Distrito Federal Distrito Federal pode ficar totalmente sem água até o fim do ano, diz especialista

Distrito Federal pode ficar totalmente sem água até o fim do ano, diz especialista

Abastecimento depende de finalização de obras emergenciais

Distrito Federal pode ficar totalmente sem água até o fim do ano, diz especialista

Distrito Federal pode ficar totalmente sem água até o fim do ano, diz especialista

Distrito Federal pode ficar totalmente sem água até o fim do ano, diz especialista

Thinkstock

Enfrentando a maior crise hídrica da história e sem qualquer previsão de aumento do volume de chuvas, parte do Distrito Federal tem 50% de probabilidade de ficar completamente sem água até o final deste ano. A previsão é do especialista em Recursos Hídricos e professor da UnB (Universidade de Brasília) Henrique Leite, que acompanha a situação hídrica da região há muitos anos.

DF enfrenta o primeiro racionamento de água da história em plena estação chuvosa

Para o professor, o que irá determinar se os moradores terão água nas torneiras após o fim da estação seca, que consumirá os reservatórios que já estão em níveis preocupantes, é a finalização das obras emergenciais que estão em curso.

— Pelas nossas avaliações, no tocante ao sistema Santa Maria, que abastece basicamente o Plano Piloto, as medidas emergenciais serão suficientes desde que as obras estejam no cronograma anunciado, entregues antes de setembro, outubro. Mas há 50% de probabilidade de faltar água até o final do ano no sistema Descoberto, que abastece 2 milhões de pessoas. O volume morto abasteceria de 15 a 20 dias, praticamente não dá para contar com ele. Temos que trabalhar volume útil. A dúvida é se a água da captação emergencial vai chegar ao Descoberto. 

Após dois anos seguidos de redução no volume de chuvas, aumento populacional e falta de investimentos, o governo do Distrito Federal e a Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do DF) se viram obrigados a colocar em operação um plano emergencial de captação. Estão em construção, com previsão para ficar prontos até setembro, dois subsistemas de captação, do Bananal e do Paranoá, e um sistema de redistribuição. 

O Distrito Federal tem dois reservatórios de água: o Santa Maria, que abastece cerca de um milhão de pessoas do Plano Piloto e das antigas cidades satélites (hoje regiões administrativas) da região norte e o Descoberto, que abastece quase dois milhões de pessoas das regiões administrativas ao sul. O maior desafio é que não há comunicação entre os dois e a captação no Descoberto depende de obras de médio prazo (Corumbá IV) que não ficarão prontas até setembro deste ano. Com isso, a alternativa que se mostrou viável foi aumentar a captação do Santa Maria, e construir uma via de distribuição para regiões baixas abastecidas pelo Descoberto, para onde a água pode ir por gravidade. 

Os dois subsistemas de captação, um que vai tirar água do córrego do Bananal, dentro do Parque Nacional de Brasília, e outro que vai retirar água de um dos grandes cartões postais da capital, o Lago Paranoá, irão abastecer o reservatório de Santa Maria. O volume excedente do Santa Maria será levado até uma subestação na região central, no Parque da Cidade, e redistribuído para as cidades baixas abastecidas pelo reservatório do Descoberto. 

Com obras em curso, a Caesb garante que o DF terá água ao longo de 2017, mas não descarta ampliação do racionamento para dois dias por semana. A capital já raciona água desde janeiro. Em todas as regiões, o abastecimento é cortado por um dia, fica dois dias em reestabelecimento (abastecimento reduzido) e três com abastecimento normal. De acordo com o presidente da Caesb, Maurício Luduvice, as obras emergenciais serão suficientes para que a água não acabe neste ano. 

— A situação ainda é preocupante e temos que continuar com as campanhas de conscientização e com o uso racioanl. Mas com a captação emergencial teremos 1.400 litros por segundo, que serão divididos: 700 ficam no Santa Maria e 700, com as adaptações necessárias, abastecerão as partes baixas hoje abastecidas pelo Descoberto. Não temos porque duvidar que colocaremos os sistemas em condições de operação até o final de setembro deste ano. 

A estação seca do Distrito Federal vai de maio a setembro. Nesse período as chuvas são muito raras. Cem dias seguidos sem nenhuma gota caindo do céu são comuns, e os reservatórios só perdem água. Historicamente, as chuvas de outubro a abril eram suficientes para deixar os reservatórios cheios, a 100% da capacidade, para enfrentar a seca. Mas o volume de chuvas na estação chuvosa vem diminuindo e, de acordo com o meteorologista Luiz Cavancanti, do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), não há sinais de que esse ano o volume será diferente. 

— Nos últimos dois anos, 2015 e 2016, bloqueios atmosféricos não permitiram chuva na região. Os sistemas que trazem chuva, como massa quente e úmida da Amazônia, ou frente frias, vieram com menor frequência. Em 2015 e em 2016, portanto, tivemos chuva abaixo da média. Em 2017, até agora, não foi bom. Nos meses de maio e fevereiro houve chuva acima da média histórica, mas todos os demais foram abaixo da média. Então já choveu pouco. O volume de pouca chuva [seca]  já começou. Mesmo que chova na média no período da seca, o volume não será suficiente para repor a queda dos reservatórios. O volume médio de chuva é muito pequeno e nessa época a evaporação é grande. Só há possibilidade de ter chuva substancial, para repor reservatórios, a partir de outubro.

Longo prazo

Além das obras emergenciais, o Distrito Federal e Goiás fazem juntos a barragem de Corumbá IV, que irá aliviar as retiradas do sistema Descoberto e deve resolver o problema do abastecimento pelas próximas décadas. A captação será feita do Lago de Corumbá, e a água será enviada para tratamento em Valparaíso (GO). Depois, a água será bombeada para o DF e o Entorno (desafogando o sistema Descoberto).

A vazão de Corumbá IV será de 5.600 litros por segundo e a ampliação da capacidade de abastecimento do DF será de 70%.  A obra foi licitada em 2009, e os trabalhos começaram em 2011. Em 2013, a obra foi paralisada. Dois anos depois, o consórcio recebeu recursos federais e retomou o serviço. No ano passado,as obras na parte goiana foram paralisadas após recomendação do Ministério Público Federal. Em maio deste ano as obras foram retomadas. 

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