Distrito Federal Invenção brasiliense pode revolucionar as orquestras do mundo todo

Invenção brasiliense pode revolucionar as orquestras do mundo todo

Instrumento criado por aposentado busca o reconhecimento internacional

Invenção brasiliense pode revolucionar as orquestras do mundo todo

Criador busca o reconhecimento do instrumento em escolas de música do exterior.

Criador busca o reconhecimento do instrumento em escolas de música do exterior.

Renan Xavier / R7

Inventar algo não é tarefa fácil. Em muitos casos, as dificuldades encontradas no processo de invenção podem desanimar os criativos. Isso, porém, não aconteceu com um aposentado de Brasília, apaixonado pela música.

Desde que se aposentou do serviço público, Kênio Alcanfôr dedicou-se a uma invenção que pode mudar a organização das orquestras do mundo inteiro. Músico desde os nove anos, ele decidiu investir em um novo instrumento.

— O que me provocou essa angústia de querer descobrir algo é porque eu tocava violino e gostava muito dos sons graves. Eu queria achar um som mais grave que o violino mas que tivesse a característica do violino.

Ele criou, após centenas de tentativas, o 'violbass acústico'. O aparelho produz um som mais grave, ficando entre notas produzidas pelo violoncelo e pela viola.

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Ele é um instrumento portátil pouco maior que a viola, mas com capacidade de produzir todas as notas que o violoncelo faz, explica Alcanfôr.

— Existem poucas partituras para viola. Ela é um instrumento extremamente necessário em orquestração, mas entra como apoio. Eu queria alguma coisa que fosse a locomotiva e não o vagão.

Para a produção do violbass, Alcanfôr procurou um artesão de Luziânia, no Entorno do DF. Francisco Alves Feitosa é o luthier, profissional conhecido como responsável pela criação e conserto de instrumentos.

O artesão usa para a fabricação a madeira do Mandiocão, uma árvore nativa do cerrado. Para uma melhor aceitação, contudo, a junção à madeira europeia foi, no momento, a melhor saída.

Instrumento é similar ao violino, mas com som mais grave.

Instrumento é similar ao violino, mas com som mais grave.

Renan Xavier / R7

Alcanfôr lembra que o gasto para a fabricação do instrumento gira entre R$ 8.000 e R$ 10.000. Ele busca patrocinadores para a produção, barateamento e popularização do aparelho.

— Hoje em dia como está todo artesanal, todas as peças dificilmente você encontra prontas industrializadas para encaixar nele. Então, tudo é caro. Por exemplo, o jogo de cordas que eu tenho, custa, no mínimo, R$ 800.

A formação das orquestras no mundo inteiro é a mesma desde o século 18. Com a introdução do instrumento, a composição das bandas poderia sofrer alterações históricas.

Dono de uma conceituada loja de instrumentos musicais em Brasília, Bohumil Méd, lembra o impacto da invenção de Alcanfôr.

— Nos últimos 200 anos, a evolução dos instrumentos de corda parou. Já estava perfeito. Depois ele chegou e inventou um instrumento que pode funcionar. É uma revolução na evolução dos instrumentos de corda.

A invenção, que tem aval de professores da UnB, busca agora o reconhecimento internacional. A ideia é mandar materiais sobre o instrumento para escolas de música dos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Enquanto espera a patente pelo violbass, Kênio Alcanfôr já trabalha em um novo instrumento. A ideia é que ele seja intermediário ao violbass e violoncelo.

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