Distrito Federal Para incentivar leitura, publicitárias espalham livros com bilhetes em locais públicos do DF

Para incentivar leitura, publicitárias espalham livros com bilhetes em locais públicos do DF

Já foram mais de 40 livros deixados na capital do País. Toda a experiência e relatada em um blog

Para incentivar leitura, Publicitárias espalham livros com bilhetes em locais públicos do DF

Carol, Taís e Jeanne leêm mais de 15 livros por ano

Carol, Taís e Jeanne leêm mais de 15 livros por ano

Renata Laurindo/R7

Já pensou em andar pela rua e, de repente, se deparar com um livro acompanhado de um bilhete falando que o livro encontrado é seu?  

Isso pode acontecer com você, se estiver no Distrito Federal. As responsáveis pela ação são as publicitárias Taís Matos, 27 anos, Jeanne Dourado, 48 anos e Carol Soares, 28 anos, que se conheceram no trabalho há pouco mais de ano. Além da profissão, as três têm em comum o sonho de mudar um pouquinho o dia de alguém com livros, sem deixá-los empoeirar em uma biblioteca e sim espalhando-os por lugares bacanas por onde passam.  

Jeanne conta que tinha visto a ideia em uma revista há um tempo e decidiu colocá-la em prática em janeiro de 2012, quando teve de mudar para um apartamento menor e não sabia onde iria guardar tantos títulos.  

— Fui logo contar para as meninas. Pensei em deixar apenas um bilhete para me contarem sobre a experiência de ler o livro, mas elas logo tiveram a ideia de criamos um blog e assim foi feito.  

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As moças criaram o blog Eu achei o Livro no mesmo mês e desde então já deixaram 40 livros por aí, que vão de clássicos como A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo e Noviço, de Martins Pena a best sellers como O Código Da Vinci, de Dan Brown e Os homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larsson.  

Os livros estão sempre acompanhados de um bilhete com cor bem chamativa explicando a ideia e com o endereço do blog para a pessoa poder compartilhar sua experiência com elas. Apesar de poucas pessoas chegarem até elas contando que acharam o livro, Jeanne diz que o mais legal é quando elas contagiam outras pessoas com a ideia.  

Taís conta que, certa vez, uma menina resolveu deixar um livro no HRC (Hospital Regional de Ceilândia) e escreveu no blog que uma mulher que acompanhava o marido o encontrou e ficou muito emocionada.  

— O livro era religioso e ela enxergou como um sinal.  A situação em que a pessoa encontra o livro acaba, muitas vezes, emocionando.  

Carol lembra também de quando uma moça de apenas 15 anos chamada Gabriela Gomes encontrou o livro História de Verão, de Luiz Fernando Veríssmo. Foi Jeanne quem o deixou em um banco em frente ao Lago Sul e a jovem o encontrou quando passeava com a família. Ela fez um depoimento no blog super entusiasmada com a ideia e disse que o livro era, mesmo, para ser dela.  

Jeanne conta que elas já deixaram os livros nos lugares mais inusitados possíveis. Ela carrega vários no carro e quando acha um lugar legal, passa e deixa.  

— Já deixamos em salas de embarque do aeroporto, banquinhos de parques, no metrô, sofá de academia, shoppings e em filas de banco.  

Taís lembra que, muitas vezes, acontece de pessoas as chamarem para falar que esqueceram o livro, por isso precisam agir rapidamente.  

— A gente deixa e corre para ninguém nos achar.  

A iniciativa faz tanto sucesso, que já ganhou vários adeptos. Carol conta que amigos já deixaram livros em Londres, Madri. Um dos livros que ela deixou foi o clássico Capitu, de Machado de Assis.  

— Depois de ler três vezes estava na hora de deixá-lo por aí. Difícil achar um lugar, mas finalmente ele ficou em um supermercado, esperando que alguém o encontrasse e me ajudasse a desvendar o mistério de Capitu e Bentinho.  

As publicitárias contam que é às vezes é difícil de desfazer de um livro que gostam muito, mas Taís reitera que o importante é desapegar e passar a história para frente.

*Texto de Renata de Paula, estagiária do R7