Distrito Federal Jabuti que seria sacrificado se recupera e se torna o primeiro do mundo a receber casco feito em impressora 3D

Jabuti que seria sacrificado se recupera e se torna o primeiro do mundo a receber casco feito em impressora 3D

Para criar o casco, equipe usou material derivado do milho que custou cerca de R$ 150

Jabuti que seria sacrificado se recupera e se torna o primeiro do mundo a receber casco feito em impressora 3D

Após um ano de cuidados, Freddy ficou pronto para receber o novo casco de proteção e, agora, está recuperada

Após um ano de cuidados, Freddy ficou pronto para receber o novo casco de proteção e, agora, está recuperada

Arquivo Pessoal

Um médico veterinário do DF devolveu a vida normal para um jabuti que poderia chegar a ser sacrificado por conta de graves queimaduras que teve durante um incêndio florestal. Depois de um ano cheio de cuidados para recuperar a saúde do animal, Rodrigo Rabello começou a pensar em vários métodos para devolver o casco do jabuti, mas nada dava certo. Até que ele pensou na impressão 3D.

— O fogo matou o casco do animal, feito de tecido vivo. Não ficou nada [do casco] e a membrana de cima ficou exposta. O casal de veterinários que achou o animal no local em que foi queimado, trouxe para a gente em condições precárias. Existem várias técnicas de reconstrução de um casco desse, mas todas são a partir de casco remanescentes, coisa que esse animal não tinha — explica o profissional.

A jabuti é fêmea mas, ainda assim, recebeu o nome de Freddy, em referência ao Freddy Krueger, por ter chegado no hospital veterinário tão mal que parecia o personagem do filme. Quando se queimou, Freddy tentava, na verdade, se defender das chamas, já que jabutis não conseguem correr.

— Na época de seca a gente tem várias queimadas nas matas, esse animal tem mania de se esconder em moitas, é normal, provavelmente veio a queimada, ela se protegeu dentro do casco e isso queimou bastante o animal. Membros dianteiros, membros traseiros, o fogo destruiu tudo.

Freddy foi o primeiro animal do mundo a receber um membro feito em impressora 3D. Para a cirurgia, ela precisou ficar 45 dias recebendo alimentação forçada e diversos antibióticos.

No total, cinco profissionais especialistas em animais silvestres participaram do processo de implantação do casco feito em impressora 3D para a jabuti Freddy: Rodrigo Rabello, Matheus Rabello, Roberto Fecchio e Bruna Diniz. Eles contaram com o apoio do designer gráfico Cícero Moraes, que criou o projeto do casco que foi impresso.

O grupo usou um smarphone para fotograr o animal em vários ângulos para projetar o casco. Para imprimir, eles utilizaram materiais de baixo custo. A impressora é fabricada no Brasil e o polímero derivado do milho. Segundo Rabello, foram gastos cerca de R$ 150 para imprimir o casco de Freddy.

— O material é bastante leve, resistente, biodegradável e de baixo custo. O quilo custa R$ 136 e a prótese ficou com 1,2 kg.

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A equipe responsável pela prótese temia que ela não se encaixasse perfeitamente no animal e mantinham um plano B: uma cirurgia mais invasiva para fixar o novo casco na ponte óssea, com parafusos ortopédicos convencionais. Mas, por sorte, não foi preciso colocar o plano em ação.

— O Cícero colocou a prótese de um jeito que na face interna, que vai em contato com a lesão do animal, ela tem o desenho perfeito do jabuti lesionado e, por fora, tem a aparência de um jabuti saudável. Quando encaixamos ficou perfeita e não houve necessidade de cirurgia mais invasiva. Foi 100% de sucesso, primeira a prótese de impressão 3D para jabuti no mundo, foi meio que um marco, agora há outras possibilidades na medicina veterinária — comemora Rabello.

Freddy agora vive na casa de Rabello, está recuperada e já anda normalmente.

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