Cidades Redução de medidas restritivas não é suficiente para retomada do faturamento dos pequenos negócios, diz pesquisa

Redução de medidas restritivas não é suficiente para retomada do faturamento dos pequenos negócios, diz pesquisa

Apesar do novo movimento de reabertura da economia e da diminuição das restrições promovidas pelos governos estaduais e municipais, em função da crise causada pela Covid-19, o percentual de pequenos negócios que continua registrando perdas no faturamento no país é de 79%, resultado igual ao verificado em fevereiro deste ano. Na Paraíba, o índice chegou […]

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Foto: USP Imagens

Apesar do novo movimento de reabertura da economia e da diminuição das restrições promovidas pelos governos estaduais e municipais, em função da crise causada pela Covid-19, o percentual de pequenos negócios que continua registrando perdas no faturamento no país é de 79%, resultado igual ao verificado em fevereiro deste ano. Na Paraíba, o índice chegou a 74%. Os dados integram a 11ª edição da pesquisa “O Impacto da pandemia do coronavírus nos Pequenos Negócios”, realizada pelo Sebrae em parceria com a FGV.  

O levantamento também revelou que, na Paraíba, enquanto 65% dos donos de pequenos negócios relataram mudanças para poder funcionar, 15% disseram que seguem funcionando da mesma forma de antes da crise. Além disso, embora a maior parte das empresas paraibanas que participaram da pesquisa tenha dito que usam as redes sociais para vender seus produtos e serviços (81%), apenas 30% disseram que essas vendas correspondem a um faturamento acima de 51% do total da empresa, enquanto 49% disseram que o faturamento proveniente com as vendas pela internet representa menos de 25% do total de faturamento da empresa. 

Para a gerente da Unidade de Gestão Estratégica e Monitoramento do Sebrae Paraíba, Ivani Costa, mesmo com grande parte das empresas registrando perdas em seu faturamento, a economia demonstra sinais de confiança de uma retomada logo que os números da imunização passem a ficar mais expressivos. Ela frisou que a velocidade da retomada é que precisa ser observada com mais cautela.  

“Com relação ao uso das redes sociais para venda de produtos e serviços, isso reflete o fato de que a empresa não pode depender unicamente de estratégias centradas em divulgação. Vê-se um consumidor que se entedia facilmente e o empresário precisa ficar atento a isso e buscar novas formas de atrair um consumidor mais exigente”, explicou. 

Inadimplência

O número de pequenos negócios com inadimplência, ou seja, que possui dívidas ou empréstimos em aberto e está em atraso, atingiu o patamar de 35% na Paraíba. No país, o índice chegou a 36%. Além disso, 82% dos empresários paraibanos disseram que a principal renda da família é proveniente do negócio, sendo que, destes, 58% não conseguiram cobrir os gastos familiares do dia a dia com o rendimento do negócio. 

“Em relação à gestão financeira, esse é ainda um grande gargalo nos pequenos negócios e que há a necessidade de uma mudança de cultura entre os empresários. É uma realidade que já existia mesmo antes da pandemia”, frisou Ivani Costa. Desde o começo da crise, 53% dos entrevistados disseram terem buscado empréstimo bancário para a empresa. Ainda, os empresários paraibanos acham que a situação econômica voltará ao normal em 15,8 meses e 57% disseram que “ainda têm muitas dificuldades para manter o negócio”. 

Brasil

De acordo com o estudo, o número de empresas que atuam em locais com restrição caiu de 54%, em fevereiro (2020), para 32%, em maio e a quantidade de pequenos negócios operando (com ou sem mudança) se manteve estável em 80%, nesse mesmo período. A queda no movimento de recuperação também tem deixado os donos de pequenos negócios cada vez mais aflitos e apreensivos. Eles acreditam que o retorno à normalidade ocorrerá apenas em outubro de 2022, ou seja, daqui a 18 meses. Esse índice tem crescido desde novembro do ano passado, quando o tempo de retorno estimado estava em 14 meses. 

As regiões Sul e Nordeste são aquelas onde se veri­fica o maior patamar de restrição de circulação, 42% e 47%, respectivamente. Além disso, em todo o país, as academias voltaram ao grupo dos negócios mais afetados pela pandemia e se juntaram ao Turismo, Economia Criativa, Salões de Beleza e Logística e Transporte, todas com perda de faturamento acima dos 50%. 

As atividades menos afetadas são o Agronegócio, Energia, Indústria de Base Tecnológica, Petshops e Serviços Empresariais. A pesquisa quantitativa entrevistou 7.820 microempreendedores individuais (MEI) e donos de pequenos negócios entre os dias 25 de maio e 1º de junho, em todos os estados e no Distrito Federal, por meio de formulário online. 

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