Coronavírus

Economia Associação de transporte prevê colapso no sistema em abril

Associação de transporte prevê colapso no sistema em abril

Setor enviou ofício ao governo pleiteando apoio financeiro emergencial da ordem de R$ 2,8 bilhões mensais para manter o serviço em funcionamento

  • Economia | Marco Antonio Araujo, do R7

Associação afirma que falta recursos para folha de pagamento de funcionários

Associação afirma que falta recursos para folha de pagamento de funcionários

Amanda Perobelli/Reuters

Setor essencial na economia, o transporte público coletivo urbano corre o risco de entrar em colapso e paralisar suas atividades em todo o país, a partir do próximo dia 5 de abril. O alerta é de Otávio Cunha, presidente executivo da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbanos (NTU). A falta de recursos para pagar a folha de pagamento dos colaboradores já está prevista, em função da crise causada pelo novo coronavírus.

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"O setor não vai tomar a decisão de parar. Temos responsabilidade social e sabemos da relevância desse serviço essencial. Mas infelizmente, na maior parte do Brasil, as empresas não conseguem mais bancar os custos dessa atividade", desabafa Cunha. Segundo ele, 182 cidades já foram obrigadas a suspender o serviço por decisão do poder público.

O transporte coletivo é fundamental durante a pandemia para que trabalhadores de áreas como saúde, segurança, abastecimento e outras, também essenciais, possam se deslocar diariamente. Muitas empresas operam com redução de mais de 50% dos passageiros desde o inicio das medidas de isolamento. Em Porto Alegre, a queda é estimada em 79%, número próximo aos de Salvador (75%) e da região metropolitana de Belo Horizonte (70%). Isso causa forte impacto na receita do setor.

A Associação enviou ofício ao ministro da Economia, Paulo Guedes, pleiteando apoio financeiro emergencial. A NTU estima que seria necessário um aporte de R$ 2,8 bilhões mensais para manter o serviço em funcionamento nos 2.901 municípios que dispõe de transporte coletivo por ônibus. Cunha diz que, na maioria dos municípios, o custo do serviço é bancado, exclusivamente, com recursos da tarifa paga pelo passageiro.

Conforme o ofício entregue ao governo federal, o socorro financeiro, a fundo perdido, permitiria o reequilíbrio entre custos e receitas das empresas mesmo com a atual redução da demanda. Com esse apoio, as empresas conseguiriam colocar 70% da frota em operação, número ideal para evitar aglomeração nos ônibus.

“O pedido de socorro também solicita a suspensão, por seis meses, da cobrança de tributos federais que incidem sobre as empresas, tais como encargos sociais sobre o faturamento e PIS/Cofins sobre o óleo diesel; renegociação das linhas de financiamento usadas para renovação de frotas; e a possibilidade de suspensão temporária dos contratos de trabalho em caso de paralisação total ou parcial dos serviços”, detalha a associação, em comunicado distribuído à imprensa.

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