Distrito Federal Primeiro crematório de animais de Brasília cobra de R$ 500 a R$ 1.400

Primeiro crematório de animais de Brasília cobra de R$ 500 a R$ 1.400

Opção é a mais indicada pela Zoonozes, mas preços ainda são considerados altos

Primeiro crematório de animais de Brasília cobra de R$ 500 a R$ 1.400

A cremação dura em média 1h30min, dependendo do porte do animal

A cremação dura em média 1h30min, dependendo do porte do animal

Renata Laurindo/R7

Perder um animal de estimação, seja por qual for a causa, é sempre triste. Alguns já fazem da parte da família e fica difícil retomar a vida sem eles. Além do choque, o dono se depara com a dúvida do que fazer com o animal após a sua morte.

Em Brasília, o destino mais comum dos animais é ser levado para o lixo hospitalar para serem incinerados, o que acaba sendo uma opção mais barata, mas não ecologicamente correta. As opções na capital federal são limitadas, por ainda não existir um cemitério público e o preço do sepultamento em cemitérios particulares ainda serem altos, de R$300 a R$ 500, dependendo do tipo de jazigo, que pode ser temporário ou perpétuo. 

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De acordo com a médica veterinária e gerente do canil do Centro de Controle de Zoonoses do Distrito Federal, Lucia d'Anduraia, a cremação é a opção mais recomendada para os animais domésticos mortos dentro das opções atuais.  

Enterrar no quintal ou em algum terreno baldio é uma atitude comum, mas muito incorreta, pois prejudica o meio ambiente. O organismo em decomposição pode contaminar o solo e o lençol freático.  Segundo ela, existe uma expectativa da criação de um cemitério público em Brasilia, pois a Terracap doou um terreno para a Secretaria de Saúde para ser usado, a principio, com esta finalidade.

Foi pensando em dar um destino mais digno aos pets que a família do advogado, Luiz Felippe Silva Loppes resolveu abrir o primeiro crematório de animais de Brasília.  Criado em 2011, o crematório, localizado em uma chácara na área rural de Sobradinho, realiza hoje uma média de três a cinco cremações por dia de animais domésticos de até 100kg.

Os animais mais cremados são os cachorros e gatos, mas já foram cremados chinchilas, porquinho da índia, hamster e até papagaios. De acordo com Luiz, sócio-diretor da empresa, a procura pelo serviço tem crescido muito nos últimos tempos.

— No início fazíamos dez cremações, em média, por mês, porque poucas pessoas conheciam o serviço e dependíamos da divulgação de veterinários. Depois, com propagandas na internet e indicações dos próprios clientes, a procura aumentou e hoje fazemos de três a cinco cremações por dia.

Ele conta que a ideia da criação da empresa surgiu depois que sua avó perdeu uma cadela companheira chamada Menina, que vivia com ela há 20 anos. Segundo ele, sua avó pagou o enterro para uma clínica veterinária, mas semanas depois, descobriu que a cadela não tinha sido enterrada, mas sim descartada em uma chácara em Planaltina, no Entorno do DF.

Comovidos com a história, o pai resolveu criar o crematório, mas foram seis anos de luta para conseguir uma licença ambiental do Ibram/DF (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Distrito Federal), que permitisse a abertura da empresa.

Os preços da cremação variam de R$ 500, para animais de até 15kg, e pode chegar a R$ 1400 reais, dependendo do peso do animal. O estabelecimento conta com uma capela ecumênica, onde podem ser realizadas cerimônias de despedida e de onde pode ser assistida, por meio de uma janela, a cremação do pet.

Os custos incluem o translado para buscar o animal em casa, o acesso à capela, e as cinzas depositadas em uma caixa em madeira. A cremação dura em média 1h30min a depender do porte do animal e a empresa garante que as cinzas retornam a casa do dono em até 48 horas. Se comparada às cremações de seres humanos, que variam de R$1650, valor que não inclui o serviço funerário, a R$ 7920 para cremações de luxo, o preço não é tão alto.

Histórias

A estudante Thayana Lins, 20 anos, perdeu a sua gata, em dezembro e ainda é difícil falar sobre ela sem se emocionar. Ela conta que sempre pensou em cremar Nina, quando partisse, mas como tudo aconteceu muito rápido, acabou enterrando-a em sua chácara.

— Como meus pais já haviam gastado muito na clínica veterinária para tentar salvá-la, acabei desistindo da ideia. Resolvemos enterrá-la em uma chácara da família e me senti aliviada por poder visitá-la quando quero.

O servidor público Marcus Giovane, de 39 anos, optou junto com a namorada pela cremação de sua gata Josefina, que foi atacada um cachorro e morreu em uma clínica veterinária no dia 18 de julho.  

Segundo ele, a namorada tinha outras gatas, mas Josefina era especial pelo seu comportamento arisco e olhar cativante.    

Marcus conta que ela ainda está bastante abalada com a morte da felina, que viveu por quatro anos com ela, mas se sentiu mais confortada com a cremação, tendo as cinzas guardadas em casa. Ele foi quem acompanhou a cremação de perto e aprovou o serviço, que custou R$ 500. 

Para Luiz, que sempre foi muito ligado aos cachorros e já teve dois cremados, não dá para não se comover com as histórias. Ele conta que, muitas vezes, o animal é a única companhia do dono e que um cão já chegou a salvar o dono de um assalto.

De acordo com ele, o destino das cinzas é o mais variado possível. Há clientes que preferem guardá-las, para sentir o animalzinho sempre por perto, mas há outras que optam por jogar as cinzas no mar, no jardim de casa, ou até mesmo plantar uma árvore com elas.