Jornal de Brasília Engenheira de obra que desabou em Vicente Pires diz que projeto foi alterado

Engenheira de obra que desabou em Vicente Pires diz que projeto foi alterado

Engenheira de obra que desabou em Vicente Pires diz que projeto foi alterado

Engenheira de obra que desabou em Vicente Pires diz que projeto foi alterado

João Paulo Mariano
redacao@grupojbr.com.br

A engenheira civil responsável pelo projeto do edifício que caiu em Vicente Pires aponta uma causa para o desabamento. Em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília, Darliane Cardoso alega que o dono do prédio alterou o projeto e o conduziu por conta própria, construindo mais três andares e toda a estrutura na parte dos fundos – justamente a que caiu. O incidente ocorreu na sexta-feira passada e matou um homem, sócio na construtora envolvida.

Como mostrado ontem pelo JBr., Darliane é a responsável técnica pelo edifício junto ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Distrito Federal (Crea-DF). Ela assinou a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) que está registrada no conselho, e por isso responde pela obra. A engenheira argumenta ser a responsável apenas pelo projeto inicial, e não pela execução. Assim, ela não teria acompanhado a construção.

Apesar de negar o acompanhamento, a profissional diz que não percebeu nenhuma rachadura ou problema estrutural no edifício. Ela garante que o projeto original continha apenas um prédio com subsolo e três andares. Ou seja, os seis andares que desabaram e os três pisos da parte que continua em pé foram construídos sem a verificação do cálculo estrutural.

Darliane tem certeza de que essa é a causa da tragédia que vitimou Agmar Silva, 55, um dos sócios da empresa responsável pela construção do empreendimento. “Se ele (o dono) não consultou a pessoa responsável pelo cálculo estrutural, o que eu acredito que não tenha ocorrido, isso foi o que levou (à queda). Principalmente porque a parte em que teve problema não está no projeto. Ela foi acrescida de maneira arbitrária”, acusa.

Porém, de acordo com o Crea-DF, Darliane Cardoso é, sim, a responsável pelo projeto e execução da obra. Ela ainda não teria dado baixa no ART. Quando isso ocorre, o conselho entende que o profissional continuou acompanhando a obra durante sua fase estrutural. Assim, ela será responsabilizada por qualquer problema.

Na esfera policial, a 38ª DP (Vicente Pires) apura a responsabilidade acerca da morte , bem como o crime de desobediência decorrente do descumprimento do embargo da Agefis. “Todas as pessoas necessárias à apuração estão sendo ouvidas. Concomitantemente, a delegacia aguarda o laudo da engenharia legal do Instituto de Criminalística”, conclui a PCDF. O laudo deve ficar pronto em até 30 dias.

Notificada por conselho

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-DF), por meio da Comissão Permanente de Exercício Profissional, decidiu na tarde de ontem que Darliane Cardoso será notificada por exercício ilegal da profissão, já que teria assinado o projeto arquitetônico da obra, ato que só poderia ser feito por um profissional da arquitetura.

Segundo um dos conselheiros, Rogério Markiewicz, o CAU também deliberou que haverá uma avaliação da conduta da arquiteta e urbanista Lissandra Latorraca, identificada na placa de obra do edifício como responsável por esta parte do projeto. Ela era sócia de Agmar na empresa Agmar e Lissandra – Arquitetura e Construção.

Para Markiewicz, o desabamento era uma tragédia anunciada e, agora, será necessário avaliar as responsabilidades técnicas. Ele diz que existe um trabalho do conselho na tentativa de diminuir essas situações irregulares e evitar novos incidentes. Além disso, há convenções da categoria que impedem que arquitetos atuem em áreas irregulares.

“O parâmetro básico de qualquer projeto é seguir a legislação urbanística, além de obedecer ao Código de Obras. Em áreas irregulares, pode até ter o código, mas não tem legislação. Não tem como atuar”, alerta o conselheiro.

Saiba mais

Para coibir a ação de pessoas que insistem em construir em Vicente Pires, a Agefis passará a cobrar multas diárias dos infratores a partir de novembro. As penalidades vão variar de acordo com o tamanho das edificações e serão calculadas por metro quadrado. Na região, foram 1.152 obras autuadas neste ano por meio de fiscalização da agência. Atualmente, há 108 obras em andamento, sendo que 28 apenas desses prédios estão o obedecendo o embargo e paralisaram as obras.

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