Distrito Federal Voluntários do DF ajudam vítimas de queimaduras com tratamento e apoio financeiro

Voluntários do DF ajudam vítimas de queimaduras com tratamento e apoio financeiro

Confraternizações e tratamentos fazem parte da fase de superação 

Voluntários do DF ajudam vítimas de queimaduras com tratamento e apoio financeiro

Ana França, presidente da associação, começou a ser voluntária após seu filho ser beneficiado no tratamento de uma grave queimadura

Ana França, presidente da associação, começou a ser voluntária após seu filho ser beneficiado no tratamento de uma grave queimadura

Eduardo Barretto/R7

A recuperação dos pacientes que sofreram queimaduras graves não é fácil. O tratamento deste tipo de ferimento é longo e o progresso, lento. Há 20 anos, uma instituição filantrópica que funciona dentro do HRAN (Hospital Regional da Asa Norte), referência no tratamento dos queimados em Brasília, fornece, gratuitamente, materiais para o tratamento e organiza confraternizações. Os eventos servem tanto para levantar fundos quanto para ajudar na reinserção social desses pacientes, que costuma ser dolorosa.

A Avance (Associação de Prevenção e Intervenção em Queimaduras) surgiu em 1992 e era chamada de Aposeq (Associação dos Portadores de Sequelas por Queimaduras) até setembro de 2013. Dos 30 voluntários, a maioria é de médicos, mas há também estudantes, engenheiro, empresária, enfermeira, chefe de cozinha — que prepara as refeições dos eventos há uma década — e contador, que faz balanços contábeis para a associação. A organização sempre esteve no HRAN.

Filtro solar, malha de compressão e óleo mineral são fornecidos sem custo para o paciente do Hospital Regional da Asa Norte. Ele deve preencher uma ficha, apresentar a prescrição médica e assinar um recibo a cada vez que obtém os itens. Por lei, é de responsabilidade da saúde pública garantir a malha, mas no HRAN quem fabrica e entrega o produto é a associação. O tecido e o maquinário são da associação e a costureira é cedida uma vez por semana pelo HRAN.

Questionada, a Secretaria de Saúde do DF disse que mantém convênio com a associação, e com isso garante que os itens cheguem aos pacientes. Além disso, de acordo com a Secretaria outros centros de saúde no DF fornecem os itens aos pacientes.

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O HRAN cede uma pequena sala à Avance, próximo ao ambulatório. Como uma boa parcela dos pacientes é de baixa renda, a associação paga passagens de ônibus.

Para levantar fundos, os voluntários fazem feijoadas, bazares, festa junina, Natal e Dia das Crianças. São também momentos em que o paciente se reinsere socialmente, em um ambiente familiar. Alzira Aragão ajuda nos eventos há cinco anos. Ela diz:

— Eu comecei como voluntária após ser atendida pela Avance. Quis retribuir esse gesto bonito.

Ana França, presidente da Avance, também conheceu a associação primeiro como beneficiária, já que seu filho passou por tratamento. Ela é professora de alfabetização e investe as folgas na associação.

— Nosso espaço físico já foi até um banheiro aqui no hospital. Mas estamos conseguindo atender mais pessoas e ter estabilidade para crescer.

Após ter alta, o paciente costuma ter dificuldades para voltar às atividades do cotidiano. Katia Tôrres, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, explica:

— O tratamento é muito demorado, mesmo após sair do hospital. Algumas cicatrizes demandam várias cirurgias e influenciam na auto-estima do paciente. Além da dor física, há a dor psicológica.

A cada cem queimaduras, 75 são em crianças. Em 80% dos casos, os acidentes acontecem dentro de casa, na cozinha. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de um milhão de pessoas sofrem queimaduras todos os anos no Brasil. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 300 mil pessoas morrem anualmente queimadas em todo o mundo.

Segundo a presidente da Avance, há negociações com a Secretaria de Saúde para que o HRAN passe a oferecer os materiais aos pacientes, mas não há previsão.

— Nosso próximo objetivo na Avance é passar a trabalhar a reinserção profissional dos pacientes.