Cidades Veja os lotes das vacinas aplicadas fora da validade em 1.532 cidades

Veja os lotes das vacinas aplicadas fora da validade em 1.532 cidades

Casos de vacinação fora do prazo são investigados, mas prefeituras dizem que erro aconteceu apenas nas informações dos dados

  • Cidades | Do R7

Marcos de Paula/Prefeitura do Rio

Cerca 26 mil doses de vacinas contra covid-19 da AstraZeneca podem ter sido aplicadas em diversas cidades do país após o vencimento do prazo de validade, conforme apontou reportagem do site Folha de S.Paulo, publicada na última sexta-feira (3), com base em um cruzamento de dados disponibilizados em duas bases de informações diferentes do Ministério da Saúde.

Os lotes que teriam passado do prazo são os seguintes:

4120Z001 - vencimento 29 de março de 2021
4120Z004 - vencimento 13 de abril de 2021
4120Z005 - vencimento 14 de abril de 2021
CTMAV501 - vencimento 30 de abril de 2021
CTMAV505 - vencimento 31 de maio de 2021
CTMAV506 - vencimento 31 de maio de 2021
CTMAV520 - vencimento 31 de maio de 2021
4120Z025 - vencimento 4 de junho de 2021

Todas pessoas vacinadas podem conferir o lote na carterinha de vacinação entregue como comprovante no dia da imunização. Se alguém foi vacinado com dose fora do prazo, precisa receber novamente a vacina, pois a aplicada irregularmente não tem efeitos para imunização.

De acordo com a reportagem, 1.532 municípios brasileiros teriam aplicado doses do imunizante com prazo expirado. No entanto, prefeituras procuradas para se manifestar negaram a aplicação de vacinas vencidas, e justificaram dizendo que houve um erro na disponibilização dos dados no sistema do SUS (Sistema Único de Saúde), que teria informado que os lotes foram usados em uma data posterior a que de fato haviam sido utilizados.

A prefeitura do município paranaense de Maringá, por exemplo, enviou ao R7 a seguinte explicação: “O lançamento no Sistema Conect SUS está diferente do dia da aplicação da dose. Isso porque, no começo da vacinação, a transferência de dados demorava a chegar no Ministério da Saúde, levando até dois meses. Portanto, os lotes elencados são do início da vacinação e foram aplicados antes da data do vencimento. Concluindo, não houve vacinação de doses vencidas em Maringá e sim erro no sistema do SUS.”

Maringá, segundo os dados da reportagem, seria o município que mais aplicou doses vencidas no país, com 3.536 pessoas sendo supostamente imunizadas irregularmente. A cidade de São Paulo, com 996 doses aplicadas possivelmente fora do prazo, é a terceira mais recorrente, ainda de acordo com o levantamento. A prefeitura paulistana, no entanto, também diz que "não houve a aplicação de doses vencidas de vacina antiCovid-19".

Em nota enviada ao R7, a Prefeitura de São Paulo diz que "conta com um sistema robusto para todo o manejo de seus imunobiológicos, e dentro desse protocolo, a data de validade de todos os imunizantes passa por uma tripla checagem: no recebimento, na distribuição e na aplicação da vacina, inclusive, com a apresentação do frasco ao munícipe".

Resposta no mesmo sentido foi dada pela Prefeitura de Belém, que teria aplicado 2.673 doses fora do prazo de validade, conforme a reportagem. "Não procedem e são equivocadas, portanto, as informações da reportagem veiculada no jornal Folha de São Paulo", diz nota enviada ao R7. A gestão municipal disse ainda que "o Ministério da Saúde reconhece que erros nos sistemas de registro podem ocorrer e, por conta disso, abriu o sistema para correções".

Os casos ainda são investigados. A SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) afirmou que as secretarias de saúde e o PNI (Programa Nacional de Imunizações) devem apurar o ocorrido e verificar se as doses de fato foram aplicadas após o vencimento ou se houve inconsistência de informação.

Caso a falha na aplicação das vacinas seja confirmada, todos os que receberam as doses devem ser chamados para reaplicação, observando os 28 dias de intervalo mínimo previsto no PNO (Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19).

A entidade aponta que a administração de dose vencida não implica risco à saúde. No entanto, como não há certeza se pode haver prejuízo a eficácia, recomenda-se repetir a dose. Ainda não é possível afirmar se a dose adicional aumenta o risco de eventos adversos.

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