Bolsonaro muda de opinião e, agora, defende independência do Banco Central

Domingos Fraga

O presidenciável Jair Bolsonaro
O presidenciável Jair Bolsonaro IGO ESTRELA/ESTADÃO CONTEÚDO - 22.03.2017

Nada como a perspectiva de poder.

O deputado federal Jair Bolsonaro deixou de lado o viés nacionalista que marcou suas posições sobre a economia para pedir autonomia para o Banco Central.

Forjado na doutrina estatizante do regime militar, o ex-capitão sempre defendeu que o presidente da República pudesse interferir nas taxas de juros, para que elas não fossem ditadas "pelos colegas do mercado financeiro".

Agora, conforme sobe nas pesquisas, Bolsonaro adota um discurso menos intervencionista e bem mais próximo do que deseja o mercado.

Abaixo, o conteúdo da carta postada por ele em seu facebook:    

 

"O Brasil precisa de um Banco Central independente! No tripé macroeconômico (taxa de câmbio flutuante, metas de inflação e superávits primários), o Banco Central é responsável por dois dos três pilares.

Com sua independência, tendo mandatos atrelados a metas/métricas claras e bem definidas pelo Legislativo, profissionais terão autonomia para garantir à sociedade que nunca mais presidentes populistas ou demagogos colocarão a estabilidade do país em risco para perseguir um resultado político de curto prazo.

O exemplo recente é a desastrosa condução da inflação sob o mandato de Dilma Rousseff.

Como se não bastasse, ainda havia a discussão de como gastar as reservas internacionais para, sob a orientação dos “sábios” conselheiros do PT, estimular a politica “desenvolvimentista”. O impeachment evitou que quebrassem completamente o Brasil!

A produção acadêmica internacional deixa claríssimo o benefício de ter um banco central independente. São os países que adotam tal modelo os que conseguem ter uma inflação mais baixa, juros menores, serem os mais ricos e estáveis do mundo.

Assim, que tal nos inspiramos em países que estão no rumo certo, como Canadá, Japão, Grã-Bretanha, Israel, EUA, Austrália, México, Chile, Peru, entre outros? Há também uma alternativa, que são os países que não o têm: Cuba, Venezuela, Coréia do Norte, Paquistão, etc.

O menor risco de ingerência política gera, comprovadamente, menor inflação e redução dos juros de longo prazo. Precisamos construir as condições para que o Brasil tenha juros baixos de forma sustentável e estruturada. Basta de querer baixar os juros na canetada!

Quanto aos populistas de plantão, que irão argumentar que o Banco Central poderá manter os juros elevados para beneficiar os banqueiros, explicamos que um banco não ganha dinheiro aplicando seu próprio capital. Banco ganha com o spread! O capital serve de garantia para a intermediação. Quando os juros sobem, a inadimplência aumenta e os lucros caem.

Atualmente, com a Selic próxima de seus mínimos históricos, o lucro dos bancos é recorde e as ações dos bancos se valorizaram.

O problema no Brasil é que este é mais um setor onde o PT/PSDB permitiu a concentração do mercado, diminuindo a concorrência. Monopólios e oligopólios capturam o excedente do consumidor. Traduzindo: os juros do Banco Central caíram, os juros do consumidor não! O lucro dos bancos subiu com juros baixos!

No Brasil temos pouca poupança interna (pouca oferta de crédito) e enormes demandas reprimidas (muita demanda por crédito) com investimentos óbvios em infraestrutura ou o potencial de crescimento do consumo de bens duráveis, educação superior, habitacional, etc.

Como se não bastasse, ainda aparece o governo pegando uma parte deste escasso crédito para financiar despesas operacionais (déficit primário). Os economistas chamam tal movimento de crowding out. Por último, os juros são elevados para nós cidadãos normais! Os amigos do rei têm o BNDES.

Hoje, após o desastre em que Lula nos deixou, com seus ungidos Dilma/Temer, nossa taxa de investimento é baixíssima. Há uma enorme capacidade ociosa e nossa pequena poupança interna nos atende. Mesmo assim, o déficit em transações correntes prova que o financiamento do déficit do setor público vem do exterior.

Quando voltarmos a crescer, teremos o mesmo problema de sempre: trazer poupança do exterior, o que é volátil! Qualquer problema global e paramos de crescer. Precisamos libertar o Brasil de sua dependência do capital internacional! Como fez o Chile!

O primeiro passo é um BC independente, com mandato e metas de inflação claras, aprovadas pelo Congresso Nacional, para nunca mais um populista colocar em risco o orçamento das famílias brasileiras. A missão de um governo sério é proteger as pessoas.

A percepção de risco, embutida nos juros das dívidas mais longas, será reduzida, viabilizando investimentos e o crescimento de nosso Brasil."

 

 

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