Economia Após duas interrupções, Bolsa tem maior queda desde 1998

Após duas interrupções, Bolsa tem maior queda desde 1998

Índice de referência do mercado acionário brasileiro desabou 14,78% e voltou aos 72.582,53 pontos, menor patamar desde junho de 2018

Reuters
Queda da Bolsa foi guiada por pandemia do coronavírus

Queda da Bolsa foi guiada por pandemia do coronavírus

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A bolsa paulista teve mais uma sessão de fortes perdas nesta quinta-feira (12), tendo acionado o circuit breaker por duas vezes, o que não acontecia desde a crise de 2008. O Ibovespa fechou com o pior desempenho desde 1998, reflexo do clima de pânico nos mercados globais em torno da pandemia de coronavírus.

O tombo só não foi maior porque o Banco Central de Nova York anunciou injeção de US$ 1,5 trilhão no sistema financeiro em um esforço para tentar acalmar investidores globais. Isso acabou evitando uma terceira suspensão dos negócios na B3 na mesma sessão.

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Na sessão, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, caiu 14,78%, a 72.582,53 pontos, no menor patamar desde 28 de junho de 2018. Foi a pior performance desde 10 setembro de 1998, ano marcado pela crise financeira russa. Todas as ações da carteira do índice fecharam em queda.

O pregão brasileiro teve as negociações suspensas primeiro por volta de 10h20, por 30 minutos, após o Ibovespa cair mais de 10% e depois, antes das 11h15, por 1 hora, conforme acelerou a perda a mais de 15%.

Pouco antes do anúncio do Fed, o Ibovespa renovou mínima da sessão, a 68.488,29 pontos, menor patamar intradia desde agosto de 2017, em queda de 19,59%, ameaçando o terceiro circuit breaker do dia. Se caísse 20%, a bolsa poderia determinar a suspensão dos negócios por um período por ela definido.

O cenário político econômico no Brasil corroborou o clima negativo nos negócios, após o Congresso Nacional derrubar na quarta-feira veto presidencial a projeto que amplia o acesso ao BPC (Benefício de Prestação Continuada), o que terá impacto estimado em 20 bilhões de reais no primeiro ano.

Ainda no panorama local, o presidente Jair Bolsonaro está sendo monitorando para o coronavírus, após o secretário especial de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, testar positivo para o vírus. O secretário fez parte da comitiva presidencial de Bolsonaro aos EUA, onde se encontrou com Trump.

Na visão do gestor Alfredo Menezes, da Armor Capital, os preços dos ativos no Brasil não estão coerentes com fundamentos, mas busca por liquidez, o que, por um lado, pode forçar o Executivo e o Legislativo a aprovarem as reformas. "Difícil mensurar o tempo para se realinhar preços e alavancagem do sistema. Mas que já há muita coisa barata, há."

Destaques

• GOL PN derreteu 36,29%, a R$ 9,97, pressionada pelo noticiário relacionado ao coronavírus, além da disparada do dólar, que superou R$ 5 pela primeira vez. Foi a maior queda percentual diária da história da companhia aérea. Tal desempenho representa uma perda de valor de mercado de R$ 1,55 bilhão, para R$ 2,73 bilhões. No ano, a perda é de R$ 7,3 bilhões.

• AZUL PN caiu 32,89%, também declínio histórico, tendo ainda no radar decisão da empresa de suspender previsões para 2020, citando incertezas em razão do vírus, bem como anunciou uma série de medidas para reduzir o impacto da pandemia em seu resultado, entre elas corte na capacidade internacional entre 20% a 30%. A perda de valor de mercado no dia foi de R$ 3,28 bilhões para R$ 6,68 bilhões. No ano, a perda chega a R$ 12,5 bilhões.

CVC BRASIL ON despencou 29,11%, também pressionada pelas preocupações com o efeito de medidas de combate ao coronavírus.

• PETROBRAS PN e PETROBRAS ON caíram 20,5% e 21,08%, na esteira da queda dos preços do petróleo, além do forte 'sell-off' global. Tal desempenho representa uma perda de quase 44 bilhões de reais em valor de mercado da companhia, para 166,7 bilhões de reais.

• VALE ON recuou 13,23%, também contaminada pelo pessimismo dos investidores globalmente.

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