TCE apura fraudes e desvio de R$ 5,3 milhões em Alhandra

O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) deflagrou, nesta sexta-feira

O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) deflagrou, nesta sexta-feira (10), a Operação Estirpe, que apura irregularidades em licitações e dispensas realizadas pela Prefeitura de Alhandra, na Região Metropolitana de João Pessoa. Vinte e um mandados de busca e apreensão nas cidades paraibanas de Alhandra, João Pessoa, Cabedelo e Guarabira, bem em Igarassu, Pernambuco.

De acordo com relatórios do grupo de inteligência do TCE-PB, Alhandra contratou empresas cujos proprietários possuem relação de parentesco ou amizade com os gestores municipais. Os pagamentos realizados pela Prefeitura de Alhandra em favor das empresas investigadas totalizam o montante de R$ 5.387.178,47.

A investigação começou a partir da realização de um Pregão Presencial para a aquisição de plantas ornamentais, em plena situação de emergência e de restrição financeira causada pela pandemia de Covid-19. O caso ocorreu em abril e foi noticiado pelo Portal Correio. Na época, o Ministério Público de Contas (MPC) entrou com um pedido de medida cautelar para determinar que a Prefeitura de Alhandra suspendesse qualquer ato administrativo relativo ao pregão. A administração municipal alegava que havia realizado apenas um “registro de preços”, mas o pregão acabou suspenso pela Justiça ainda em abril.

De acordo com o TCE-PB, o aprofundamento das investigações possibilitou a constatação de indícios de irregularidades em outras licitações e dispensas vencidas por empresas ligadas a familiares e amigos dos gestores do Município, a exemplo do direcionamento da contratação para determinadas empresas, favorecimento a licitantes e contratação de empresas com estruturas incompatíveis com o volume de produtos e serviços a serem fornecidos ao município.

“O direcionamento das contratações, em favor de determinadas empresas ligadas direta ou indiretamente ao gestor público, possibilita a ocorrência de desvio de recursos públicos que poderiam ser utilizados tanto no combate à pandemia do coronavírus quanto em outras ações e serviços públicos voltados à melhoria da qualidade de vida da população do Município de Alhandra”, destaca o TCE-PB.

A Operação Estirpe conta com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado do Ministério Público da Paraíba (Gaeco/MPPB), da Secretaria de Estado da Fazenda da Paraíba (Sefaz) e das polícias Civil e Militar.

O Portal Correio tentou contato com a Prefeitura de Alhandra para falar sobre a operação, mas não obteve resposta até o momento desta publicação. A redação está aberta à divulgação do posicionamento do Município e demais investigados (redacao@portalcorreio.com.br).