Distrito Federal Um ano após o crime, mãe de jovem morta pelo padrasto com dinamites diz que precisa deixar a cidade

Um ano após o crime, mãe de jovem morta pelo padrasto com dinamites diz que precisa deixar a cidade

Inquérito apontou que autor do crime foi o padrasto

Ainda sem encontrar explicações para o crime brutal que matou a sua filha, a moradora de Pirenópolis (GO) Sandra Rodrigues pretende se mudar da cidade e de vida. O assassinato de Loanne Rodrigues da Silva Costa, de 19 anos, que completa um ano nesta semana (17), chocou o município, cidade do Entorno do DF e destino turístico pelo conjunto histórico colonial e pelas trilhas e cachoeiras da região.

Loanne e o padrasto Joaquim Lourenço da Luz, de 47 anos, foram encontrados amarrados a uma árvore, mortos por explosivos presos aos seus corpos. O inquérito sobre o caso, que foi concluído no início do mês, confirmou que o padrasto foi o autor do crime, motivado por uma paixão pela jovem e pelo ciúme doentio que sentia da enteada. 

Mesmo com a conclusão da investigação, que apontou um resultado já esperado, Sandra ainda não consegue entender por que o ex-marido tiraria a vida de sua filha e a própria. Sem encontrar conforto em sua vida, Sandra decidiu largar o emprego de doméstica no local onde trabalha há 11 anos e se mudar para Goiânia. Seu outro filho se mudou para a capital do Estado há três meses, também fugindo da história familiar tenebrosa.

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Eles ainda não têm onde morar e Sandra não tem emprego garantido, mas não quer mais esperar. Dia 31 de dezembro será seu último dia no emprego.

Depois da morte de Loanne, ela se mudou da casa em que viviam e começou a fazer terapia, mas a imagem do morro onde a filha foi encontrada a persegue por todos os lugares.

— Eu nem passo mais na rua da minha antiga casa. Mas não adianta, acordo pensando nela e vou dormir pensando nela. Quando escuto explosões na pedreira [onde o ex-marido trabalhava], lembro dela. Eu olho pro morro e lembro dela. Eu nunca vou encontrar respostas.

Ninguém sabe explicar a razão do crime. A investigação aponta que a motivação foi uma “paixão doentia pela enteada, que se manifestava por meio de ciúmes excessivos”. Loanne reclamava do ciúme do padrasto, mas não há indícios de um relacionamento entre os dois, nem de abuso. Os peritos concluíram que Loanne estava sedada no momento do crime e não reagiu. Não havia vestígios de luta ou abuso sexual. 

O inquérito também mostra que Joaquim planejou o crime com dois meses de antecedência. Ele simulou toda a cena para confundir a investigação. Segundo a polícia, Joaquim queria preservar a imagem de padrasto herói, que morreu tentando proteger a enteada, para, além de proteger a sua imagem, garantir que sua mulher e seu filho recebessem os seguros de vida que havia feito meses antes.  

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