Notícias Covid chega a 24% das residências para idosos

Covid chega a 24% das residências para idosos

Agência Estado

Levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com 1.762 Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI), com foco na covid-19, apontou que 13,7% delas tiveram ao menos um óbito e 23,6% registraram infecções entre os idosos, destaca o Estadão. Os dados foram coletados entre junho e setembro. Ao todo, foram 704 mortes e 3.278 infectados. Diante da nova alta de casos, a orientação de especialistas é evitar contato com parentes e aumentar ainda mais as restrições.

A pesquisa foi feita por meio de um questionário que abordou as estratégias adotadas para evitar infecções. Uma delas foi o monitoramento diário dos idosos, realizado por 99,5% das entidades. A restrição de visitas foi implantada por 99,8% delas e o uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) por profissionais foi adotado em 99%. Rotinas como o banho de sol foram mantidas por 97,3%.

Coordenadora de Serviços de Interesse para a Saúde da Anvisa, Alice Alves de Souza explica que as questões tiveram como base orientações de uma nota técnica da agência com foco nas entidades, que foi atualizada em junho. "A pesquisa teve o objetivo de colher informações mínimas para auxiliar o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária na priorização de ações para a prevenção e controle da covid naqueles institutos", diz.

"Na realidade (o levantamento) chama a atenção para a necessidade do reforço da prevenção e controle de infecções causadas pelo novo coronavírus, bem como, a adequação de recursos físicos, materiais e humanos para o cuidado com qualidade ao idoso", acrescenta. Os dados são autodeclarados e estanques, refletindo o quadro do momento da resposta e as informações foram repassadas a órgãos de vigilância estaduais.

Ainda de acordo com o levantamento da Anvisa, 55,2% das instituições tiveram profissionais afastados por suspeita ou confirmação de infecção e 82,1% conseguiram substituir esses funcionários.

Desde março, o Residencial Santa Cruz, em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista, redobrou os cuidados. "Duas semanas antes do agravamento da pandemia fechamos a instituição para visitas de familiares, profissionais e equipes terceirizadas, mantendo apenas os nossos profissionais de saúde, nutrição e hotelaria cuidando de nossos residentes", explicou o enfermeiro Diego Rodrigues, especializado em Gerontologia e responsável técnico pelo residencial.

No início, foi realizada uma triagem em todos os residentes e colaboradores, mesmo sem apresentar nenhum sintoma clínico aparente, separando os residentes contaminados. "Hoje realizamos testes preventivos apenas se o residente apresentar algum sintoma clínico. Colaboradores que apresentam sintomas clínicos são imediatamente afastados por 14 dias", afirma o enfermeiro da instituição, onde vivem hoje 48 residentes, entre 75 e 100 anos.

Cinco casos

Desde o início da pandemia até o fim do ano, a instituição registrou cinco casos positivos de covid-19, sendo quatro residentes. "Três foram curados e um faleceu em ambiente hospitalar. Um colaborador, também contaminado, evoluiu de maneira clinicamente estável", acrescenta ele. Para atuar de forma mais segura, o residencial montou integralmente um novo setor com suítes separadas para os residentes infectados.

Com a chegada da pandemia, o Residencial Club Leger, no Jaraguá, zona noroeste de São Paulo, também reforçou as medidas de segurança e ampliou o estoque de máscaras e luvas. "Com essa nova alta da doença, estamos reforçando todos os nossos protocolos", ressalta o administrador do residencial, Vinícius Neves. Lá vivem 15 idosos, de 75 a 90 anos. Até o momento, nenhum caso de covid-19 foi registrado.

O relatório da pesquisa destaca que o País não tem um cadastro com o número de instituições existentes - Acre, Amapá, Amazonas e Roraima não enviaram formulários. No caso do número de óbitos nas entidades (704), a agência informa, também no documento, que ele pode ser maior.

Teste e isolamento

O Residencial Santa Cruz aconselhou que os idosos não saíssem durante as festas de fim de ano - apontada por especialistas como um dos fatores que devem levar a uma explosão de casos no País. Para a família que decide buscar o parente, no retorno esse residente permanece em isolamento por 14 dias e apenas sai após realizar o teste RT-PCR, conta o responsável técnico pelo residencial, Diego Rodrigues.

Por medida de segurança, a instituição mantém os protocolos internos com aferição de temperatura dos profissionais, medidas de sanitização e limpeza, além da visita de familiares em um modelo drive-thru.

"Este esquema de visita funciona de maneira eletiva com agendamentos antecipados. Com duração de 20 a 30 minutos, a visita é realizada através de um vidro, onde mantemos um telefone na parte interna e externa para os familiares se comunicarem com os parentes. Finalizando a visita, a equipe de limpeza e higienização realiza toda a limpeza do ambiente e do vidro para a próxima visita agendada, assim minimizamos os riscos para todos os familiares, residentes e equipe da instituição", avalia Rodrigues.

Diferentemente de países como o Canadá, por exemplo, onde o índice de mortes em instituições de longa permanência chegou a 80%, no Brasil a taxa é considerada relativamente baixa, em torno de 1,7%, segundo dados do integrante da comissão de ILPIs da Sociedade de Geriatria. Em alguns países europeus, como Espanha e Itália, houve número significativo de surtos em estabelecimentos desse tipo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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