Notícias Companhias aéreas se comprometem com zero emissão líquida de CO2 até 2050

Companhias aéreas se comprometem com zero emissão líquida de CO2 até 2050

AFP

Uma meta "audaciosa", mas também uma "necessidade": as companhias aéreas de todo o mundo se comprometeram, nesta segunda-feira (4), a atingir um saldo de "zero emissão líquida de CO2 até 2050, como forma de combater a mudança climática, quando ainda sofrem os impactos da pandemia.

Com este anúncio, faltando poucas semanas para a conferência do clima COP26 e no momento em que as evidências de problemas climáticos se multiplicam, a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) quer "assegurar a liberdade de voar para as gerações futuras", argumentou seu diretor-geral, Willie Walsh, ante os diretores do setor reunidos em Boston, nos Estados Unidos.

Assim, organização, que contava com 290 empresas associadas e representava 82% do tráfego aéreo mundial antes da pandemia do coronavírus, alinha seus objetivos com os do setor aéreo europeu, que segue as metas da União Europeia (UE) neste tema.

"Muitos nesta sala, individualmente ou em grupo, já superaram esta etapa", afirmou Walsh. "Para outros, será um desafio adicional, em um momento muito difícil", com o setor muito afetado pela pandemia, frisou.

Mas "é o que se deve fazer", concluiu o diretor-geral da Iata. 

Mais ambiciosos do que aqueles estabelecidos até então pela associação, estes novos objetivos não foram objeto de votação, e sim, adotados por consenso.

A Iata havia estabelecido em 2009 a meta de reduzir pela metade a sua pegada de carbono para 2050, com relação a 2005.

"A ciência nos diz que a situação é mais urgente do que acreditávamos", e a meta de 12 anos atrás "simplesmente não é suficientemente ambiciosa", argumentou Walsh.

As empresas chinesas, por sua vez, observaram que a meta de 2050 não está alinhada com o que foi adotado pelo governo da China, que prevê um saldo neutro em carbono até 2060.

Para alcançar a meta de zero emissões, o setor da aviação, que emite 3% dos gases de efeito estufa na atualidade, conta com novos combustíveis renováveis, avanços potenciais como aeronaves elétricas ou movidas a hidrogênio, e também mecanismos como a captura de carbono, e medidas de compensação que os ambientalistas consideram ineficientes.

A próxima assembleia da organização terá lugar, justamente, na China, em junho de 2022, na cidade de Xangai.

O momento econômico continua sendo difícil para as companhias aéreas.

As empresas de todo o mundo preveem perdas de US$ 51,8 bilhões este ano por causa da covid-19, e que os balanços seguirão no vermelho em 2022, mas com um prejuízo inferior ao de 2021, na ordem de 11,6 bilhões de dólares, segundo a Iata.

As previsões para 2021 são mais pessimistas que as feitas em abril, quando a entidade previu perdas de US$ 47,7 bilhões este ano. 

A Iata também revisou para cima os prejuízos das companhias aéreas em 2020, para US$ 137,7 bilhões, frente aos US$ 126,4 bilhões anunciados anteriormente. 

Além disso, desde o início da pandemia, os prejuízos das linhas aéreas já chegaram a 200 bilhões de dólares.

"Conseguimos superar o ponto mais baixo da crise", comentou Walsh.

A situação é, de qualquer maneira, muito desigual: as companhias norte-americanas têm um mercado interno forte e serão "as únicas a fechar 2022 no positivo, com receitas esperadas de US$ 9,9 bilhões".

Por outro lado, as companhias europeias, que estão mais expostas aos voos de longo alcance, continuarão a ter um déficit em 2022, da ordem de 9,2 bilhões de dólares, uma cifra que, de qualquer maneira, representa metade dos prejuízos registrados em 2021.

A demanda interna em todo o mundo deve chegar, em 2021, a cerca de 73% do que era em 2019, o ano anterior ao surgimento da crise.

A procura pelos voos internacionais, por outro lado, continuará fraca, com 22% dos níveis pré-pandemia em 2021 e 44% em 2022.

A Iata espera registrar 2,3 bilhões de passageiros em 2021 e 3,4 bilhões em 2022, níveis "similares" a 2015 e muito inferiores aos 4,5 bilhões de 2019. Em 2020, essa cifra caiu para 1,8 bilhão de passageiros. 

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