Com coleta em dias alternados, lixo acumula pelas calçadas

Moradores reclamam que a sujeira atrai ratos e pombos nas proximides de prédios residenciais

Jornal de Brasília

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Vítor Mendonça
redacao@grupojbr.com

Há quase uma semana desde que os novos horários do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) foram anunciados, na última quarta-feira (9), os moradores de Águas Claras se queixam dos problemas de acúmulo de lixo nas caçambas de resíduos orgânicos e secos da região. Os residentes das quadras dos lados Sul e Norte têm de conviver com o lixo à céu aberto, além de ratos e pombos que são atraídos pela sujeira.

Síndico do condomínio residencial Callamandra há dois anos e morador do prédio há cerca de quinze, Sebastião Souza, afirma que nunca houve problemas com a coleta seletiva na região até então. De acordo com ele, os resíduos produzidos em um dia pelo edifício que administra quase enchem as caçambas de lixo destinadas para o serviço prestado pelo SLU.

Só nas paralisações de greve que tivemos problemas como esse. As mudanças em dias alternados vão fazer com que o lixo acumule no fim de semana. Vai ter acúmulo e vai ter problema, com certeza. Os novos horários não suprem nossa necessidade. O reflexo vai ser para todo mundo, até para quem passa na rua. O que a gente produz não suporta dois dias sem coleta, quanto mais três ou quatro”, disse.

Enquanto a reportagem estava em Águas Claras, no período da tarde, os caminhões de coleta seletiva de resíduos sólidos orgânicos recolheram os montes de sacos de lixo registrados no início da manhã de ontem. Os resíduos secos, entretanto, foram deixados.
Reclamção nas redes

O bancário e presidente da Associação de Moradores e Amigos de Águas Claras (Amaac), Román Cuattrin, mora do Residencial Politec, na rua 16 sul da cidade e também relatou à reportagem a indignação com o problema. Em uma rede social, o administrador da associação publicou fotos da sujeira registradas na manhã de ontem por ele e outros síndicos dos edifícios da cidade. Muitos moradores compartilharam do sentimento.

Em uma das publicações na página da Amaac, criada para compartilhamento de informações dos residentes da cidade, a moradora Kátia Ramos declarou sua insatisfação. “Com o novo calendário de coleta, terça, quinta e sábado, nossa cidade está um perfeito lixo, e o mal cheiro é insuportável. Fora a infestação de pombos e ratos“, expôs juntamente a fotos do edifício onde reside com os resíduos acumulados.

De acordo com Román, à caminho do trabalho, desde a rua Pitangueiras até a estação Arniqueiras, o bancário teria constatado, na manhã de ontem, que todos os condomínios residenciais estariam “na mesma situação” que o edifício em que vive.

A coleta até o ano passado era feita diariamente, mas desde janeiro passou a ser feita três vezes por semana. O que a gente percebeu é que não tem sido cumprida a determinação de ser feita a coleta em dia sim e dia não. Não houve aumento da produção de resíduos por parte dos moradores da cidade“, declarou.

Ainda de acordo com presidente da Amaac, “o monitoramento por GPS deveria ser feito pelo SLU para acompanhar a rota”. Esta é uma das inovações anunciadas pelo órgão como presentes nos novos contratos. “Com relação ao lixo reciclável no meu prédio, por exemplo, não tem sido recolhido a pelo menos uma semana. O orgânico tinha quatro dias que não passavam, mas o seco já não passa há uma semana”, completou.

O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) afirmou, em nota, que a coleta seletiva convencional tem sido feita de forma regular e diária nas avenidas comerciais e alternada nas quadras residenciais de Águas Claras. De acordo com o órgão, houve uma renovação de acordos com empresas de coleta licenciadas.

“Desde a última quinta-feira (10), o SLU está prestando serviços com novos contratos e as empresas estão se adequando às novas rotas. Caso a coleta não seja executada, o cidadão deverá ligar na Ouvidoria Geral (162)”, declarou o órgão.

Gustavo Souto Maior, diretor-adjunto do SLU, em publicação feita pelo órgão no dia anterior às alterações no DF, afirmou que mudanças possivelmente precisariam ser feitas.

“São contratos complexos que certamente exigirão ajustes, mas as empresas vão entrar com força total e a expectativa é grande para aperfeiçoarmos os serviços”, declarou.

Norma trata de coleta e descarte

De acordo com a Resolução nº 21, de 25 de novembro de 2016, formatada pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa/DF), “é responsabilidade dos prestadores de serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos coletar resíduos volumosos”, conforme disposto no capítulo III, seção I, artigo 9º e inciso XIV do documento.

No entanto, cabe aos usuários do serviço, isto é, comércios e complexos residenciais, “a aquisição de recipientes adequados e em quantidade suficiente para acondicionamento dos resíduos sólidos gerados”. A medida é exceção nas regiões onde residem populações de baixa renda. Ali “o prestador de serviços públicos deverá adquirir e implantar contêineres para armazenamento de resíduos domiciliares”, como dispõe o 21º artigo.