Vítimas de abuso sexual na infância contam ao R7 suas histórias e como superaram o trauma

Em 2014, Governo Federal recebeu cerca de 70 denúncias de abuso contra crianças por dia 

Vítimas de abuso sexual na infância contam ao R7 suas histórias e como superaram o trauma

Nesta segunda-feira (18), data em que o Brasil comemora Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o R7 apresenta histórias de pessoas que passaram por isso. Confira a seguir quatro relatos e veja como cada um conseguiu superar a violência sofrida na infância.   

Personalidade
D., homem, 30 anos, abusado entre seis e sete anos de idade

Eu devia ter uns seis ou sete anos. Quem praticava esse abuso era um amigo do meu pai. Não lembro o nome dele, mas lembro do rosto. Minha mãe trabalhava fora e meu pai, na época, era alcoólatra e recebia sempre a visita desse homem.

Como eu era pequeno, a maior parte do tempo ficava dentro de casa e o cara se aproveitava desse momento para ir "ao banheiro”, onde os abusos aconteciam. Não havia penetração, mas sempre ele ficava esfregando o pênis em mim. Abaixava meus shorts e se esfregava em mim. Depois do ato, ele me ameaçava, o que, para uma criança, era uma sentença de morte.

Não sei por quanto tempo isso durou, mas lembro como terminou. A porta da sala tinha uma janelinha que apontava direto para o corredor, onde ficava o banheiro. A vizinha estava na direção dessa janelinha e viu o que estava acontecendo. O abuso aconteceu e, depois que ele foi embora, a vizinha veio me perguntar o que ele estava fazendo comigo e eu disse: "nada, tia". Até hoje gosto de portas com janelinhas. Me dá um pouco mais de segurança. Ver o lá fora.

Nunca mais ele apareceu. Provavelmente ela deve ter contado para os meus pais e ele sumiu de nossas vidas. Por um tempo, depois do ocorrido, ficava um pouco assustado, achando que isso ia acontecer novamente. Minha sorte, é que comecei a ficar mais desencanado com as coisas e isso foi passando. Fiquei mais à vontade de contar o que aconteceu conforme fui crescendo e esse "medo" ficou para trás. É muito terrível, vergonhoso, mas eu superei.

Eu queria encontrá-lo, mas não para agredi-lo. Esse admirável mundo novo é violento demais para ter mais agressão. Agora, queria saber o porquê. Qual o prazer que uma pessoa assim tem de atacar uma criança. Acho que deve ser o pensamento de todas as crianças que sofreram isso.

Por mais que consigamos superar isso, toda vez que passa algum caso desses na mídia, por exemplo, vem um pouco desse passado. Você fica um pouco bravo com isso, mas passa.

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