Distrito Federal Estrutura para jogos da Copa em Brasília é considerada sucesso por torcedores e especialistas 

Estrutura para jogos da Copa em Brasília é considerada sucesso por torcedores e especialistas 

Segurança, transporte e outros serviços funcionaram como previsto, segundo GDF

Estrutura para jogos da Copa em Brasília é considerada sucesso

Estádio Mané Garrincha esteve sempre perto de sua capacidade máxima em todos os sete jogos

Estádio Mané Garrincha esteve sempre perto de sua capacidade máxima em todos os sete jogos

Mariana Londres/R7

Se muitos brasileiros duvidavam do sucesso da Copa do Mundo no Brasil, a capital federal provou o contrário. Com o Estádio Nacional de Brasíla, o Mané Garrincha, quase sempre lotado, poucos casos de violência, praticamente nenhum problema de trânsito para acessar o estádio e grande quantidade de turistas nos dias dos jogos do Mundial, a capital federal mostrou que tem vocação para receber grandes eventos esportivos.

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Beneficiada pela sua estrutura de cidade planejada, Brasília não teve problemas em executar um esquema de transporte eficiente para os torcedores nos dias de jogos. Nisso, a localização do Estádio Nacional ajudou muito: cravado no ponto central da cidade, perto de um grande parque com bolsões de estacionamento e da rodoviária do Plano Piloto e ao lado de dois grandes setores de hotéis: onde ficavam hospedados grande parte dos brasileiros e estrangeiros que vieram assistir a uma ou mais das sete disputas realizadas em Brasília.

Outro ponto a favor de Brasília para a Copa foi a ausência de grandes protestos, que aconteceram na Copa das Confederações, mas na Copa do Mundo tiveram pouca adesão, e com isso, não atrapalharam nem moradores e nem torcedores.

Sem protestos e hospedados perto do Eixo Monumental, os turistas da Copa aproveitaram para visitar as atrações mais próximas: Torre de TV, Catedral Metropolitana, Esplanada dos Ministérios e Praça dos Três Poderes. De acordo com balanço parcial (de 12 a 24 de junho), o aumento no número de visitantes nesses locais foi de cerca de 250%. A torre de TV, que fica a poucos metros do Mané Garrincha e virou o grande ponto de encontro de torcedores, recebeu só no dia do jogo entre Brasil e Camarões cerca de 30 mil visitantes.

A mobilidade, que ao lado dos protestos era um dos grandes temores dos brasileiros para o Mundial, surpreendeu positivamente os turistas. Os paulistanos Renato e Carlos Butrico, que assistiram a jogos da Copa em Brasília, São Paulo, Fortaleza e Recife, gostaram do acesso ao Mané Garrincha:

— Achamos muito boa a estrutura de ônibus gratuitos, mas em Brasília achamos apenas que a estação do metrô é muito longe do estádio. Esperávamos algo mais perto como em São Paulo, no Itaquerão. Mas, lá, o problema foi que os trens eram mais cheios, mais do que aqui em Brasília. Já em Recife o estádio é longe e tivemos que pagar R$ 40 pelo ônibus e Fortaleza o esquema de ônibus gratuitos estava um pouco desorganizado. Mas de forma geral a mobilidade foi muito boa e muito melhor do que esperávamos.

Já o legado do esquema de mobilidade montado para a Copa para a cidade, não será suficiente para resolver o grande problema de transporte que os moradores da capital federal enfrentam todos os dias. O VLT foi retirado na matriz de responsabilidade e não tem previsão para ficar pronto. O BRT, Expresso DF, teve o primeiro trecho inaugurado às vésperas da Copa e promete melhorar a vida dos moradores da região administrativa de Santa Maria.

O professor de Engenharia de Tráfego, Legislação e Trânsito do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UnB (Universidade de Brasília) Paulo César Marques da Silva analisa a questão do BRT.

— Ele está sem situação experimental, ainda não é possível avaliar porque ele precisa de ajustes que o governo disse que vai fazer. A preocupação que eu tenho é com a integração porque o corredor do BRT sozinho não funciona muita coisa. É preciso que haja linhas que façam conexões e que haja uma operação de sincronicidade. Tem que ter integração não somente tarifária como física e temporal também.

