"Descoberta de anel de planeta anão ajuda a desvendar formação do Sistema Solar", diz astrônomo brasileiro

Mariana Londres, de Brasília

"Descoberta de anel de planeta anão ajuda a desvendar formação do Sistema Solar", diz astrônomo brasileiro
"Descoberta de anel de planeta anão ajuda a desvendar formação do Sistema Solar", diz astrônomo brasileiro Divulgação/UTFPR

A descoberta da existência de um anel ao redor do planeta anão Haumea, vizinho de Plutão, publicada nesta quarta (11) na revista científica Nature por um grupo de astrônomos da Espanha e do Brasil é um passo importante no caminho para desvendar a formação do Sistema Solar.

De acordo com astrônomo brasileiro Felipe Braga Ribas, professor e doutor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e que integra o grupo, trata-se de um avanço porque implica que a região do Sistema Solar onde Haumea se localiza, o Sistema Solar Exterior, tem condições específicas para os aneis, com colisões específicas. 

— Avançamos porque descobrimos aneis em outro objeto, é um planeta anão conhecido desde 2003, que já é interessante por ser alongado, ter uma mancha e dois satélites. É o maior membro de uma família de asteroides, que há milhões de anos sofreu uma colisão e se fragmentou, a maior parte é Haumea. Por ser o primeiro planeta anão com anel a quantidade de estudo em torno dele vai ser imensa.

Até agora, só se tinha conhecimento de aneis em grandes corpos celestes, como Saturno. Em 2013, Braga Ribas havia descoberto aneis em um pequeno asteroide. 

Braga Ribas é especialista pequenos corpos celestes desde 2007 e ressalta que a dinâmica desses objetos pode ser transportada para objetos maiores e por isso é tão importante observá-los. Em 2013, o astrônomo brasileiro fez outra descoberta de impacto durante o pós-doutorado: dois anéis de fragmentos cósmicos, batizados por ele de Oiapoque e Chuí, ao redor do asteroide Chariklo, que fica nos limites conhecidos e observáveis do Sistema Solar. Os anéis de Chariklo foram os primeiros em pequenos asteroides e ficam distantes de Haumea. 

O Haumea gira em torno do Sol em uma órbita elíptica que se completa em 284 anos e sua velocidade de rotação é de 3,9 horas, muito mais rápido que qualquer outro corpo do Sistema Solar com mais de cem quilômetros de diâmetro. Esta velocidade faz com que Haumea se deforme, adquirindo uma forma elipsoidal similar a uma bola de rugby. Por conta dos novos dados agora publicados, sabe-se que Haumea mede 2.320 quilômetros no seu maior lado, quase igual ao diâmetro de Plutão, mas sem sua atmosfera global.

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