Boate Kiss

Cidades 'Sou inocente, estava trabalhando', diz produtor que é réu no caso Kiss

'Sou inocente, estava trabalhando', diz produtor que é réu no caso Kiss

Luciano Bonilha atuava com banda na noite do incêndio e diz que pedirá sua condenação se parentes acharem que isso aliviará dor

  • Cidades | Fabiola Perez, do R7, em Porto Alegre (RS)

O produtor musical Luciano Bonilha, de 44 anos, réu no julgamento do caso da boate Kiss que é realizado em Porto Alegre (RS), afirmou nesta sexta-feira (3) que é inocente e que estava trabalhando no evento em que ocorreu o incêndio e 242 pessoas morreram em Santa Maria, em 2013.

"Seu eu pudesse, mesmo sabendo que eu sou inocente, já falei para o Jean [advogado] e vou falar para os jurados, se me condenar tira a dor deles, me condenem. Tenho certeza de que sou inocente e que estava lá trabalhando", diz.

Luciano Bonilha, réu no caso Kiss

Luciano Bonilha, réu no caso Kiss

Fabíola Perez/R7 03.12.2021

Bonilha afirma que respeita os familiares e que eles precisam buscar Justiça pelo ocorrido. "Ninguém pode colocar o filho dentro de uma boate e receber os filhos como receberam", diz.

Ele afirma ainda se cobrar por não ter conseguido ajudar a resgatar os jovens que perderam a vida naquela noite. "A única coisa que eu me cobro é porque Deus não me deu mais força para tirar esses jovens de lá", afirma.

Discussão

O produtor musical e sua defesa foram protagonistas no terceiro dia de julgamento, nesta sexta. O advogado Jean Severo, que representa o réu, e a testemunha de acusação do Ministério Público, o administrador Daniel Rodrigues da Silva, de 40 anos, tiveram um bate-boca na sessão.  Questionado pela bancada de defesa se a loja de artefatos pirotécnicos foi fechada pela polícia, o proprietário negou. A defesa do réu insistiu, e ele disse que não iria responder. Na sequência, Severo se levantou e gritou: “Vai ter que responder, você colocou esse inocente aqui”, apontando para Bonilha.

Segundo Daniel, o estabelecimento é regulamentado pela polícia e não foi fechado em nenhum momento. O proprietário diz que o produto Sputnik, artefato que teria sido comprado por Luciano Bonilha, é recomendado para ambientes externos. O artefato teria sido utilizado pelo vocalista da banda Gurizada Fandangueira. Exaltado, Severo se levantou e bateu boca com o juiz Orlando Faccini Neto. Irritado, o magistrado pediu um intervalo para acalmar os ânimos.

Na entrevista aos jornalistas, Bonilha criticou Daniel. "Ele falou aqui que não me conhecia. Ele diz que tinha instruído o funcionário para não dar entrevista. Ele disse que eu tinha conhecimento técnico, que tinha me avisado que tinha um produto mais barato e mais caro. Eu só cheguei lá e comprei e fui lá tocar minha vida", afirmou.

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