Ele concorda que o legado de transporte para a capital será pequeno e depende dos investimentos das próximas administrações.

— Nós já sabíamos que o legado da Copa ia ser pequeno. Por exemplo o VLT, [que não ficou pronto] que não era a solução para todos os males, mas ajudava. Ganharia o sistema de transporte coletivo e certamente ajudaria a desafogar o trânsito.O compromisso deste governo e dos próximos precisa ser em função do transporte. Compromisso reafirmado em torno de um plano de mobilidade no Distrito Federal.

Chegada ao Estádio

Nos dias de jogos da Copa do Mundo na cidade, as linhas de ônibus convencionais funcionaram normalmente. Linhas especiais sem cobrança de tarifa facilitaram o acesso ao Mané Garrincha. Apenas no penúltimo jogo na capital, uma greve dos rodoviários causou transtornos aos torcedores.

Pessoas com mobilidade reduzida tiveram um estacionamento entre as vias W4 e a W5, na altura do Colégio Militar de Brasília. No local, houve ainda ônibus gratuito, adaptado para o transporte dos torcedores até um ponto de acesso localizado dentro do perímetro de segurança do estádio. 

Em resposta à reportagem do R7 DF, o DFTrans (Transporte Urbano do Distrito Federal) avaliou as operações de transporte como um sucesso, e disse que toda a demanda prospectada antes da realização da Copa foi atendida. O órgão afirmou ainda que a grande lição para a gestão do transporte público é o planejamento adequado e antecipado, aliado à transparência nas informações à população. O DFTrans acrescentou que o conhecimento adquirido durante a Copa será aplicada de forma permanente.

O Estádio

Nas partidas da Copa em Brasília, o Mané Garrincha estava sempre perto de sua lotação máxima, entre 67 mil e 69 mil torcedores (a arena tem capacidade para 72.800 torcedores).

Alguns transtornos foram registrados nos primeiros jogos na capital federal. Os problemas enfrentados pelos torcedores no Mané Garrincha foram as filas na entrada e nos intervalos. De acordo com torcedores, as filas eram grandes, mas andavam. Eles também relataram problemas maiores bem perto do horário da partida.

Os torcedores acharam o estádio ótimo, um dos melhores, mas quesionam se a cidade terá como aproveitá-lo, como explicou o turista de São Paulo Adriano Francisco.

— O estádio de Brasília não precisava ser tão grande, mas o padrão dos estádios em geral da Copa está excelente, muito melhor que os estádios que nós tínhamos no Brasil.

Esquema de segurança

O plano de segurança na Copa, que também era uma preocupação de autoridades e brasilienses, foi bem executado. No dia 5 de julho o líder da torcida organizada argentina Barrabravas, Pablo Alvarez, o Bebote, foi preso dentro do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, durante a partida entre a Argentina e Bélgica, na disputa da vaga pela semifinal da Copa, pela Polícia Federal.

Segundo a PF, Alvarez estava disfarçado e usava camisa do Flamengo. Ele tinha o nome numa lista da polícia argentina de torcedores violentos. Foram detidos também 23 cambistas que vendiam ingressos, alguns deles falsos, nas proximidades do Estádio Nacional. No total, foram apreendidos 700 ingressos.

Para o cientista político da UnB (Universidade de Brasília) e pesquisador de segurança pública Antônio Flávio Testa, é possível dizer que houve sucesso na atuação das polícias.

— Tudo aquilo que era esperado aconteceu, do ponto de vista do sucesso da segurança pública. Não vi nenhum conflito exagerado. Houve alguns pequenos abusos da Polícia Militar contra turistas, coisas pequenas, desacato, mas, do ponto de vista do evento em si, o resultado foi satisfatório, sem dúvida.

Para a secretaria de Segurança do DF, o legado para Brasília será tecnológico e de integração. Tanto o Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR) – que inclui um total de 307 câmeras instaladas nas regiões de maior fluxo de pessoas, como a Área Central do DF –, quanto imageadores aéreos e Plataformas de Observação Elevada (POEs) serão usados pelas forças de segurança para as funções policiais.

