Creches aguardam repasse do governo

João Paulo Mariano redacao@grupojbr.com A falta de repasse financeiro às creches conveniadas fez com que crianças ficassem sem aula, e os pais, sem ter o que fazer. O Conselho de Entidades de Promoção e Assistência Social (Cepas) estima que 101 instituições não receberam o pagamento referente a fevereiro, que deveria ter ocorrido no fim de […] The post Creches aguardam repasse do governo appeared first on JBr..

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João Paulo Mariano
redacao@grupojbr.com

A falta de repasse financeiro às creches conveniadas fez com que crianças ficassem sem aula, e os pais, sem ter o que fazer. O Conselho de Entidades de Promoção e Assistência Social (Cepas) estima que 101 instituições não receberam o pagamento referente a fevereiro, que deveria ter ocorrido no fim de janeiro. Dessas, pelo menos uma não conseguiu funcionar normalmente ontem.

A creche Tia Joana da QE 1, no setor Lucio Costa (Guará), dispensou os alunos porque não tinha condição de manter as cinco refeições para os 73 que são atendidas ali entre 7h30 e 17h15. A consultora de vendas Deliane Coimbra, 34, afirma que foi avisada da mudança quando chegava à creche já preparada para deixar Samuel, de 3 anos.

O menino estuda na instituição há dois anos e a mão não tem do que reclamar do local. Ela apenas lamenta a situação ter chegado a esse ponto, pois reconhece que é complicado atender tantas crianças sem o dinheiro necessário. Com a surpresa de que o filho não poderia ficar na escola, o desafio foi arrumar um jeito de ocupar o dia do garoto. Não havia ninguém para ficar com ele, e a mãe precisava trabalhar.

“Eu paguei alguém durante as férias para cuidar deles (de Samuel e do irmão de cinco anos). Não tinha mais como pagar ninguém. Nem tinha gente da família para ficar com ele. Não fui trabalhar. Tive que cuidar dele. Foi o jeito. Ele ficou brincando no parque comigo”, relata a consultora.

Integrante da direção da creche, Carla Silva afirma que, apesar do mal-estar causado para os pais, não havia outro procedimento a se tomar nesse primeiro dia de aula. “Não tinha condições (de receber os alunos). A gente oferece cinco refeições. Sem verba não dá para fazer compras. Ainda tem as questões sanitárias. Isso foi feito até pela segurança dos alunos. Não tem como mantê-los aqui o dia inteiro desse jeito”, explica.

Para receber as 73 crianças em período integral, são 18 profissionais na instituição, que existe há mais de 20 anos – parte deles com convênio junto ao governo. Como não há vagas para todas as crianças do DF, o GDF faz um acordo com instituições particulares e paga a elas, mensalmente, R$ 640,74, para crianças de 4 e 5 anos e R$ 747,53 para aquelas de 0 a 3.

Para esta terça-feira (12), até o fechamento desta edição, não havia informações se a aula retornaria à normalidade ou não na creche Tia Joana do Lucio Costa. A direção prometeu avisar os pais assim que possível.

Problema geral

Apesar do atraso generalizado no pagamento, que deveria ter caído nas contas das creches entre o dia 25 e 30 de janeiro, quatro instituições ainda não receberam o repasse do mês anterior, que era para ter sido creditado no fim de dezembro.

De acordo com o acordo assinado entre o governo do Distrito Federal e as entidades, o pagamento deve ser feito com antecedência, assim como ocorre com o vale alimentação dos trabalhadores em geral.

Expectativa de entendimento

A diretora do Conselho de Entidades de Promoção e Assistência Social (Cepas), Karla Valadares, diz que o governo, em uma reunião na tarde de ontem, reconheceu o atraso de fevereiro e afirmou que a liberação deve ocorrer na semana que vem. Apenas quatro instituições estão sem receber o pagamento de janeiro. Duas por problemas de certidão e duas por falta de prestação de contas.

Para março, a Secretaria de Educação prometeu liberar um cronograma de pagamento, já que existe possibilidade de nova demora do repasse. Karla alega que, mesmo sem pagamento, com poucas exceções, as creches atenderam as crianças de 0 a três anos nessa segunda.

“A reunião foi proveitosa. Temos que dar crédito porque (o Governo) está em um momento de transição. Eu confio na palavra do responsável pelas despesas. Dinheiro é uma questão que depende de outras secretarias também”, diz a diretora do Cepas. Ela lembra também que em outros governos as creches ficaram até quatro meses sem receber pagamento.

Terceirizados

Outra categoria que presta serviços à Secretaria de Educação reclama da falta de pagamento. Os funcionários terceirizados que prestam serviço de limpeza para as escolas reclamam que estão sem salário desde o último dia 6, o quinto dia útil do mês.

Cerca de três mil trabalhadores das empresas Juiz de Fora e dois mil da Servegel já anunciaram a possibilidade de uma greve a partir de amanhã. Outros mil funcionários responsáveis pela merenda escolar, da empresa G & E, também devem aderir ao movimento.

A Secretaria de Educação assegurou que os pagamentos de contratos com as empresas terceirizadas estão em dia.

Versão Oficial

A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) informa que todos os repasses para as creches conveniadas estão em dia, já que existe um novo acordo para que os pagamentos sejam feitos até o dia 15 de cada mês. A rede pública conta com 60 instituições parceiras, que atendem cerca de 12 mil crianças. O custo que o DF tem com cada criança atendida na rede conveniada é de R$ 640,74 para 4 e 5 anos e de R$ 747,53 para até 3 anos, mensalmente.

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