Economia Alívio no preço do arroz deve ficar para o início de 2021, prevê Ipea

Alívio no preço do arroz deve ficar para o início de 2021, prevê Ipea

Salto superior a 50% no valor do grão reflete baixa disponibilidade no mercado doméstico e altos valores das paridades de exportação e importação

Agência Estado
Arroz se tornou um dos vilões da inflação nacional

Arroz se tornou um dos vilões da inflação nacional

Pilar Olivares/Reuters - 10.9.2020

Os preços internos do arroz, um dos vilões da recente aceleração da inflação de alimentos, deverão experimentar um alívio apenas no início de 2021, com a entrada da nova safra do grão, sustentam pesquisadores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). A redução de tarifas de importação para o arroz produzido fora do Mercosul deverá ter efeito apenas de limitar a alta de preços.

"As menores vendas do arroz beneficiado e a expectativa de importações do arroz de fora do Mercosul podem limitar a alta dos preços nos próximos meses. Com a oferta restrita, apenas com a entrada de uma nova safra no primeiro trimestre de 2021 pode haver algum ajuste negativo de preços", diz um trecho da nota de conjuntura referente ao quarto trimestre.

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Na comparação de janeiro a setembro de 2020 com relação ao igual período de 2019, o Indicador Esalq/Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Rio Grande do Sul (Senar-RS) de preço do arroz em casca acumulou um salto de 50,8%. Segundo os pesquisadores do Ipea, a inflação reflete a baixa disponibilidade de arroz no mercado doméstico e os "altos valores das paridades de exportação e importação".

Os preços do arroz passaram a aumentar de forma mais acelerada no terceiro trimestre, quando a produção nacional, colhida no início de cada ano, já estava no mercado. Para tentar reduzir a restrição de oferta, o governo federal liberou a importação de 400 mil toneladas de fora do Mercosul com isenção da TEC (Tarifa Externa Comum) até 31 de dezembro de 2020.

Nas estimativas do Ipea, a produção de arroz na safra 2020/21 será menor do que a anterior. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) "espera aumento de 1,6% na área plantada, mas produtividade 4,2% menor, resultando em queda de 2,7% da produção", diz a nota técnica do Ipea.

"A expansão prevista da área reflete os bons preços do produto", continua o texto. Mesmo assim, o simples aumento da disponibilidade de arroz no mercado doméstico poderá trazer algum alívio para os preços.

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