A secretaria também avalia que a integração entre os órgãos de segurança alcançada durante o Mundial também será positiva no trabalho diário do combate ao crime. O CICCR abrigou 43 órgãos federais e distritais que atuaram juntos durante toda a Copa. O mesmo modelo será adotado a partir de agora pelas quatro forças – Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Detran.

Em todos os jogos da Copa do Mundo em Brasília o mesmo plano operacional de segurança foi utilizado. As vias em torno do Estádio foram interditadas e os portões foram abertos sempre três horas antes do início das partidas. O efetivo de segurança foi sempre o mesmo: 3.488 profissionais de Segurança atuaram no interior e nos arredores do Estádio Nacional de Brasília e, no Fifa Fan Fest, foram 1.404 homens.

Toda a ação das forças de segurança foi coordenada pelo Centro Integrado de Comando e Controle Regional, que conta com 307 câmeras, sendo 277 do GDF e 30 da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos, do Governo Federal. As câmeras foram instaladas na área central da cidade e na região do Fan Fest, em Taguatinga (DF).

Fiscalização em rodovias

O número de testes do bafômetro em motoristas que passaram por rodovias que cortam o Distrito Federal e Entorno, nos 20 primeiros dias da Operação Copa do Mundo, da PRF (Polícia Rodoviária Federal), aumentou quase 480%, se comparado ao mesmo período durante a Copa das Confederações, em 2013.

O número de pessoas detidas nas rodovias também cresceu. De acordo com o levantamento da PRF, durante os 20 primeiros dias da Copa das Confederações em 2013, foram 23 pessoas detidas nas rodovias contra 47, no mesmo período em 2014. Crescimento de 100%. A quantidade de drogas apreendidas subiu 73% nos períodos analisados pela pesquisa da polícia rodoviária. Foram 120 kg de entorpecentes, em 2013, contra 456 kg, em 2014. 

A polícia rodoviária também prendeu mais pessoas entre os períodos analisados. Entre 10 e 30 de junho 2013, foram presas quatro pessoas por tráfico de drogas, contra 12, em 2014 — aumento de 200%. De acordo com a PRF, cerca de 300 policiais rodoviários trabalham em escala de revezamento nas seis BRs que cortam o DF — 020, 040, 060, 070, 080 e 251 — e Entorno.

Hotéis movimentados

O presidente da FBHA (Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação), Alexandre Sampaio, disse que a taxa de ocupação de hospedagem no DF (hotéis acima de três estrelas, pousadas, hostels, etc) correspondeu à expectativa da federação. A taxa de ocupação foi de 70% durante os jogos da Copa do Mundo no DF, o que foi considerado satisfatório pelo representante da classe.

— O índice médio de ocupação medido antes da Copa se materializou nesta fase final. Em Brasília, isso é excepcional porque Brasília geralmente tem uma ocupação fraca [nos fins de semana], comparativamente a terça, quarta e quinta-feira.

Alexandre Sampaio frisou ainda que a taxa de ocupação foi considerada favorável pelo setor hoteleiro da capital já que, segundo o presidente da FBHA, o torneio tirou o movimento político de Brasília. No segundo semestre deste ano, Sampaio prevê diminuição das reservas na capital federal.

— A atividade parlamentar fica comprometida em função da eleição e, logicamente, não vai haver muita ocupação em Brasília.

Movimentação aeroportuária

De acordo com a Inframerica, concessionária do Aeroporto de Brasília, o movimento de passageiros entre os dias 12 e 30 de junho, período em que o DF recebeu quatro jogos da fase de grupos e um das oitavas de final, foi de aproximadamente 900 mil pessoas.

A movimentação de aeronaves aumentou em 10%, totalizando 9.326 pousos e decolagens, sendo 8.922 voos domésticos e 404 voos internacionais. Além disso, para atender à demanda durante o Mundial, foram adicionados 414 voos extras na malha aérea da Capital.