Distrito Federal Polícia Federal e CPI da Câmara monitoram ação do ‘terrorista da UnB’ na internet

Polícia Federal e CPI da Câmara monitoram ação do ‘terrorista da UnB’ na internet

Homem que fez ameaças de morte contra alunos teria recriado sites de ódio

Polícia Federal e CPI da Câmara monitoram ação do ‘terrorista da UnB’ na internet

Marcelo Valle ficou um ano e dois meses preso depois das ameaças contra alunos da UnB, em 2012

Marcelo Valle ficou um ano e dois meses preso depois das ameaças contra alunos da UnB, em 2012

Arquivo Pessoal

Mesmo depois de ter sido preso em 2012 por criar sites de intolerância contra negros, homossexuais, mulheres e nordestinos, o homem que fez ameaças de extermínio contra estudantes da UnB (Universidade de Brasília) teria recriado as páginas na internet com nomes diferentes.

Durante a Operação Intolerância, da Polícia Federal, as investigações descobriram que Marcelo Valle Silveira Mello falava sobre os atentados em páginas como a ‘Silvio Koerich’. Só que depois de novas denúncias, tanto a PF quanto a CPI de Crimes Cibernéticos da Câmara dos Deputados monitoram a deep web (internet escondida, ou não acessível) sobre um possível retorno as atividades do ‘terrorista da UnB’.

A PF se manifestou dizendo que prefere não comentar uma operação em andamento. No momento, a CPI ainda está na fase de audiências públicas, mas os deputados já receberam as denúncias de que Marcelo e outros internautas reativaram as páginas. Por conta disso, assim que os trabalhos avançarem, membros da comissão podem convocar oitivas dos suspeitos.

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Quem confirma a suspeita da PF sobre as ações de Marcelo e outros comparsas é o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), que também foi alvo das ameaças de morte feitas pelo terrorista. Na CPI, ele integra a sub-relatoria que debate sobre crimes de ódio em geral na internet, e explica que a comissão e a polícia estão cientes das denúncias recentes.

— Quando chegar à fase das oitivas, vamos ouvir pessoas acusadas de crimes cibernéticos. O caso do Marcelo é um dos que vai ser tratado, porque a PF voltou a investigá-los. Acredita-se que eles, depois de serem soltos e cumprirem o resto da pena em liberdade, voltaram a operar clandestinamente.

Sobre as ameaças de Marcelo Valle, Wyllys afirma que trata o caso assim como outras mensagens de ódio que ele recebe na internet: na Justiça. O deputado citou, em entrevista ao R7, um exemplo recente de processo de uma situação similar, no qual o acusado foi condenado a uma pena socioeducativa.

— Movi e ganhei uma ação contra um internauta de Natal que me ofendeu e noticiou falsamente sobre mim em blogs e sites de fundamentalistas religiosos, além de dizer que iria me matar. Achei a pena exemplar, pois não me interessa que essas pessoas vão para a prisão, elas têm que ser constrangidas.

Por meio da assessoria de imprensa, a UnB diz que vem tomando as mesmas medidas de prevenção adotadas após a prisão de Marcelo Valle, em 2012. Desde que foi deflagrada a operação da PF, a universidade aumentou o número de vigilantes e foram instaladas câmeras de segurança, bem como uma sala de monitoramento das imagens.

Esta não foi a única vez que a universidade precisou lidar com casos de ataques. Em janeiro de 2013, estudantes da universidade encontraram uma pichação com mensagens homofóbicas na porta do CA (Centro Acadêmico) de Direito. Integrantes da Gestão do CA foram se reunir no local para discutir sobre um evento e encontraram mensagens pejorativas como "Ñ aos gays" e "Quem gosta de dar, gostar de apanhar" espalhadas pelas paredes e portas do espaço.

De aluno a terrorista

Antes de ameaçar alunos das minorias, Marcelo Valle se matriculou em um curso de japonês da Universidade de Brasília. No entanto, em 2005, ele fez apenas o primeiro semestre, não voltou mais e foi desligado por abandono. Já naquela época, em comunidades de estudantes nas redes sociais, ele já fazia ofensas a negros, mulheres e homossexuais.

Depois de quatro anos de mensagens de ódio no Orkut, em 2009, ele foi condenado pelo TJDFT (Tribunal de Justiça do DF e Territórios) por racismo ao criticar o sistema de cotas da UnB.  Ele recorreu da decisão alegando insanidade e não passou um dia sequer na cadeia.

Em 2011, meses antes de ser preso pela PF, Marcelo teria agredido a própria mãe por não deixar que ele levasse a TV da sala para o quarto dele. Ela registrou ocorrência pela Lei Maria da Penha na delegacia, onde o filho dela também já tinha outras cinco passagens por injúria e difamação.

Hoje com 29 anos, Marcelo Valle mora e estuda em São Paulo. A mãe dele, Rosita Moreira, ainda mora no antigo apartamento da família na Asa Norte, na região central de Brasília. Segundo informações de vizinhos, ela hoje sofre com depressão e tiques nervosos no rosto durante a fala, por conta das acusações contra o filho.

Em entrevista ao R7, em agosto deste ano, ela defendeu Marcelo, e diz que ele hoje tenta levar uma vida normal.

— Ele não tem essas ideias. Ele foi forçado. Foi um exagero, ele acabou sendo vítima de acusações levianas. Ele já pagou a pena dele à Justiça. Ele está em liberdade, estudando Direito e levando uma vida normal.

Além de Marcelo, o engenheiro Emerson Rodrigues também foi preso durante a Operação Intolerância da PF, em 2012, acusado por manter o site e ameaçar os alunos da UnB. Assim como o amigo brasiliense, ele saiu da prisão em maio de 2013, e teria tentado reativar o site Silvio Koerich para continuar com as mensagens de ódio, segundo denúncias.

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