidos continuam em elucidação”, afirma Jailane Aquino.

Os testes vêm sendo realizados desde o ano passado, com 40 ratos Wistar (albinos) saudáveis, um dos animais mais utilizados em pesquisas científicas no planeta.

A pesquisadora da UFPB destaca que o estudo é importante porque o jejum intermitente ganhou muita popularidade nos últimos anos, particularmente entre profissionais da área de saúde e praticantes de exercícios físicos. Com isso, cada vez mais pessoas são adeptas dessa prática, no entanto, do ponto de vista científico, ainda existem muitas controvérsias quanto à sua eficácia e segurança como protocolo de intervenção nutricional.

“O estudo em animais é um passo inicial para poder avaliar essa segurança, já que ele permite averiguar alguns aspectos que seriam muito invasivos e/ou onerosos para realizar em humanos, a exemplo das análises histológicas em órgãos como cérebro e intestino”, pondera a pesquisadora.

No fim das contas, Jailane Aquino salienta que a ideia da investigação científica é demonstrar os prós e os contras da intervenção com o jejum intermitente, associado ou não ao exercício aeróbico, e seus efeitos sobre parâmetros do eixo intestino-cérebro e os relacionados à performance no exercício, ao desgaste muscular, hormônios e estresse oxidativo, com foco em análises hepáticas e musculares.

“Queremos chamar atenção da população quanto às vantagens e desvantagens desta intervenção, tendo em vista que muitas pessoas acreditam que a prática de jejum é totalmente segura e benéfica. Adicionalmente, esperamos que esses estudos possam ser translacionados [capazes de gerar produtos como vacinas e fármacos, serviços e políticas em benefício da população], com a finalidade de aumentar os níveis de evidência científica quanto a esta intervenção tão controversa e polêmica na área de Nutrição e Saúde”, ressalta a professora da UFPB.

Além de Jailane Aquino, participam da pesquisa os professores da UFPB Mirian Salvadori, Marciane Magnani, Alexandre Sérgio Silva e Adriano Francisco Alves. Integram a equipe também as doutorandas Naís Soares e Kamila Batista e os mestrandos Victor Dorand e Daniele Souza. O docente Marcos dos Santos Lima, do Instituto Federal do Sertão Pernambucano – Campus Petrolina também contribui, ao executar as análises de ácidos orgânicos em materiais biológicos.

Próxima etapa

O projeto de pesquisa consiste em duas etapas que estão vinculadas a duas dissertações, cada uma com um artigo derivado. Esta primeira etapa que trata dos aspectos relacionados aos efeitos do jejum sobre o eixo intestino-cérebro já foi finalizada e seus resultados divulgados por meio de artigo na revista internacional Journal of Affective Disorders, periódico médico revisado por pares e publicado pela Elsevier, especializada em conteúdo científico, técnico e médico. A doutoranda Naís Soares é a principal autora.

A próxima e última etapa do estudo está em andamento, nos Laboratórios de Estudos do Treinamento Físico Aplicado ao Desempenho e à Saúde e de Patologia, ambos também no Centro de Ciências da Saúde da UFPB. Essa fase da pesquisa abordará os efeitos do jejum intermitente associado ao exercício aeróbico sobre o desempenho físico (performance) e parâmetros metabólicos e oxidativos de ratos Wistar.

O projeto foi financiado até o momento pelos pesquisadores e pelo Programa de Apoio à Pós-graduação (Proap), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação vinculada ao Ministério da Educação do Brasil. A previsão é a de que o projeto seja concluído até março de 2023, com publicação de mais um artigo.

A pesquisadora da UFPB acredita que os resultados deste estudo podem subsidiar pesquisas clínicas com pessoas saudáveis, adeptas do jejum intermitente, o que traria um diferencial em relação a investigações anteriores, com foco no jejum intermitente como intervenção em doenças como a obesidade.

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