Análise nos EUA aponta que avião da Embraer tinha fios danificados

Conselho Nacional de Segurança nos Transportes americano mostrou que tripulação teve dificuldade para controlar modelo EMB-175 em novembro

Aeronave teve problemas em novembro de 2019

Aeronave teve problemas em novembro de 2019

Paulo Whitaker/Reuters

O relatório do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês) apontou que a aeronave Embraer EMB-175, que apresentou problema em novembro de 2019 e exigiu esforço da tripulação para retomar o controle, estava em "condições inadequadas para uma parte do voo".

Segundo o relatório, a análise posterior do avião mostrou um desgaste por atrito de fios na área em que a coluna de controle do piloto percorre o piso da cabine de comando. "Os procedimentos de manutenção no manual de aeronaves EMB-175 para ajustar o parafuso de parada mecânica atualmente não chamam atenção específica para essa questão crítica."

Ainda conforme relatório, inspeções em alguns aviões EMB170/175 encontraram danos semelhantes em localidades próximas ao parafuso de parada mecânica dianteiro. "Depois que os fios danificados foram encontrados no avião, a companhia Republic inspecionou voluntariamente o restante de sua frota e encontrou nove aviões com fios danificados".

A Embraer, que recebeu, nesta semana, o aval do Conselho Administrativo da Defesa Econômica (Cade) para fundir suas operações comerciais com a Boeing, foi procurada após a divulgação do relatório, mas ainda não se manifestou até o fechamento deste texto.

O voo

Segundo o relatório, investigações preliminares apontaram um incidente no qual a tripulação relatou dificuldade em controlar o avião que decolou do aeroporto internacional de Atlanta, nos Estados Unidos.

"Embora a causa das dificuldades relatadas por essa tripulação de voo ainda não tenha sido determinada, essas recomendações visam tratar de questões de segurança identificadas durante o estágio inicial da investigação", apontou o órgão em relatório.

Segundo o documento, a tripulação declarou uma emergência após relatarem um problema de controle da aeronave. O comandante da aeronave relatou que o avião subia com uma inclinação maior do que o normal.

A tripulação tentou acionar alguns mecanismos para contornar o problema, por meio do piloto automático, mas sem sucesso. O jato transportava seis passageiros e quatro tripulantes.

Segundo o relato, dois tripulantes precisaram pressionar o manche com as duas mãos para baixo para retomar o controle do avião.

O documento aponta que, depois do esforço do piloto e tripulação eles conseguiram contornar o problema e retornar ao aeroporto com segurança cerca de 15 minutos após declararem emergência.

O caso traz semelhança ao Boeing 737 MAX que teve dois acidentes fatais. Entre os problemas reportados, também estava a dificuldade de retomar o controle do avião.

Resposta da Embraer

A Embraer apontou, em nota, que o relatório preliminar publicado pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês), trazia recomendações de segurança que estão em linha com o que a Embraer já havia divulgado para seus clientes em dezembro de 2019. O órgão emitiu alertas à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre falha em um voo de um Embraer EMB-175, em novembro de 2019, operado pela Republic Airways.

"Estas recomendações envolvem tornar obrigatória uma modificação no manche para evitar uma montagem invertida da chave de comando modificação esta que já está incorporada na linha de produção e disponível para incorporação na frota desde 2015, assim como uma inspeção nas cablagens da base da coluna do manche quanto a possível atrito ou danos", diz a empresa.

Desta forma, o problema teria sido um erro de manutenção.

Segundo o relatório, a análise posterior do avião mostrou um desgaste por atrito de fios na área em que a coluna de controle do piloto percorre o piso da cabine de comando. "Os procedimentos de manutenção no manual de aeronaves EMB-175 para ajustar o parafuso de parada mecânica atualmente não chamam atenção específica para essa questão crítica", dizia o relatório.

Ainda conforme nota da Embraer, o "NTSB recomendou aos operadores analisar o procedimento operacional relativo à respectiva falha para implementação de possíveis melhorias".

A empresa diz ainda que está participando das investigações.