Apesar da pandemia, abertura de empresas cresce 6% em julho

Em São Paulo, foram 21.788 empresas abertas contra 20.187 no mesmo período do ano passado. No Brasil, saldo positivo foi de 168 mil aberturas 

Segmento de cabeleireiros cresceu 9,1% no 1º quadrimestre no Brasil

Segmento de cabeleireiros cresceu 9,1% no 1º quadrimestre no Brasil

LEANDRO FERREIRA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O número de novas empresas abertas em julho superou o do mesmo período de 2019, no estado de São Paulo. Considerando microempreendedores individuais (MEI), matrizes e filiais, a Junta Comercial registrou a abertura de 21.788 novos empreendimentos, um aumento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado, que teve 20.187. 

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Já as empresas fechadas foram 11.015, resultando em um saldo positivo de 10.773 novas empresas instaladas em julho deste ano, também maior que o registrado no mesmo perído de 2019, de 10.175, com 10.012 encerramentos.

No Brasil, houve uma recuperação em relação aos meses de abril e maio, auge do isolamento social por causa da pandemia de coronavírus, e o saldo positivo ficou em 168 mil empresas abertas em julho. Segundo o painel Mapa de Empresas, do  Ministério da Economia, foram 250.308 aberturas e 81.816 fechamentos.

"É surpeendende diante de uma pandemia com uma crise econômica dessa magnitude que tenha pessoas abrindo empresas. Uma causa possível, por incrível que parece, é o aumento do desemprego. O momento atual levou mais pessoas a buscar alguma forma de renda através de novos empreendimentos", avalia o economista Mauro Rochlin, professor dos MBAs da FGV.

Outra possibilidade seria a busca pela formalização como alternativa para perda de renda. O trabalhador informal, por exemplo, não tem acesso à maquininha de cartão de crédito. "Eu vejo que isso é um fator fundamental para viabilizar os negócios. Com um mínimo de formalização, as pessoas têm uma alternativa para gerar renda ou obter crédito", explica.

O impacto do auxílio emergencial na economia também pode ser uma das explicações, segundo Rochlin. O benefício, criado para a população de baixa renda e trabalhadores informais enfrentar a crise provocada pela covid-19, já atingiu 67,2 milhões de pessoas, com um total de R$ 183 bilhões pagos desde abril. 

"Algumas atividades tiveram aumento de demanda, como material de construção no varejo. O auxílio pode justificar demanda maior para alguns produtos e também para algum tipo de iniciativa que envolveria abertura de empresas", conclui o economista.

Primeiro quadrimestre 

No boletim do Mapa das Empresas sobre o primeiro quadrimestre de 2020, foram abertas 1.038.030 no país, o que representa um aumento de 1,2% em relação ao último quadrimestre de 2019 e queda de 1,1% quando comparado com o primeiro quadrimestre de 2019.

Histórico de abertura e fechamento de empresas no 1º quadrimestre dos últimos anos

Histórico de abertura e fechamento de empresas no 1º quadrimestre dos últimos anos

Reprodução/Boletim do 1º Quadrimestre do Mapa de Empresas/Ministério da Economia

São Paulo é o estado com o maior número de empresas no Brasil, com 5,2 milhões, sendo 295 mil abertas somente no primeiro quadrimestre de 2020. Em seguida aparecem Minas Gerais com quase 2 milhões de empresas, 115 mil abertas no 1º quadrimestre, e o Rio de Janeiro com 1,7 milhões, das quais 101 mil foram abertas no período o boletim.

Atividades

O contador Ricardo Ferreira afirma que tem tido um aumento de clientes na procura para  aberturas de novos empreendimentos, principalmente no segmento de prestação de serviços. "Muitos funcionários demitidos acabaram adotando uma nova perspectiva de vida, um novo projeto, partindo para trabalhar por conta própria", diz Ferreira, que tem uma empresa de contabilidade. 

Atividades econômicas mais exploradas

No primeiro quadrimestre de 2020, segundo boletim do Mapa de Empresas, do Ministério da Economia


• Cabeleireiros, manicure e pedicure (55.984 empresas abertas, crescimento de
9,1% em relação ao 3º quadrimestre/2019, queda de 7,0% em relação ao 1º
quadrimestre/2019 e 825.026 empresas ativas);

• Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios (51.064 empresas
abertas, queda de 14,4% em relação ao 3º quadrimestre/2019, queda de 14,6%
em relação ao 1º quadrimestre/2019 e 1.101.983 empresas ativas);

• Promoção de vendas (43.275 empresas abertas, queda de 2,6% em relação ao 3º
quadrimestre/2019, crescimento de 13,5% em relação ao 1º quadrimestre/2019
e 364.780 empresas ativas);

• Obras de alvenaria (36.796 empresas abertas, crescimento de 8,2% em relação
ao 3º quadrimestre/2019, queda de 0,1% em relação ao 1º quadrimestre/2019 e
479.477 empresas ativas);

• Fornecimento de alimentos preparados preponderantemente para consumo
domiciliar (32.012 empresas abertas, crescimento de 23,8% em relação ao 3º
quadrimestre/2019, crescimento de 37,8% em relação ao 1º quadrimestre/2019
e 273.227 empresas ativas);

• Restaurantes e similares (27.937 empresas abertas, crescimento de 23,1% em
relação ao 3º quadrimestre/2019, crescimento de 40,0% em relação ao 1º
quadrimestre/2019 e 352.181 empresas ativas);

• Outras atividades auxiliares dos transportes terrestres não especificadas
anteriormente (26.921 empresas abertas, crescimento de 5,4% em relação ao 3º
quadrimestre/2019, crescimento de 1.907,5% em relação ao 1º
quadrimestre/2019 e 66.701 empresas ativas);

• Lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares (24.511 empresas abertas,
queda de 0,5% em relação ao 3º quadrimestre/2019, sem variação expressiva
em relação ao 1º quadrimestre/2019 e 473.952 empresas ativas);

• Preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo
não especificados anteriormente (23.151 empresas abertas, crescimento de 8,2% em relação ao 3º quadrimestre/2019, crescimento de 7,6% em relação ao 1º
quadrimestre/2019 e 190.614 empresas ativas);

• Serviços domésticos (20.192 empresas abertas, crescimento de 20,8% em
relação ao 3º quadrimestre/2019, crescimento de 13,6% em relação ao 1º
quadrimestre/2019 e 149.167 empresas ativas).